Valmir Campelo acerta com o PPS e anuncia candidatura majoritária para 2018

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O ex-presidente do Tribunal de Contas da União, ex-senador e ex-deputado federal Valmir Campelo acertou filiação com o PPS e decidiu disputar um cargo majoritário no ano que vem. Ele será colega de partido do senador Cristovam Buarque, que foi seu último rival na política: em 1994, Campelo disputou com ele o Palácio do Buriti e perdeu as eleições. Apesar de estar há mais de duas décadas longe das urnas, o ex-ministro do TCU acredita que tem potencial para conquistar o governo, o cargo de vice ou uma vaga no Senado. O PPS confirma o acerto, mas diz que não há ainda nenhuma definição sobre candidaturas.


A filiação de Valmir Campelo ao PPS e seus planos eleitorais para 2018 foram antecipados em entrevista concedida ontem ao programa CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília. Durante o bate-papo, o ex-ministro, que deixou o Tribunal de Contas da União em 2014, disse que quer ajudar a cidade “com a sua experiência”. “Estou na cidade há 55 anos e sempre desempenhei um trabalho muito sério. Pautei minha atuação no TCU na ética e na moralidade, como já vinha fazendo em outras funções públicas”, argumentou Campelo.


Para o ex-ministro do Tribunal de Contas da União, é preciso desvencilhar a imagem da capital federal da corrupção. “Quero participar das eleições majoritárias em Brasília. A cidade merece respeito”, comentou. “Antes, a corrupção chegava a Brasília por via aérea. Hoje, ela já está enraizada aqui. Todo dia, aparecem novos fatos”, acrescenta.


Apesar das menções a escândalos de corrupção, ele evita criticar integrantes do PPS envolvidos em denúncias. Em março, os distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro, ambos filiados à sigla, viraram réus em uma ação penal relacionada à Operação Drácon. “O partido está esperando uma decisão da Câmara Legislativa e da Justiça para saber qual caminho seguir. Condenar antecipadamente é sempre prejudicial”, justifica. “Quando eu tinha que julgar alguém com pena no TCU, eu quase não dormia à noite, sempre seguia todas as etapas para que a pessoa provasse que era honesta e que não errou. Julguei durante mais de 18 anos no TCU e sempre mantive isso. Antecipar julgamentos é prematuro”, acrescenta. “Qual partido não tem alguém comprometido com alguma coisa ou respondendo inquérito? O bom seria candidatura avulsa, aí sim qualquer cidadão poderia participar”.


No PPS, o senador Cristovam Buarque é o principal nome e terá prioridade nas definições de candidaturas. Apesar da expectativa em torno de uma disputa de Cristovam à reeleição, Valmir não descarta nem fazer uma dobradinha com o correligionário para o Senado. “Não é impossível nós dois concorrermos ao cargo de senador, isso pode ocorrer, já que em 2018 haverá duas vagas”, justificou. Mas uma candidatura ao Governo do Distrito Federal não está descartada, apesar de Valmir Campelo sofrer forte pressão familiar para não entrar na corrida pelo Palácio do Buriti.

Valmir Campelo e o rorizismo

O ex-ministro diz que não há nenhum desconforto em dividir o partido com o rival de sua última eleição. Pelo contrário, segundo Campelo, ele e Cristovam têm uma ótima relação. “Nem na campanha fomos inimigos, quem participou sabe que foi uma disputa amena, sem agressões. Minha esposa foi professora das filhas dele, sempre houve um grande respeito mútuo. Quando perdi a eleição no segundo turno, muitos queriam que eu pedisse uma recontagem de votos, mas reconheci o resultado e telefonei ao Cristovam, parabenizando pela vitória”.


Valmir Campelo evita vinculações a Joaquim Roriz, apesar de o ex-governador ter subido em seu palanque, em 1994. “Quando Roriz chegou aqui, eu já tinha sido administrador de três cidades por 16 anos seguidos, já tinha sido deputado federal mais votado, não posso ser considerado rorizista. Desde 1994, só estive com ele duas vezes em posses no TCU. Respeito o ex-governador, mas não tivemos mais contato”, esclarece.


O presidente regional do PPS, Chico Andrade, diz que a filiação de Valmir Campelo será oficializada até o mês que vem. “Precisamos de um nome novo para cidade, não necessariamente uma cara nova, não precisa ser um garotão ou garotona, mas alguém distante dos rotineiros escândalos. O PPS é instrumento de alternativa política para a cidade e a vinda do ex-senador agrega esse valor. Por sua postura, experiência e nome limpo, ele tem espaço garantido”, comentou.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

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