Seguimos Nos Adaptando Ao Mundo Online

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Ana Castro & Cosette Castro

Brasília – A pandemia trouxe mudanças radicais para todos. Medo de contágio, de  hospitalização e medo da morte, que tem afetado todas as famílias, inclusive as nossas.

Adquirimos outros hábitos como máscaras, álcool gel, trocas constantes de roupa de rua para roupa de dentro de casa, sapatos do lado de fora e banhos. Muitos banhos.

Embora as primeiras doses estejam chegando a públicos cada vez mais jovens, ainda é baixo o contingente populacional que conseguiu tomar as duas doses das vacinas. E nem isso garante total imunização. O que se sabe é que, caso sejamos contagiados, os riscos são menores.

Com a chegada de novas variantes, como o Delta, todo cuidado é pouco. O Rio de Janeiro, por exemplo, no sábado, 06 de agosto, registrou 12 mil novos casos em um só dia. Além do nosso  risco de contagio, há o perigo, mesmo com a segunda dose, de  contaminar outras pessoas. Por isso a necessidade de  usar máscaras,  álcool gel e seguir protocolos de segurança.

Em tempos de pandemia, aprendemos novos hábitos também no mundo virtual.

Quem tem acesso à internet, multiplicou  o tempo na frente de múltiplas telas, seja o computador, o tablet ou o celular para usar diferentes aplicativos.   Entre eles, ouvir música, assistir filmes, séries, acompanhar as notícias e usar redes sociais digitais. Também incluímos na rotina  o trabalho online, novos cursos, lives e reuniões familiares a distância.

No que diz respeito à reuniões familiares, vale a pena tomar alguns cuidados quando incluímos um parente com demência na frente das telas.

É importante lembrar que, o que deveria ser um encontro amoroso e divertido entre amigos ou familiares na internet, as vezes pode ser  difícil, complicado e até assustador para a pessoa com demência. Isso ocorre porque, dependendo do estágio da doença, o familiar pode não compreender o que está ocorrendo nos dois lados da tela.

Uma das questões mais difíceis de lidar é com a expectativa de familiares e amigas quando ocorre um encontro online. Há, por exemplo,  a expectativa de que o enfermo reconheça pessoas ou lembre de situações passadas.

Nem sempre isso é possível, mas alguns  familiares seguem insistindo, como se, através da insistência, pudessem trazer a memória de volta. Em geral, isso gera ansiedade e irritação na pessoa doente.

Uma possibilidade é cada um ir se apresentando, como se estivesse se conhecendo pela primeira vez. “Oi, Vó, eu sou a ….., sua neta mais jovem, filha de fulana e sicrano”.  O mesmo vale para os filhos, mesmo que o coração aperte ao ter se de (re)apresentar para o pai ou a mãe.

Encontros online com pessoas com demência não podem durar muito tempo, porque eles cansam ou se recolhem ao seu mundo particular. Além disso, é preciso ter cuidado com o tom de voz, evitando gritos, risadas altas, gargalhadas, assim como evitar que várias pessoas falem ao mesmo tempo. Tais situações podem agitar e perturbar a pessoa enferma.

O uso da internet pode ser mais fácil para nós, mas se trata de um mundo ainda desconhecido para a maioria dos idosos saudáveis. Imagine para alguém com demência.

Cosette Castro

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