A Conferência Livre da Mulher Idosa Está Chegando

Publicado em 1a. Conferência Livre das Mulheres Idosas

Cosette Castro

Brasília – Falta um dia para a Conferência Livre da Mulher Idosa que vai aconteecer no formato online. 2025 ficará marcado na história do país como o ano em que foram realizadas as primeiras Conferências Livres com foco nas mulheres idosas.

A Conferência Livre, coordenada pelo Fórum das Mulheres Idosas e pelo Coletivo Filhas da Mãe, reúne outras 14 instituições apoiadoras de todo o Brasil. A ideia surgiu com a socióloga Maria do Carmo Guido, coordenadora do Fórum, e foi tomando corpo.

Trata-se de um marco em meio as milhares de Conferências Livres para propor políticas para mulheres que estão sendo realizadas no país. As propostas serão encaminhadas à 5a. Conferência Nacional de Políticas para Mulheres que acontecerá no mês de setembro em Brasília.

Com o envelhecimento populacional, há 35 milhões de pessoas idosas no Brasil segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2024). Desse total, 19 milhões são mulheres 60+. Há outras 30 milhões de mulheres em processo de envelhecimento, na faixa dos 50 -59 anos. E isso acontece em um país com graves desigualdades sociais que penaliza particularmente mulheres negras e pardas.

Apesar do aumento da longevidade, o envelhecimento feminino no Brasil vem sendo marcado pelo empobrecimento, pelo endividamento e pelo adoecimento físico e mental como apontam diferentes pesquisas. Ou seja, há uma maioria de mulheres com baixa qualidade de vida, pouco descanso e pouco tempo para realizar os seus projetos pessoais.

Além disso, no Brasil, as mulheres 60+ são apagadas socialmente. Isso ocorre dentro e fora da família e está impregnado na estrutura do Estado. A maioria das mulheres segue cuidando sem remuneração. Elas cuidam da casa e de familiares também aos 70 e 80 anos. E, muitas vezes, também cuidam de filhos e netos.

Essas mulheres invisíveis são cuidadoras múltiples  sem remuneração (Castro, 2024), uma economia e tanto para os governos (municipais, estaduais e federal) em um país sem creches públicas, sem Centros Dia públicos, sem associações de bairro e sem Instituições de Longa Permanência para Pessoas Idosas (ILIPIs) públicas. Nem mesmo com cidades acessíveis, preparadas para receber e acolher esse crescente contingente populacional.

Muitas das mulheres 60+, educadas para o auto-apagamento, deixam de olhar para si mesmas, para o tempo presente, para cuidar de pessoas doentes ou das novas gerações. Isso faz com que reduzam ou deixem de praticar hobbies, ir a encontro com amigas, desenvolver projetos pessoais, viajar, namorar ou descansar.

As mulheres idosas são as principais vítimas do preconceito do idadismo estrutural e institucional, além de serem vítimas das demais violências contra as mulheres no decorrer da vida. Inclusive violência sexual praticada dentro de casa e o feminicídio. Além dos feminicídios, há o assassinato simbólico das mulheres idosas em um país que ainda nega a diversidade das velhices, seus desejos e sonhos.

A 1a. Conferência Livre da Mulher Idosa é mais um passo para sair da Sociedade da Violência que envolve mulheres de todas as idades em direção a construção coletiva de uma Sociedade do Cuidado.

Conheça aqui o Caderno de Reflexões e Propostas que inclui propostas de políticas intersetoriais e transversais  para 08 ministérios. Serão encaminhadas 02 propostas à 5a. Conferência Nacional.

PS: Neste domingo, dia dos pais, não haverá Caminhada nos Parques na Capital Federal.

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