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Tramitação do projeto que autorizou compra do Master pelo BRB entra no foco da Compliance Zero

Publicado em CB.Poder

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL

Como tudo que envolve o Master está atrelado a cifras bilionárias, frentes da Operação Compliance Zero apuram como se deu a operação política na Câmara Legislativa (CLDF) para aprovação, a toque de caixa, do projeto de lei que autorizou a compra de 58% do banco de Daniel Vorcaro pelo BRB.

 

A proposta chegou à Casa em 14 de agosto do ano passado, para votação em regime de urgência, e foi aprovada cinco dias depois, com 14 votos favoráveis e sete contrários. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, acompanhou a tramitação e se reuniu com os deputados distritais para defender o negócio que, hoje sabe-se, provocaria um prejuízo monumental.

 

O BRB já havia comprado fundos sem lastro do Master e destinado R$ 21,9 bilhões nessas transações. Hoje, o Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito para recuperar a instituição financeira do DF.

 

Estratégia de convencimento na delação

Enquanto tentava convencer deputados distritais, Paulo Henrique Costa negociava com Daniel Vorcaro — segundo relatou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decretação da prisão do ex-presidente do BRB — propina em imóveis de luxo, localizados em São Paulo e em Brasília, no valor de R$ 146 milhões.


Para conquistar o apoio da Câmara Legislativa, Paulo Henrique garantiu que a operação seria positiva para a população do DF. “Existe uma expectativa de crescimento do resultado de dividendos, que será revertido em políticas públicas. Outro benefício é que o BRB passa a ter mais produtos, a atuar em outros segmentos, que ficam à disposição das pessoas que moram no DF. Além disso, o fortalecimento do BRB vai, naturalmente, gerar emprego e renda”, afirmou Paulo Henrique Costa.

 

A negociação poderá ser esclarecida na

delação premiada do ex-presidente.