Cosette Castro
Brasília – Em pleno Carnaval, nossa maior festa popular, o Brasil parou para assistir o Oscar 2025.
Nos bares, ruas das cidades, casas e cinemas, pessoas de todas as idades assistiram o anúncio de melhor filme internacional.
Para quem estava em casa na Capital Federal, por volta da meia noite, foi possível escutar os gritos de alegria, as palmas e os foguetes. Famílias, amigas e amigos e até pessoas desconhecidas se reuniram e se abraçaram em plena madrugada de segunda-feira. E comemoraram a vitória do primeira obra brasileira a receber o Oscar de Melhor Filme Internacional.
O filme “Ainda Estou Aqui” vai além da festa. De Norte a Sul, a obra representa o resgate da memória nacional constantemente apagada pela ditadura civil-militar de 1964.
Uma memória que pode ser tirada debaixo do tapete com a criação da Comissão Nacional da Verdade (relatório aqui) durante o governo de Dilma Hussef (2011). Os trabalhos começaram em 2012 para apurar as violações dos direitos humanos no Brasil. Saiba mais aqui.
Este não é o primeiro filme a respeito da ditadura instalada nos anos 60 no Brasil. Nem sobre os requintes de crueldade da tortura física, psicológica, das perseguições, dos desaparecimentos, das mortes negadas às famílias Ou dos lutos em suspenso pelo sumiço dos corpos. Mas representa todos eles, assim como representa as mulheres e as famílias que resistiram.
O filme de Walter Salles vem mostrando ao Brasil e ao mundo a violência que aconteceu no período 1964 -1986. Está mostrando nas telas, mas também nas entrevistas, debates e nos prêmios que o longa metragem e toda equipe receberam em diferentes festivais internacionais de cinema.
Lá fora, 1 bilhão de pessoas assistiram a cerimônia do Oscar em diferentes fusos horários e línguas. E outros milhões de pessoas estão repercutindo a notícia pelo mundo a fora. A visibilidade é uma grande vitória. A empatia também.
O longa brasileiro disputava o troféu com outros filmes que também merecem ser vistos. Entre eles o polonês “A Garota da Agulha”, que trata dos horrores da guerra e do extremismo, o polêmico “Emília Perez”, que fala sobre corrupção e desejos, o iraniano “A Semente do Fruto Sagrado”, que fala da violência policial e religiosa, e a delicada animação da Estônia, “Flow”.
É verdade que Fernanda Torres não levou a estatueta de melhor atriz, assim como aconteceu com sua mãe há 25 anos. Mas isso não importa. Ela vem sendo reconhecida e ovacionada dentro e fora do país.
Fernanda Torres já ganhou. Ganhou nossos corações, ganhou as ruas do Brasil, ganhou o carnaval e o reconhecimento internacional. Neste carnaval seguiremos fernandatorrizando o país. Você ainda não sabe o que significa o termo? Leia a publicação do dia 14 de fevereiro do Blog.
É importante registrar mais uma vez os minutos na tela de Fernanda Mãe, que, mesmo sem indicação a prêmios, são grandiosos. Jogam luz para a dor da perda, para a resistência e dão vilibilidade para demências como o Alzheimer. As demências são síndromes neurodegenerativas, progressivas e sem cura que roubam a memória, a identidade e a saúde, os bens mais preciosos que temos.
PS: No domingo, dia 09, acontecerá o Pós-Carnaval do Rivotrio com o Bloco Filhas da Mãe e parceiros. A concentração será no Mimo Bar (205 Norte), em Brasília, a partir das 10h. Este ano a homenagem é para as mulheres que lutaram pela saúde mental do Distrito Federal.

