Cosette Castro
Brasília – No Brasil, a percentual entre mulheres e homens candidatos nas eleições ainda está distante da igualdade de gênero. Apenas 20% das mulheres foram eleitas. Bem diferente do percentual de 50% definido pela ONU para garantir a democracia política paritária nos países.
A consequência da desigualdade política de gênero no país é o apagamento e a exclusão das mulheres em locais de decisão sobre o futuro delas e da nação. Mesmo que os partidos tenham obrigação legal de disponibilizar uma cota mínima de 30% para candidatas mulheres.
Isso não ocorre por acaso. Os homens são maioria nos partidos políticos, nos cargos de chefia e decisão e na definição de recursos . São maioria também no Legislativo, Executivo e Judiciário, onde definem sobre a vida e o futuro das mulheres.
Em um país onde elas são a maioria do eleitorado brasileiro é contraditório que o número de candidatas eleitas não chegue a 20%.
Elas representam 53% dos 156,1 milhões de eleitores. Ou seja, há 82.5 milhões de mulheres aptas a votar nas próximas eleições. E a serem eleitas. Mas não são estimuladas a participar ativamente. Elas seguem na retaguarda, trabalhando e, muitas vezes, servindo de degrau para uma maioria de homens no poder.
Apesar da Lei garantir a cota mínima de 30% de mulheres candidatas nos partidos, nem toda legenda obedece. Pior ainda. Alguns partidos e coalizões tentam fraudar as eleições apresentando candidatas fictícias (laranjas).
Essa também é uma violência política de gênero. Mais do de apagar e excluir as mulheres, usa mulheres candidatas (muitas vezes idosas) como marionetes, para garantir fundos e apoios a candidatos homens.
Mas as mulheres não estão paradas. Mesmo com baixo orçamento para enfrentar caciques políticos e experientes há anos instalados no poder, elas estão se candidatando.
Um dos desafios da eleição que ocorrerá em 2026 é o enfrentamento da violência política de gênero. Isto é, da violência contra mulheres na disputa de cargos públicos ou no exercício de um mandato.
A violência política continua nas campanhas, onde a prioridade e holofotes são dados aos homens. E segue com as candidatas mulheres sofrendo ataques morais, calúnia, difamação, fake news. Em casos mais graves, há ameaças a ela e à família.
Especialistas e órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm combatido ataques misóginos e discursos de ódio para garantir um ambiente seguro para as candidatas.
Uma das resoluções aprovadas pelo TSE, por exemplo, regulamenta a propaganda eleitoral para as Eleições 2026. E estabelece que é proibido divulgar conteúdo de violência política contra a mulher candidata. É urgente que a misoginia e a violência política de gênero sejam rigorosamente combatidas no mundo virtual e presencial.
Após as últimas eleições, a desigualdade de gênero na política segue no Congresso Nacional. A maioria dos eleitos são homens brancos e conservadores que não conhecem as mulheres e suas necessidades. Tampouco se interessam por pautas que defendam e apóiem as mulheres.
Esses políticos são os que mais atacam as colegas eleitas. Gritam, desrespeitam, assediam, ameaçam e até agridem fisicamente as mulheres, como já foi observado em Câmaras de Vereadores, nas Assembléias Legislativas e também no Congresso Nacional. Eles também desligam o microfone em reuniões e votações, impedindo que as mulheres se manifestem.
Por outro lado, há mulheres que se orgulham em dizer que votam em mulheres, mas esquecem de acompanhar o histórico e a posição da candidata ou política eleita durante o mandato.
Infelizmente ainda há mulheres eleitas que não defendem os direitos das próprias mulheres. Elas defendem a manutenção do poder e a lógica masculina. Preferem que elas continuem submissas, ganhando menos e exaustas. Não se posicionam frente à violência sexual e os feminicídios no Brasil. E quando falam de política de cuidados sequer defendem a corresponsabilidade masculina no cuidado familiar.
No Coletivo Filhas da Mãe acreditamos que lugar de mulher é onde ela quiser. Principalmente na política, escolhendo candidatas que defendam a vida com dignidade e o bem viver das mulheres de todas as idades.
PS: Domingo, dia 15, vamos realizar caminhada fotográfica na Serrinha junto com Verônica Gurgel, parceira do GCB. Encontro às 8h30 na Torre de TV Digital. Mais tarde (11h30) apoiaremos a manifestação em defesa da Serrinha na quadra 208 do Eixão Norte.

