Cosette Castro
Brasília – Este fim de semana começaram as campanhas eleitorais em todo o país.
Os números próvisórios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam um crescimento das candidaturas negras. Em 2026, elas representam 49,8% do total entre os grupos étnicos do país. As candidaturas proporcionais de mulheres representam 35% do total de candidaturas, mas em termos absolutos elas diminuiram. Já as pessoas idosas representam 25,6% das candidaturas. Saiba mais no mapa do TSE.
Sobre a participação de mulheres em espaços de visibilidade e poder, vale lembrar que até junho de 2026, há dois meses, existiam 10 Fóruns no Ministério das Mulheres (MM). Nenhum deles voltado para as mulheres 60+. Como se as mulheres, ao completarem 60 anos, deixassem de ser mulheres.
Logo nós 60+ que representamos mais da metade das 36 milhões de pessoas idosas no Brasil. Essa é apenas uma faceta do apagamento social das mulheres em processo de envelhecimento. Um processo perverso, doloroso e, em geral, “naturalizado”.
As mulheres idosas sofrem cotidianamente diferentes tipos de violências, preconceitos e constantes tentativas de torna-las invisíveis. Deixar de ser considerada “mulher” é mais uma delas. Ainda bem que a Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o presidente Lula e a primeira dama Janja Lula da Silva ouviram as vozes das mulheres 60+.
Como resultado dessa escuta que ganhou visibilidade nacional em 2025 com o Fórum Nacional dos Direitos das Mulheres Envelhecentes (50+) e das Mulheres Idosas, em julho de 2026 o Ministério das Mulheres (MM) lançou o Fórum Nacional pelo Protagonismo das Mulheres Idosas. Mais de 800 mulheres idosas de todo o país participaram online .
Um mês depois, no dia 07 de agosto, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU 148) o Edital 07/2026/ MM, chamando os movimentos sociais que atuam na área dos direitos das mulheres idosas a comporem o Fórum Nacional pelo Protagonismo das Mulheres Idosas. O grupo contará com sete vagas dos movimentos sociais, sendo cinco de âmbito regional e duas vagas para movimentos sociais de amplitude nacional. Saiba mais Aqui.
O Fórum Nacional foi pensado em parceria com o Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) e pretende promover a equidade etária e de gênero no Brasil se tornando mais um espaço a fazer frente a desigualdade gritante entre homens e mulheres. Trata-se de uma instância de participação consultiva de dois anos que vai articular o poder público e a sociedade civil.
A partir da participação no Fórum Nacional pelo Protagonismo das Mulheres Idosas, elas terão a oportunidade de construir reflexões e propor políticas públicas para que as mulheres 60+ possam ter uma vida com dignidade, em segurança, sem preconceitos e com mais participação em todos os espaços sociais. Inclusive protagonismo na política.
Esta será uma contribuição importante para a Política Nacional de Cuidados, para a Secretaria Nacional das Pessoas Idosas do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), para o Ministério das Mulheres e para os demais ministérios. Afinal, o envelhecimento populacional é uma realidade no país
No que diz respeito ao trabalho gratuito de cuidado de pessoas e do cuidado doméstico, vale lembrar que as mulheres idosas seguem realizando o trabalho de cuidado ao longo da vida até pelo menos os 80 anos. Muitas cuidam diferentes gerações, inclusive outras pessoas idosas, Como se fosse algo “natural”. Não é.
Há muitos desafios pela frente. Participar do edital garantindo a diversidade das mulheres e as múltiplas velhices é um dos caminhos para propor políticas públicas intersetoriais e interministeriais voltadas para as mulheres idosas. Em especial aquelas com mais fragilidades, como as negras, indígenas, com deficiência, LGBT+…
Fique atenta! o prazo para participar do Edital é 07/09.
PS: Veja as fotos e vídeos da Caminhada no Parque Ecológico do Mangueiral realizada no domingo, 16/08, com direito a banho de cachoeira, em Brasília, dentro da Região Administrativa do Jardim Botânico. Aqui
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