Cosette Castro
Brasília – Sem esquecer que esta semana o Supremo Tribunal Federal ( STF) ampliou o alcance da Lei Maria da Penha, o Blog de hoje presta homenagem a duas grandes artistas.
Laura Cardoso, com 98 anos e Glória Menezes, com 91, partiram esta semana, depois de mais de 70 anos entrando nos lares pela TV. Elas contavam histórias para nos fazer rir, encantar e chorar com os seus personagens.
Elas fazem parte do imaginário social de gerações como a minha, na faixa dos 60, que nascemos com a TV em preto e branco, com direito a ficar poucas horas na frente da TV quando crianças. E, só no começo dos anos 70, pudemos assistir TV em cores.
A televisão chegou no Brasil em 1952 e Laura Cardoso foi uma das primeiras contratadas da TV Tupi. Mas ela já era conhecida pelas novelas de rádio desde os anos 40.
Em 1957 participou de sua primeira telenovela: “Os Miseráveis”, baseado na obra do escritor francês, Victor Hugo. Ela interpretou Cosette. Dez anos depois, em 1967, ela voltou a interpretar o papel de Cosette em nova versão da novela para a recém inaugurada TV Bandeirantes.
Só fui conhecer seu trabalho alguns anos depois. Eles ficaram guardados na memória popular pela diversidade de papéis durante sua carreira. Ela foi trambiqueira, fofoqueira, vilã ardilosa, beata, mãe e avó, assim como interpretou papéis cômicos.
Glória Menezes, com sua eterna elegância, me encantou desde criança. Eu adorava as histórias de época. Lembro de ter assistido alguns capítulos de “Sangue e Areia” (1967) como tele-vizinha, junto com minha mãe. Chegávamos cinco minutos antes na casa da tia Iolanda e eu tinha direito a lanche. Mas depois, nem sempre conseguia ficar acordada.
Daquela época, lembro de a “Rosa dos Ventos” (1969) e “Irmãos Coragem (1970). “Rosa dos Ventos” foi a primeira novela que recordo ter assistido em casa, ao menos alguns capítulos, depois que meu pai comprou a primeira televisão. Glória Menezes era minha heroína preferida.
Lá fora, nas ruas, havia um Brasil sob ditadura militar e civil. Naquela época, eu só sabia de bonecas, escola, livros e brincadeiras infantis. E, sempre que era permitido, alguns capítulos da novela.
Ampliação da Lei Maria da Penha
Esta semana o STF formou maioria para ampliar o alcance da Lei Maria da Penha, que acaba de completar 20 anos. A decisão permite a aplicação da medida protetiva mesmo que o agressor não tenha relação doméstica, familiar ou íntima com a vítima.
Com isso, a medida protetiva poderá ser usada em casos de assédio, perseguição e sequestro, baseados no gênero. Como por exemplo, o caso que gerou a ampliação do alcance. Em Minas Gerais uma mulher entrou com ação, baseada na Lei da Penha, contra o vizinho que a perseguia e a tinha ameaçado durante quase um ano. O juiz negou medida protetiva porque não havia relacionamento afetivo. A partir de agora isso muda
Outra notícia importante é que os ministros decidiram que todo pedido de medida protetiva de urgência deverá ser analisado imediatamente pelo juiz que o receber, mesmo que ele não seja responsável por um juizado especializado em violência doméstica.
Já o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o vereador Ailson Batista de Figueiredo (MDB), conhecido como Codó, por violência política de gênero. A decisão unânime, foi tomada esta semana e muda um parecer anterior do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) que havia considerado o réu inocente.
A condenação torna o parlamentar inelegível. Ele ofendeu a vereadora Tatyana Figueiredo Navarro (Republicanos), da Câmara Municipal de Medina (MG), chamando-a de “vagabunda” e “safada”.
De acordo com o Ministro Toffoli esse episódio está relacionado a um contexto mais amplo de violência contra mulheres no país, citando casos de feminicídio. Ele defendeu a necessidade de mais mulheres ocupando cargos de liderança nos tribunais eleitorais.
A ação chegou ao TSE após recurso do Ministério Público Eleitoral contra a absolvição do vereador pelo TRE-MG. Segundo Toffoli, o acórdão do tribunal mineiro considerou os fatos incontroversos, validando uma gravação do discurso em ambiente público.
PS: Neste domingo, dia 23/08, o grupo Caminhantes do Coletivo Filhas da Mãe vai pegar carona na Caminhada na Trilha Jatobá que o parceiro Instituto Horizonte vai realizar na Floresta Nacional. (FLONA). Encontro às 8h30, na entrada da Flona. Haverá leitura de trechos de livros e lanche compartilhado. Confirmações pelo Instagram @cosettecastro

