Autor: Denise Rothenburg
Sem tempo e informações, Lula pode deixar as propostas para a economia em segundo plano
Com o curto período de campanha e o presidente Jair Bolsonaro voltando mais uma vez ao discurso de ataque a ministros do Supremo Tribunal Federal e às urnas eletrônicas, o PT considera que o ex-presidente Lula pode prescindir de detalhar o projeto econômico que levará adiante caso seja eleito. Primeiro, Lula ainda não sabe o tamanho do buraco nas contas públicas. Em segundo lugar, a divulgação pode levar a narrativas que terminem por tirar votos do ex-presidente.
Assim, caberá aos representantes do mercado decidirem o voto sem essa variável. Até aqui, sabe-se apenas que, seja quem for o próximo presidente, as contas a pagar serão imensas. A expectativa dos economistas é de que 2023 será o ano de aperto nas contas públicas, sem espaço para novos projetos ou aumentos salariais.
Segura o dinheiro
Deputados que vieram a Brasília para o esforço concentrado reclamam que o governo não está sequer empenhando as emendas de relator neste período. No Poder Executivo, técnicos alegam que é preciso segurar recursos para pagamento dos auxílios até o final
deste ano.
Por falar em auxílios…
O PT terá pesquisas para acompanhar de perto o humor do eleitorado com o pagamento do Auxílio Brasil e todos os demais estabelecidos pela PEC das Bondades. Até aqui, a avaliação de alguns é a de que a melhoria de Bolsonaro em algumas pesquisas se deu por causa da redução do preço dos combustíveis.
Para a Justiça ver
Com a obrigatoriedade de gastar parte do fundo com candidaturas femininas, União Brasil, MDB e PSDB garantiram o cumprimento da legislação ao lançarem respectivamente as candidaturas presidenciais de Soraia Tronicke e de Simone Tebet, que terá como vice Mara Gabrilli. Agora, os partidos avaliam que poderão dedicar mais uma parcela do fundo para candidaturas masculinas à Câmara dos Deputados,
por exemplo.
E por falar em Justiça…
As atenções dos políticos estarão voltadas ao Supremo Tribunal Federal e à possibilidade de retroatividade da nova Lei de Improbidade. As apostas no STF são as de que, se a retroatividade for descartada, será por um placar apertado.
Ganha-ganha/ Assim como Soraia Thronicke (UB-MT), Mara Gabrilli (PSDB-SP) também não tem nada a perder ao concorrer à vice-presidência na chapa de Simone Tebet. Soraia e Mara têm mais quatro anos de mandato.
Ele tem a força, mas…/ O presidente da Câmara, Arthur Lira, deixou a oposição revoltada ao manter a votação por sistema remoto nesta semana de esforço concentrado. Esse gesto irritou o PT, que esperava aprovar a prorrogação da Lei de Cotas, que terminou retirada de pauta, e a pedido da própria oposição, diante da falta de quórum presencial.
Enquanto isso, no Itamaraty…/ O governo brasileiro observa atentamente a visita da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan e a reação da China. Com a guerra da Ucrânia, esse é mais um tema explosivo no cenário internacional.
A força do comércio/ Este é o tema do Correio Talks em parceria com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) nesta quinta-feira, 15h30. A abertura estará a cargo do presidente em exercício do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas.
Coluna Brasília-DF, por Carlos Alexandre de Souza
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, repudiou publicamente atos de racismo e xenofobia no país europeu. Foi uma resposta à injúria racial cometida por uma cidadã portuguesa contra os filhos dos atores brasileiros Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank, em uma praia nos arredores de Lisboa. “Infelizmente, há setores racistas entre nós”, escreveu Rebelo. Mas “não se pode, nem deve, generalizar”, ponderou.
Rebelo de Sousa tem se esforçado em estreitar laços históricos entre Brasil e Portugal, especialmente no bicentenário da Independência da ex-colônia. Mas nem sempre obtém sucesso. Em visita recente ao Brasil, Rebelo encontrou-se com três ex-ocupantes do Planalto e testemunhou, in loco, a homenagem a Portugal na Bienal do Livro em São Paulo. O português sofreu, entretanto, uma desfeita com o atual mandatário brasileiro. Ao saber que o visitante se encontraria com Lula, o presidente Jair Bolsonaro desmarcou um almoço agendado com antecedência.
Apesar dos desencontros, Rebelo de Sousa deve voltar ao Brasil para as festividades do Sete de Setembro — evento que será utilizado por Bolsonaro para tumultuar as eleições. No plano ideal, Brasil e Portugal poderiam aproveitar a ocasião para unir esforços contra mazelas comuns aos dois países, como o racismo. Casos de injúria racial são recorrentes aqui e lá. O episódio ocorrido com duas celebridades brasileiras apenas deu mais visibilidade a essa prática intolerável. Como alertou o ator branco Bruno Gagliasso, com expressivos olhos azuis: “Essa luta é de todo mundo”.
Assédio institucional
A pedido da Frente Parlamentar do Serviço Público (Servir), a Comissão de Assuntos Sociais promove, hoje, às 14h, audiência pública para debater o assédio institucional. Integrantes da Servir denunciam, por exemplo, o caso de servidor do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) processado pelo MEC após publicar artigo e até o assassinato do indigenista Bruno Pereira — morto após se licenciar da Funai.
Data venia
Ao reiterar o arquivamento do inquérito sobre o suposto vazamento cometido pelo presidente Bolsonaro de uma investigação sigilosa da PF a respeito das urnas eletrônicas, a vice-procuradora Lindora Araújo, criticou o ministro do Supremo Alexandre Moraes. “O eminente Ministro Relator, data venia, acabou por violar o sistema processual acusatório”, escreveu, no parecer encaminhado ao Supremo. A ver a resposta do magistrado.
No Supremo
Na semana passada, a vice-procuradora recomendou o arquivamento de vários pedidos de investigação apresentados pela CPI da Covid contra o presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro Eduardo Pazuello e outros citados no relatório final. Em resposta às conclusões de Araújo, sete integrantes da extinta comissão pediram, no Supremo, a abertura de inquérito para averiguar suposta prevaricação cometida por Araújo.
Campo minado
A exemplo do chefe, Augusto Aras, a vice-procuradora não se furta de andar em campo minado.
Combatentes
Conhecida no Brasil como “capitã cloroquina”, a médica e pré-candidata a deputada federal Mayra Pinheiro (PL-CE) receberá do presidente Jair Bolsonaro a Ordem do Mérito Médico, concedida a profissionais que se destacaram pelos serviços à saúde. “Honrei o meu país”, escreveu Mayra Pinheiro nas redes sociais. Em julho, o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), aquele que obteve indulto presidencial, foi agraciado com a Ordem do Mérito do Livro.
Diferenças e riquezas
Os candidatos do Partido Republicano da Ordem Social (Pros), Pablo Marçal, e do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Sofia Manzano, foram os primeiros a registrar as candidaturas à presidência da República junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ambas as chapas são ‘puro sangue’, sem coligações com outros partidos. As diferenças entre Marçal e Manzano não se limitam ao campo ideológico. Aos 35 anos, o empresário e influenciador digital, estreante na corrida eleitoral, declarou um patrimônio de R$ 16,9 milhões ao TSE. Professora, Manzano informou um total de R$ 498 mil.
Indigestão
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) está apreensiva com a votação, hoje, da MP que faculta às empresas pagar vales-refeição e vales-alimentação em dinheiro. A proposta tem como relator o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP). Segundo ele, boa parte dos trabalhadores já adota essa prática: troca os tíquetes por dinheiro, com deságio. A Abrasel, por sua vez, diz que a mudança trará enormes prejuízos a restaurantes.
União resiste a Lula e Bivar muda de ideia a cada seis horas
O presidente do União Brasil e pré-candidato a presidente da República, Luciano Bivar, “muda de ideia a cada seis horas” sobre se mantém a candidatura presidencial ou desiste, confiando no aceno do ex-presidente Lula de que terá apoio para presidir a Câmara dos Deputados no ano que vem. Seus aliados dizem em conversas reservadas que “a conversa entre Bivar e Lula foi pessoal”, sem consulta ao partido. E mais: Que Lula está “vendendo terreno na lua”. Logo à primeira vista, é preciso ter em mente que a Presidência da Câmara é algo que depende da nova configuração de forças no Congresso, que só será conhecida em outubro. Em segundo lugar, os integrantes do União Brasil acreditam que o PT, que projeta a eleição de uma bancada expressiva, jamais apoiará um candidato do União Brasil para comandar o Parlamento.
Nos palanques estaduais, a relação entre os dois partidos também não está fácil. No maior colégio eleitoral do país, por exemplo, o União Brasil vai apoiar o governador-candidato Rodrigo Garcia, um dos principais adversários do candidato do PT, Fernando Haddad. No Rio de Janeiro, uma das estrelas do União é Danielle Cunha, filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, que não dialoga com o PT. Metade do União hoje está mais para Bolsonaro do que para o PT, por isso, a avaliação de muitos é a de que um apoio a Lula não passaria na convenção. Para completar, deixar de ter candidato a presidente tiraria a nova legenda da vitrine, necessária para se colocar perante a sociedade. Da parte de Lula, porém, quanto menos candidato ao Planalto melhor para que ele possa cumprir o sonho de, pela primeira vez, o PT obter uma vitória presidencial no primeiro turno. Por isso, a conversa de Lula com Bivar e Janones, o candidato a presidente da República do Avante.
A convenção do União Brasil está marcada para 5 de agosto e, até lá, as especulações devem continuar. Aliados de Bivar acreditam que essa conversa com Lula deu ao deputado e presidente do União Brasil a oportunidade de se tornar mais conhecido por alguns eleitores. A aposta desses aliados é a de que, até a semana que vem, Bivar deverá continuar mudando de ideia a cada seis horas.
Assinar carta da democracia não é apoiar Lula, alertam empresários
Com a profusão de cartas em defesa da democracia, como a da USP e a da Fiesp, empresários simpatizantes do governo têm dito em conversas reservadas que é bom o PT ficar atento, porque a chancela aos documentos não representa um voto em favor do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes do MDB de Simone Tebet, por exemplo, e do PDT, de Ciro Gomes, vão se colocar como signatários do texto, até para evitar que haja uma leitura de apoio ao petista.
O PL de Valdemar da Costa Neto, para diluir o peso do documento como um recado direto ao presidente Jair Bolsonaro, vai colocar suas falas em favor das urnas, tal como a do líder do governo, Capitão Augusto, em defesa do sistema eletrônico de votação. Ele tem reforçado em todas as entrevistas que a urna é segura.
A ordem entre os bolsonaristas é sair desse tema e seguir para a economia — redução do preço da gasolina, por exemplo, onde eles consideram que Bolsonaro pode surfar.
Combustível
O governo respirou aliviado com os dividendos da Petrobras — R$ 87 bilhões, dos quais R$ 32 bilhões ficarão com a União. A avaliação entre os bolsonaristas é de que o presidente ganhou pontos com a redução no preço dos combustíveis e, agora, terá recursos para pagamento dos auxílios previstos na PEC das bondades, cujos benefícios ainda não surtiram efeito eleitoral.
Sigam o Lira!
No PL e no QG de Jair Bolsonaro, a ordem é seguir a linha que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), expôs em seu twitter: “Má notícia para os pessimistas de plantão! Estamos na contramão do mundo, mas isso é bom! Inflação em baixa, PIB em alta. Desemprego com a menor taxa dos últimos anos. Estamos trabalhando com o Brasil real, que vai prosperando, melhorando, avançando”, publicou.
Cada um no seu quadrado
A campanha de Lula montou um grupo especial para conversar com segmentos do eleitorado religioso de uma forma geral. Geraldo Alckmin cuidará mais dos católicos, enquanto Benedita da Silva focará nos evangélicos. A avaliação é que o petista ainda tem muito terreno a percorrer nessa faixa do eleitorado.
Deu ruim
O vazamento do atestado médico que a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) apresentou para justificar sua ausência à reunião da federação PSDB/Cidadania, inviabilizou qualquer reaproximação entre ela e o senador Izalci Lucas (PSDB-DF). Paula é considerada por quem a conhece “uma leoa ferida”.
Nas rodas de Brasília/ Os cientistas políticos, que sempre se reúnem para discutir o processo eleitoral, concluíram que o cenário está assim: quando Lula fala, Bolsonaro ganha. E quando Bolsonaro fala, Lula ganha. Está explicado o motivo de ambos serem avessos a um debate com os demais candidatos.
Por falar em Brasília…/ Lula foi ovacionado pelos estudantes ao caminhar pelo “Ceubinho”, apelido da entrada norte do Minhocão da UnB. Contava-se nos dedos os que passaram “batidos” — ou seja, sem levantar a mão com os dedos formando um “L”, marca da campanha, ou gritar um “Lula lá”.
Separados I/ O QG da campanha de Bolsonaro está preparando uma agenda solo para a primeira-dama, Michelle. Ela já se dispôs a participar de encontro de mulheres e com o eleitorado evangélico, de forma a tentar reforçar a posição eleitoral do marido.
Separados II/ O candidato a vice, Walter Braga Netto, também terá agenda própria daqui para frente. Até porque, Bolsonaro terá dificuldades em agendas eleitorais durante a semana por causa do horário de expediente. No sábado, porém, estarão todos juntos em Montes Claros (MG).
Técnicos da Câmara foram orientados e já estão com tudo engatilhado para, no ano que vem, dar fôlego à discussão do semipresidencialismo. Caso Jair Bolsonaro vença a eleição, a ideia é sedimentar o poder do Parlamento, que, desde 2015, ampliou seu protagonismo na correção de forças entre os Poderes. Na hipótese de vitória de Lula, porém, que sempre teve mando de campo quando presidiu o país, a avaliação é de que será mais difícil. Entretanto, os congressistas ligados a Arthur Lira acreditam que será possível abrir esse debate.
Em tempo: o Congresso dos tempos em que Lula era presidente está muito diferente daquele de 2003, quando o petista chegou ao poder. O Parlamento aprendeu a lidar com o Orçamento, e a avaliação de caciques do Centrão é de que isso não vai mudar. Até porque, diante da polarização, quem vencer encontrará um país dividido, e a chance de pacificação estará no Congresso. E, embora o Brasil ainda esteja no início da campanha eleitoral, os políticos já estão planejando os próximos lances do xadrez pós-eleição.
Falta o teste
Na reunião com o ministro do Tribunal Superior Eleitoral, Edson Fachin, o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, tratou de esfriar a crise entre o candidato Jair Bolsonaro e a Justiça Eleitoral. Só tem um probleminha: antes do 7 de Setembro, ninguém acredita em promessas de paz.
Enquanto isso, na convenção do PP…
A ordem no partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, é focar a campanha presidencial nas obras do governo, na redução do preço dos combustíveis e deixar de lado essas dúvidas que Bolsonaro levantou em relação às urnas eletrônicas. Se Bolsonaro voltar sua campanha à toada da reunião dos embaixadores, o PP sairá de campo.
Apartidário
O manifesto pela democracia deve chegar a 500 mil assinaturas, mas muitos signatários avisam que isso não significa que todos eles vão votar em Lula. Aliás, tem ali um grupo que apoia Simone Tebet, lançada, ontem, candidata do MDB.
Por falar em MDB…
Alguns estados e o Distrito Federal votaram a favor da candidatura de Simone, mas isso não quer dizer trabalho em busca de voto para a emedebista. No caso do DF, Ibaneis Rocha estará dedicado à própria campanha. O candidato do PSDB, Izalci Lucas, avisa que o postulante a presidente dele será o “do eleitor”. Ou seja, não vai entrar na campanha presidencial.
O foco de Lula
Enquanto a campanha na tevê não vem, cada candidato dedicará mais tempo a tentar conquistar votos em segmentos mais refratários. Lula, por exemplo, já quebrou resistências entre os banqueiros e estará hoje com os empresários, na Confederação Nacional do Transporte.
Por falar em Lula…
O ex-presidente, a partir de agora, falará mais sobre mudança na política de preços da Petrobras, porque o PT, avisam alguns integrantes do partido, atribui o crescimento de Bolsonaro justamente à redução no valor dos combustíveis. Esse é um setor que o eleitor identifica muito com o governo federal.
Quase dá confusão/ O senador Izalci Lucas compareceu à reunião de uma pré-candidata a deputada distrital, Sônia, e, quando ouviu o sobrenome dela, perguntou se era prima de Paula Belmonte (Cidadania-DF). Não, o sobrenome é Delmonde. Depois da confusão da reunião desta semana, ele quase dá meia-volta. O momento é de esperar baixar a poeira para reconstruir as pontes com o Cidadania do DF.
Beleza no centro… / Hoje tem desfile na Praça dos Três Poderes. Calma, pessoal! É que o cabeleireiro e maquiador Ricardo Maia, uma das referências no mercado, especialmente quando o assunto é noiva, vai movimentar o local com um desfile de beleza (cabelo e maquiagem).
… do poder/ Um momento fashion bem pertinho dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, em meio às obras modernistas de Oscar Niemeyer. Coisas de Brasília. O evento será para cerca de 200 convidados, que serão recepcionados com um coquetel na Casa de Chá.
Aliados de Lula não vão desistir de sabotar a candidatura de Simone Tebet
A decisão do ministro Edson Fachin de manter a convenção do MDB garantirá a candidatura de Simone Tebet, mas não significa que os aliados de Lula desistiram de sufocar as perspectivas de apoio à senadora, não só no MDB como também entre os aliados de Tebet. O telefonema de Lula ao senador Tasso Jeiressati, por exemplo, faz parte desse pacote. Mas, a abordagem foi suave, no sentido de montar um palanque entre PT e PSDB no Ceará, depois do rompimento entre o PDT de Ciro Gomes e os petistas. Lá, o MDB já apoia Lula e, agora, a ideia é atrair os tucanos, tirando Tasso da chapa de Tebet.
Em outros estados, o PT fará o mesmo. A ideia é, onde não for possível fisgar o MDB, buscar o PSDB. No caso do Ceará, esta eleição comprova as voltas que o mundo dá. Em 2010, PDT e PT se juntaram para derrotar Tasso Jereissati no Senado. Um dos objetivos de Lula era derrotar o senador. Agora, PT e PDT, separados, buscam o senador para fortalecer suas bases no estado. Em política, o adversário de ontem é o aliado de amanhã. Por isso, muitos deles sempre deixam uma pontezinha para o futuro.
Faz parte do serviço
Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) ouvidos pela coluna classificaram como perfeitamente normal e dentro dos padrões o pedido da área técnica para que o governo explique de onde vai tirar o dinheiro para o pagamento dos benefícios decorrentes da PEC Emergencial. Concedidos por emenda constitucional, não há nada de ilegal nos auxílios.
O problema é o futuro
A avaliação é de que, se faltar orçamento de dividendos de estatais, privatização da Eletrobras e outras fontes que o governo possa usar, a saída será a emissão de dívida. Logo, essa conta não será quitada agora.
Por falar em futuro…
As promessas dos candidatos a presidente, tanto Lula quanto Bolsonaro, de manter os auxílios no próximo ano também serão alvo de questionamento do TCU quanto a recursos para a manutenção desse gasto. Mas essa é uma história que só estará em pauta a partir de novembro, quando os parlamentares voltam da eleição para tratar do Orçamento de 2023.
Ação & reação
A contar pelos xingamentos do advogado Luís Felipe Belmonte ao senador Izalci Lucas, de quem é primeiro suplente, a derrota da deputada Paula Belmonte na reunião da Federação do PSDB/Cidadania, que garantiu a candidatura do senador tucano ao GDF, terá desdobramentos. Ao ver a esposa chorar e dizer que não aceitaria essa “violência contra a mulher”, o suplente de Izalci, aos gritos, dizia que o senador tem mandato “até enquanto não for cassado”. No DF, a federação está por um fio.
Adeus, gravatas/ A reunião da presidente da Caixa, Daniella Marques, com todos os servidores da instituição e o lançamento do programa #temCaixaparaMais, terminou com a abolição das gravatas obrigatórias. Os vice-presidentes prontamente tiraram as suas no palco mesmo. Por isso, se alguém for à Caixa Econômica e reparar que seus funcionários não usam gravata, não pensem que é desleixo. Aliás, Daniela tem razão: num país tropical, o acessório é perfeitamente dispensável.
Cidadão do mundo/ A exemplo do encontro que manteve com a vice-presidente eleita da Colômbia, Francia Márquez, Lula terá outros atores internacionais, de forma a ampliar a visão de globalplayer, capaz de exercer uma diplomacia presidencial efetiva.
Frustrante/ O cancelamento do debate da CNN, inicialmente marcado 6 de agosto e anunciado aos quatro ventos como o primeiro encontro dos presidenciáveis, é mais um passo à polarização. Muito triste um país em que, quando os líderes das pesquisas, no caso, Lula e Jair Bolsonaro, não confirmam, os demais perdem a chance de debater.
Fica a dica/ A Lei Eleitoral poderia ter um dispositivo que obrigasse os candidatos a presidente a participarem de, pelo menos, alguns debates. Afinal, quem deseja ser presidente da República deveria estar preparado para este tipo de ocasião.
PT e Lula usam Renan para torpedear a candidatura de Simone Tebet
PT e Lula estão dedicados a evitar a profusão de candidaturas de centro e, assim, ampliar as chances de vitória no primeiro turno. O alvo da vez é Simone Tebet (MDB). É nesse sentido que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) ajudou a promover a ação judicial contra a convenção que escolherá a senadora candidata, amanhã (27/7), embora não assine o pedido. A ação de Renan, porém, carece de apoios dentro do diretório nacional, que tirou o pé do acelerador no esforço pró-Lula depois das críticas diretas de Dilma Rousseff a Michel Temer. A tendência, se a Justiça não interceder, é a candidatura de Tebet ser homologada esta semana e se tornar mais uma pedra contra a decisão da eleição no primeiro turno.
Embora se preparem para dois turnos, PT e Lula agem desde o início do ano para tentar fechar a eleição no turno inicial. Primeiro, Lula atraiu os partidos de esquerda, PSol, Rede, PV, PCdoB. Restou o PDT, que manteve a candidatura de Ciro Gomes e, inclusive, já realizou a sua convenção. O segundo movimento foi em direção ao centro: atraiu Geraldo Alckmin para vice na chapa e evitou a busca de uma candidatura do PSB ao Planalto. Agora, restam o MDB e o PSD de Gilberto Kassab, que se manterá neutro no primeiro turno da sucessão presidencial. Embora muitos políticos acreditem que Lula pode vencer a eleição, a aposta geral é de que todos os fatores ainda não estão colocados e, diante dessa constatação, a eleição está em aberto.
Onde mora o perigo
Os petistas acompanham com lupa as pesquisas desta semana. Eles avaliam que, na amostra do Ipespe, Bolsonaro apresentou poder de fôlego. E, nesse sentido, se o Auxílio Brasil obtiver efeito sobre o eleitorado, vai dar ao presidente-candidato uma vantagem justamente entre os mais pobres, segmento em que Lula lidera com folga.
Até aqui, eleitor “descasou” eleição
Ao que tudo indica, o eleitor não está vinculando a eleição presidencial à estadual. Até aqui, na Bahia, Lula lidera, mas seu candidato a governador, Jerônimo Rodrigues, não. A mesma situação se repete em Minas Gerais, em Pernambuco e no Rio de Janeiro.
O fator Michelle
O ingresso da primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha presidencial foi visto como “uma bênção” pelos coordenadores políticos de Bolsonaro. Uma parte estava preocupada, porque ela, embora participe de alguns atos, ia falar de improviso. A aposta é que, se Michelle conseguir atrair uma parte do eleitorado feminino, Lula perderá a vantagem que tem hoje.
Ajudinha
Ao não dar prosseguimento a denúncias contra o presidente Jair Bolsonaro, a Procuradoria-Geral da República dá ao candidato à reeleição o discurso de que os pedidos não passaram de “perseguição”, tanto é que foram arquivados. É por aí que o PL tratará desse tema.
Veio a calhar…/ A reunião da 15ª Conferência de ministros da Defesa das Américas, esta semana em Brasília, reforçará o compromisso com a democracia, na Carta de Brasília a ser divulgada quinta-feira.
… e amarrar/ O documento, segundo generais mais progressistas, tem tudo para ser lido como uma resposta das Forças Armadas a qualquer tentativa de desrespeito ao resultado das urnas em outubro.
Conta outra/ Em 2020, vários partidos fizeram convenções virtuais sem problemas. Por isso, o MDB acredita que está tudo certo para a manutenção da convenção que homologará Simone Tebet, amanhã.
A volta de Adélio/ A possibilidade de soltura de Adélio Bispo às vésperas de o atentado contra Jair Bolsonaro completar quatro anos é considerada pelos aliados do candidato do PL ao Planalto como uma provocação. Se Adélio for solto, será mais um ato que dará discurso para dizer que a vítima de violência nas eleições é o presidente.
A manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, sobre as suspeitas que o presidente Jair Bolsonaro levantou em relação às urnas eletrônicas, no encontro com os embaixadores — todas elas já respondidas há tempos pela Justiça Eleitoral —, deixou os bolsonaristas mais seguros. A aposta é de que, se depender do procurador, o presidente não será punido pela reunião, mesmo em relação aos pedidos de processo já feitos pela oposição ao Supremo Tribunal Federal.
Em tempo: aliados do presidente consideram que Bolsonaro tem todo o direito de se manifestar e expressar a sua opinião, ainda que seja a embaixadores estrangeiros, e acreditam que Aras vai defender essa posição quando for levado a se manifestar a respeito.
Aos 45 do segundo tempo
Os integrantes do PL vão deixar para decidir apenas em agosto se o partido fará do senador Carlos Viana candidato ao governo de Minas Gerais. Se conseguir levar o governador-candidato, Romeu Zema (Novo), a abrir seu palanque para Bolsonaro, o PL não apresentará Viana para a disputa.
MDB onde sempre esteve
Mantida para a próxima semana a convenção que fará de Simone Tebet candidata ao Planalto, os lulistas do MDB mudaram o discurso. A ordem agora é cobrar de Baleia Rossi os recursos para as campanhas estaduais. Essa exigência só vai aumentar se Simone não apresentar fôlego maior nas pesquisas.
A culpa é deles
A aposta dos emedebistas é de que, se Lula não vencer no primeiro turno, colocará a culpa no partido de Michel Temer e no PDT de Ciro Gomes, já oficializado candidato. Embora estejam preparados para uma eleição em dois turnos, os petistas têm pregado em todas as reuniões que resolver a eleição no primeiro turno daria mais força para evitar que o resultado seja questionado pelo presidente Jair Bolsonaro.
Sudeste é crucial
Os petistas largam para a campanha preocupados com a redução da diferença entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro na região que concentra o maior número de eleitores. É que, se essa linha de redução não for estancada, vai ser difícil garantir a eleição em apenas uma rodada. Para completar, ainda tem o potencial de crescimento de Simone Tebet.
A missão de Tereza/ Com a abertura do diálogo entre o agronegócio e Lula, caberá à ex-ministra Tereza Cristina cercar o campo para Bolsonaro. Nesta temporada de convenções, ela está dedicada, dia e noite, à campanha em Mato Grosso do Sul, onde concorrerá ao Senado, mas fará uma pausa para acompanhar a convenção do PL no Rio de Janeiro.
Tucanos em momentos decisivos/ O Distrito Federal é o local onde a federação PSDB/Cidadania está mais embaralhada, com dois pré-candidatos ao governo, a deputada Paula Belmonte e o senador Izalci Lucas. No Rio de Janeiro, está tudo decidido: César Maia será candidato a vice na chapa de Marcelo Freixo (PSB).
Vias alternativas I/ Depois de ficar fora da chapa do governador Ibaneis e Flávia Arruda, que já estão com Jair Bolsonaro, o ex-governador Paulo Octávio (PSD) já recebeu sinal verde de seu partido para apoiar quem quiser. As maiores apostas são Ciro Gomes, do PDT da senadora Leila Barros, e Luciano Bivar, do União Brasil de Reguffe.
Vias alternativas II/ Há quem diga que nem o apoio a Lula está descartado. Ele e o ex-presidente sempre tiveram uma boa relação política. No caso de Ciro, foram colegas de Parlamento.
Que ninguém estranhe se Ciro Gomes e Simone Tebet fizerem acordo no 1º turno
Nesta temporada de convenções para oficialização de candidaturas, o eleitor verá que nenhum partido está complemente fechado, seja com o seu candidato a governador ou ao Planalto. No Distrito Federal, por exemplo, o mesmo governador Ibaneis Rocha (MDB), que assinou o manifesto em apoio à candidatura presidencial da correligionária Simone Tebet, já estava posando para fotos, na mesma semana, ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL).
No Rio de Janeiro, André Ceciliano, pré-candidato ao Senado pelo PT, tem reunião com o governador Cláudio Castro (PL), lançado oficialmente candidato à reeleição, e com o pré-candidato a vice, Washington Reis, na quadra da escola de samba Estácio de Sá, daqui a oito dias. O encontro foi marcado por Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
Siga o dinheiro
A operação que investiga fraudes em licitação da Codevasf assustou parte do Centrão. Nas áreas técnicas do Parlamento, há quem diga que se a polícia seguir passo a passo as emendas enviadas à autarquia, vai ter muita gente obrigada a se explicar em plena campanha eleitoral.
Fique mais perto
Os políticos aliados de Bolsonaro estão tentando ocupar mais espaço na agenda presidencial a fim de evitar que a turma mais radical, os bolsonaristas-raiz, faça prosperar ideias como a reunião com os embaixadores.
“Dog whistle politics”
Entre aliados mais radicais do presidente, porém, há a certeza que o encontro com os embaixadores “ajudou” Bolsonaro a conclamar sua turma a questionar as urnas. O conceito, muito usado por Donald Trump no passado, é chamado de “dog whistle” (apito usado em treinamento de cachorro, numa frequência que o ouvido humano não capta). No caso, o cidadão comum talvez não tenha atentado que o presidente comentou que as eleições de 2020 não deveriam ter ocorrido. Mas a turma radical registrou o recado.
Ciro e Simone no mesmo barco
Que ninguém se surpreenda se Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) tiverem alguma conversa ainda no primeiro turno. O pedetista é, agora, oficialmente candidato, mas tem uma ala do partido disposta a balançar a candidatura e apoiar o petista Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora tem o mesmo problema na sua legenda, com a diferença que os emedebistas são mais explícitos.
Assunto encerrado
O PSD de São Paulo faz convenção, amanhã, para homologar o apoio à candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo do estado. Simultaneamente, a direção nacional oficializará a neutralidade na eleição presidencial. Os dois atos serão assinados na sede regional do partido, na capital paulista.
Escondidinho de governador/ Com a aprovação em baixa, os socialistas querem simplesmente ver se conseguem manter o governador Paulo Câmara distante da campanha de Danilo Cabral ao governo de Pernambuco.
Ops!/ Ao mencionar que apenas dois candidatos fizeram o quociente eleitoral no Distrito Federal, o consultor da Action, João Henrique Hummel, se referia ao universo daqueles que serão candidatos a deputado federal este ano. No DF, Reguffe não só atingiu o coeficiente em 2010, como também foi o deputado federal mais votado proporcionalmente no Brasil. Obteve 18,95% dos votos válidos. Outro que também fez o coeficiente ao se eleger deputado no passado foi Tadeu Filippelli.
Aliviado/ O ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB), que desistiu de concorrer à eleição para o governo do estado e apoia Fernando Haddad (PT), está em paz com a decisão que tomou. Hoje, o socialista lidera todas as mais recentes pesquisas para o Senado.
Preocupações semelhantes/ Dirigentes do PT e do PL estão tensos com os eventos de lançamento das candidaturas. Tanto hoje, em São Paulo, na convenção que oficializará a candidatura de Lula, quanto no domingo, quando acontecerá o evento do PL para lançar Bolsonaro à reeleição, há a mesma preocupação. Os dois partidos temem ser acusados de propagar a violência.
Largada/ Que tenhamos um processo eleitoral pacífico.
O discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) aos embaixadores, na segunda-feira, colocando dúvidas sobre o sistema eleitoral e dizendo que as eleições de 2020 deveriam ter sido adiadas, assustou a parte do mercado financeiro que ainda apostava na reeleição. Grupo de empresários e investidores, mais afeitos à estabilidade política que gera e promove negócios, passaram a olhar com atenção para a pré-candidata do MDB Simone Tebet. Apesar da chacoalhada que vem recebendo da ala lulista do partido, ela não vai desistir e tem convenção marcada para a semana que vem.
A aposta de parte dos investidores, que não deseja o retorno de Lula e do PT ao poder, é de que Simone tem tudo para lastrear um projeto que baixe a poeira da polarização. Esse movimento de parte dos financistas reforçará o apoio que a senadora já recebeu da maioria do partido, embora o grupo lulista faça mais barulho.
A mão de Flávio
Quem fez a ponte entre o governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), pré-candidato à reeleição, e o ex-governador José Roberto Arruda (PL), com Flávia Arruda ao Senado, foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com todo apoio do pai.
Recado está dado
O ex-presidente Michel Temer bem que tentou levar o pedido de adiamento da convenção feito pelo MDB lulista, mas o presidente do partido, Baleia Rossi, foi incisivo: não vai mudar a data da reunião que escolherá Simone Tebet candidata.
Sem Simone, implode
Os diretórios do MDB fechados com Lula não têm maioria, hoje, para levar o partido a seguir com o PT no primeiro turno. A candidatura de Simone é que tem segurado a ala do MDB que não fechará com Lula de jeito nenhum.
No aquecimento
Uma das apostas do MDB mais ligado a Temer é que, se essas duas alas ficarem brigando, quem sabe sobre um espaço para o ex-presidente entrar na disputa. Apesar da rejeição, há quem diga que ele tem o discurso da recuperação econômica pós-Dilma e PT, e o da estabilidade política.
Continhas I/ Com o ex-governador Arruda, Bia Kicis e Alberto Fraga puxando os votos para deputado federal dentro do PL, a expectativa é que o partido conquiste, pelo menos, três das oito vagas do Distrito Federal, conforme projeções feitas pela consultoria Action Relações Governamentais, para a Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE).
Continhas II/ Consultor da Action, João Henrique Hummel lembra que Arruda e Fraga foram os únicos que já atingiram o coeficiente eleitoral do DF. Há 20 anos, o ex-governador atingiu a marca de 301.165 votos para a Câmara dos Deputados.
Fechada com Damares/ A primeira-dama Michelle Bolsonaro continuará defendendo Damares Alves para o Senado. Ela e o deputado Júlio César, que teme ficar em segundo lugar no ranking do partido para a Câmara, se Damares for candidata a deputada federal.
Quem diria…/ Nos grupos de WhatsApp do MDB circulava ontem uma notícia de outubro de 2020, que apontava o senador Eduardo Braga (AM) como portador de um convite para se filiar ao MDB. E hoje, como líder da bancada do Senado, Braga é visto como uma espécie de porta-voz do grupo lulista, dividindo a função com Renan Calheiros (AL).











