O Voto que Atravessa Gerações e as Mulheres 70+

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Política tem a ver com futuro, respeito e cuidado. O voto também.

Cosette Castro & Natália Duarte

Brasília – Um dia após o debate de domingo que deveria ser respeitoso e restrito ao plano das ideias, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu 24h para a plataforma Meta comprovar que está dando espaço igual para as duas campanhas eleitorais.

Tem crescido o número de denúncias de que a Meta, cuja sede é nos Estados Unidos e é dona do Whatsapp, do Facebook e do Instagram, tem censurado pessoas e postagens que apoiam o Presidente Lula.

Na edição de hoje, a convidada é Natália Duarte, professora da UnB que faz parte da coordenação do Coletivo Filhas da Mãe. Ela escreve sobre o voto como cuidado e sobre a importância de ir votar no dia 25/10, em especial as mulheres 70+.

Natália Duarte – “Há histórias que ficam guardadas no corpo como se fossem luz. A última vez que meu pai votou é uma delas. Aprendi a gostar de política com ele – não da política como disputa, mas da política como responsabilidade, como cuidado com o mundo que deixamos para quem vem depois.

Hoje, meu pai, Ítalo, tem 92 anos e vive o estágio terminal de Alzheimer. Mas em 2022, aos 88 anos, com a doença em fase moderada, ele fez questão absoluta de votar.

Ensaiamos juntos em um aplicativo no celular que imitava as teclas e barulho da urna. Ele repetia os movimentos com concentração e alegria, como quem recupera um pedaço de si. No dia da eleição, levei-o até a seção eleitoral.

Seu sorriso ao confirmar o voto era de realização profunda — como se, naquele gesto, ele reafirmasse sua história, sua cidadania, sua presença no país que ajudou a construir. Aquele voto não foi apenas dele. Foi de todos nós que aprendemos com ele que política é escolha de futuro.

É por isso que a campanha 70+ do Coletivo Filhas da Mãe é tão importante.

Votar não é sobre quem é “mais isso ou mais aquilo”. Votar é sobre você, sua família, sua comunidade, seu país. É sobre os caminhos que queremos abrir para nossos descendentes, que viverão aqui, neste território que precisa ser cuidado para continuar existindo.

As propostas estão na mesa. E é na política que se define o Brasil que teremos: um país do cuidado ou da exploração; da riqueza solidária ou da concentração de renda e pobreza indecentes; da soberania ou da submissão a outro país.

Política tem a ver com futuro, respeito e cuidado. Tem a ver com conter, resolver e transformar a violência — nunca com estimular a violência. Quando o debate perde o respeito, quem perde é o país.

Ontem, ao assistir ao debate, ficou ainda mais claro o quanto precisamos resgatar esse sentido profundo da política.

Foi um debate agressivo, desrespeitoso, difícil de assistir. A violência verbal não é caminho. A democracia não se sustenta na humilhação, mas na escuta.

Um país soberano é, antes de tudo, um país que cuida. Que protege sua população idosa, suas crianças, povos e comunidades tradicionais e as famílias. Que reconhece que o cuidado é força, é política pública, é projeto de nação.

A campanha 70+ é um chamado para que mulheres que cuidaram a vida inteira também cuidem do futuro. Aos 70, seguimos cuidando – e não podemos desistir de escolher o caminho do cuidado para o Brasil.

O voto do meu pai, mesmo em meio à fragilidade, me ensinou que votar é um ato de amor. Um gesto que atravessa gerações. Um compromisso com quem fomos, com quem somos e com quem ainda virá.”

PS: Domingo que vem, quando você for votar, lembre-se: leve alguém 70+ para votar com você. O futuro com dignidade também depende de você. E cuidar é escolher.

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