CIÚME

CIÚME – DOENÇA DA ALMA

Publicado em Psicologia, Sem categoria

‘‘Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade faz nascer em alguém…’’. Essa definição, tirada do Novo Dicionário Aurélio, serve apenas como ponto de partida para falarmos de algo que conhecemos muito bem. Assim como o amor, o ciúme é tema de músicas, poesias, peças teatrais, novelas. E, se você nunca o sentiu, pode aguardar, pois é uma experiência da qual ninguém escapa. Afinal, somos humanos.

De um jeito ou de outro, todos já tivemos contato com o ciúme e temos pelo menos uma ideia a respeito de para onde ele pode nos conduzir. Há vezes em que ele é totalmente justificado. Outras, completamente infundado. Mas, independentemente da razão, faz sofrer. Sentir ciúme é uma experiência única que pode nos proporcionar da tristeza leve à depressão profunda, do sentimento de impotência ao ódio que nos faz pensar que somos poderosos e nos leva a cometer loucuras.

Há situações ‘‘reais’’, de ameaça ‘‘verdadeira’’, que podem gerar ciúme e requerem cuidadosa análise para que possamos tomar uma decisão. E há situações em que as suspeitas são ‘‘imaginárias’’, o que não as faz menos sofridas. Os envolvimentos afetivos têm grande importância nas nossas vidas. Qualquer ruptura provocará dor e deixará cicatrizes, o que sempre lutaremos para evitar. E, nessa luta, o ciumento torna-se infeliz e, muitas vezes, agressivo, podendo desenvolver comportamentos neuróticos, cercado por ideias e suspeitas tormentosas, vendo inimigos em toda parte.

O ciúme é uma doença da alma. E as enfermidades da alma procedem de experiências desagradáveis que nos levam a uma postura de reserva, de cautela, e até mesmo negativa. Se vivenciamos uma ou mais situações de perda da pessoa amada, com ou sem traição, e esses conflitos não são solucionados, a imaturidade não nos permite uma afetividade estável, saudável, completa. Traumas dessa natureza passam a nos acompanhar como fantasmas que arrastam correntes. Se não os encararmos, eles não nos deixarão em paz.

Mas pode ocorrer de a enfermidade ser resultante de nossas próprias condutas, anteriores ou atuais. A maioria dos infiéis, por exemplo, morre de medo de ser traída. Assim, o indivíduo projeta no outro culpas que são suas, suspeitas infundadas em relação às pessoas com quem convive, sempre temendo, inconscientemente, provar do próprio veneno ou ser desmascarado.

A dor que o ciúme gera pode ser curtida solitariamente, em silêncio, no máximo nos levando a uma educada discussão. Mas também pode ser bradada aos quatro ventos, muitas vezes resultando escândalos e até vingança, inclusive violenta. Ela é capaz de, rapidamente, colocar-nos em contato com nosso lado obscuro, onde estão escondidos e de onde são evocados os demônios de nossa incapacidade de suportar uma possível perda, tornando-nos criaturas cercadas por ideias e suspeitas apavorantes.

E não poderíamos falar em ciúme sem mencionar o famoso triângulo amoroso. Essa estrutura tem uma importância tão grande na experiência sentimental do ser humano que, mesmo que não haja um terceiro elemento que se intrometa na relação a dois, muita vezes o fantasiamos, levados pelo medo que frequentemente acompanha o amor. É terrível imaginarmos que o ser por nós amado está envolvido ou pode vir a se envolver com outra pessoa. Que dor tormentosa pensarmos que outro está tendo tudo aquilo que, um dia, pensamos que seria só nosso para sempre. Podemos sofrer a ponto de sentirmos dor física, muitas vezes descrita como uma punhalada no coração.

De qualquer forma, se não conseguimos superar um acontecimento ruim a isso relacionado, devemos procurar ajuda. Os acontecimentos reais ou imaginários não devem controlar nossas vidas. Às vezes, resolve conversarmos com alguém mais experientes em quem confiamos. Às vezes, é necessário ajuda profissional, até mesmo intervenção médica, já que, não raro, o ciúme é resultante da disfunção de substâncias químicas fundamentais para o bom funcionamento do nosso cérebro. Se há um desequilíbrio, as capacidades de enxergar as coisas da vida, fazer julgamentos e tomar decisões ficam prejudicadas. Nesses casos, o tratamento com medicamentos e a psicoterapia são indispensáveis. E os resultados podem ser surpreendentes.

Não obstante nossas decepções e mazelas, reais ou imaginárias, a vida continua. Muita gente, por permanecer em conflito, não se permite afeição alguma, nem se doando nem a aceitando. Muita gente nem se acredita merecedora de afeição, mas todos a merecemos, sendo fundamental passar pela experiência e desenvolvê-la. O ser que não confia e que se recusa a amar, por medo, ficará isento de muitas “preocupações”, mas estará privando-se de outras tantas coisas, que são maravilhosas.

Em Debate – Maraci Sant’Ana

Especial para o Correio – Publicado em 10/8/2003.

15 thoughts on “CIÚME – DOENÇA DA ALMA

  1. Não sou ciumenta sem motivos… Talvez por isso tenha levado tantos chifres em minha vida ???. Porém, as poucas vezes em que me vi ter crise de ciúmes, vi uma pessoa muito ruim sair de dentro de mim, e confesso: tive medo! A pessoa de quem tive ciúme deve ter tido muuuiito mais…???. Agora, falando sério. Ciúme nunca é bom, (em minha concepção). Para mim, denota falta de confiança, insegurança e pouco amor próprio de quem o sente. Porém, essa “falta de ciúme” pode dar uma liberdade muito grande para o parceiro e, se ele não for uma pessoa “de caráter” ele pode simplesmente se aproveitar dessa liberdade de forma a magoar quem lhe dá tanta “liberdade”. Infelizmente, não existe uma “fórmula mágica” para se lidar com um sentimento tão visceral.

  2. Me lembro bem deste texto.
    Como sofri por esse sentimento doentio!!! Apesar de ser por razão concreta. Não era imaginária.
    Ô fase ruim da minha vida!!!

  3. Agradeço muito à Maraci pela ajuda. Algumas perguntas e frases que falou durante nossas conversas ficaram registradas pra sempre, e me pego usando em várias situações.
    Quem passa por problemas emocionais precisa meeeeesmo de um apoio profissional. É um suporte inestimável!!!!

  4. postado no FB por Zélia Miriam Lemos: Ciúmes em exagero matam qualquer amor, amizade. É realmente uma doença e deve ser tratada pois pode destruir sentimentos, pessoas, relacionamentos…

  5. Estou passando por momento terrível fui traída não consigo sair dessa relação brigamos muito tenho muito ciúmes não confio mais nele….?

    1. Procure ajuda de um psicólogo ou conselheiro filosófico, por exemplo, para superar o que aconteceu e decidir se deve ou não continuar nessa relação. Mas não tome nenhuma decisão antes de buscar ajuda, para não se precipitar e se arrepender. Dificilmente quem está passando por isso raciocina com clareza.

  6. Bati na minha namorada e agora?
    Eu tenho 17 anos, namoro com uma menina de 15, faz 2 anos que estou junto com ela, tipo eu sempre fui tranquilo e nunca discutimos nem nada, nossa relação era muito boa só que ontem numa praça por um motivo besta (ciúmes) nós acabamos brigando feio, ela tava olhando pra outro cara eu fiquei com muita raiva na hora aí eu peguei forte no braço dela e disse q eu era o namorado ela começo a chorar dizendo que eu tava machucando ela, nós começamos a discutir feio , eu perdi a cabeça e dei tapa e um soco nela, ainda bem que uma pessoa viu e chamou um policial pra me acalmar isso foi até bom porque eu estava com muito ódio naquele momento e poderia ser pior, mas hoje eu liguei pra ela, pedi desculpas e ela me perdoou, me arrependo do que eu fiz mas eu queria controlar meus ciúmes, como posso fazer? E de repente no outro dia de manhã eu me encontrei com ela no colégio, eu estava muito feliz e sorridente em encontrá-la, mas ela estava estranha e de óculos, eu cheguei nela e dei “oi”, mas ela estava com a cara amarrada, não falou comigo e acelerou o passo. Eu não entendi o porque, mas eu insisti, alcancei ela e tentei falar com ela, pedi pra ela tirar os óculos, mas ela não estava nem aí, muito menos me ouviu! Será que ela ainda estava bolada comigo por causa de ontem? Ela tinha me perdoado e nós tínhamos ficado de boa depois daquilo, foi no calor do momento, mas não teve jeito. Na hora do recreio, mais uma vez eu tentei falar com ela, ela estava sentada no banco, eu perguntei por que ela não está falando comigo, aí ela se afastou de mim rapidamente, não respondeu nada, foi na frente de todo mundo, todo mundo estava olhando percebendo que alguma coisa estava acontecendo, aí eu peguei ela pelo braço pra parar ela, pra ela falar comigo, foi aí que eu me assustei com o que ela tinha me dito. Aliás ela me avisou de forma rude e bem clara que se eu chegar perto dela, persegui-la e inclusive encostar um dedo nela, ela iria chamar a polícia. Eu não entendi por que ela está desse jeito? Eu não fiz nada, eu só queria conversar com ela, fazer com que o nosso namoro continue firme e numa boa. Agora todo mundo aqui do colégio e também da rua vão pensar que eu sou um bandido, um covarde e até um estranho pra minha namorada.

    1. Procure ajuda urgentemente! Esse tipo de problema não desaparece só com um pedido de desculpas e só se agrava. Faça isso antes de provocar uma tragédia na sua vida e na vida de outras pessoas!

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