Cosette Castro
Brasília – Existem várias maneiras de falar sobre o direito de ocupar a cidade, sobre inclusão, sobre cuidado coletivo e envelhecimento ativo e participativo. O carnaval é uma delas.
Durante os dias de folia é possível deixar de lado a seriedade e os desafios do cuidado familiar, ainda que por poucas horas.
A maior festa popular do país possibilita, além da diversão, olhar para a vida pulsante, para diferentes corpos e fantasias. E, se possível, brincar na rua em blocos de carnaval, trios elétricos e escolas de samba.
São dias e noites de festa e encontros para todos os gostos e idades. São momentos em que as pessoas se dão ao direito de rir de tudo, inclusive de si mesmas. É pura brincadeira.
De norte a sul do Brasil é possível sair nos variados blocos de rua que se espalham pelo país, alguns reunindo mais de 1 milhão de seguidores.O maior bloco do Brasil é o Galo da Madrugada, de Pernambuco que, em 2026, contará com 30 trios elétricos levando milhões de pessoas às ruas.
Entre os blocos de carnaval mais famosos estão o Cordão da Bola Preta (RJ), o Olodum (BA) e o Bloco da Preta (SP). No Distrito Federal um dos blocos de rua mais tradicionais é o Pacotão, que sairá na terça-feira, 17/02.
Os blocos de rua começam suas atividades em diferentes horários.
No Rio de Janeiro, por exemplo, alguns começam a concentração às 7h da manhã. Já em Brasília começam, em geral, às 10h, mas há blocos em todos os turnos e podem se estender até tarde.
É possível brincar também nos trios elétricos. Eles começaram na Bahia nos anos 50 com Dodô e Osmar e se espalharam por todo o país, depois dos anos 80/90, inclusive no Distrito Federal. No domingo, 15, a Esplanada dos Ministérios pulou e dançou com o Bloco das Montadas, o principal Bloco LGBTQIAP+ da Capital Federal.
Outra opção é brincar o carnaval nas escolas de samba. Seja assistindo ou desfilando. De forma presencial ou online.
Cuidadoras famíliares que não tem com quem deixar seus entes queridos com demência, contam que assistem o carnaval das escolas de samba pela televisão. E trocam comentários pelo WhatsApp.
Em 2026, muitas delas assistiram no domingo a noite o desfile da primeira escola carioca do grupo especial. A partir das 22h30, a Acadêmicos de Niterói contou a trajetória de vida do presidente Lula.
Quem teve fôlego ficou acordada para assistir a Imperatriz Leopoldinense que mostrou na avenida a vida camaleônica de Ney Matogrosso. Depois veio a Portela recuperando uma história até então desconhecida ao Brasil. A história do príncipe africano Custódio, que levou para o Rio Grande do Sul o Batuque, a mais antiga das religiões afros praticadas no país, e se tornou uma liderança local.
Aliás, como o censo 2022 mostrou, o Rio Grande do Sul é o Estado com maior proporção de religiões afro-brasileiras do Brasil. 3,2% da população segue (e conta que segue) alguma religião de matriz africana. Esse percentual é três vezes maior que a média brasileira.
Já a Mangueira, última escola a desfilar, mostrou a vida do curandeiro e xamã amapaense Mestre Sacaca, um defensor da Amazônia negra.
O carnaval segue oficialmente em todo país até quarta-feira, dia 18. Mas no domingo, dia 22, tem Pós-Carnaval do Bloco Filhas da Mãe junto com o Bloco do RivoTrio e outros parceiros em Brasília com direito a cortejo. Aguarde!
PS: Esta edição é uma atualização de texto publicado em 2025 neste Blog.

