TCU questiona dados do Iprev apresentados pelo GDF

Compartilhe

Ana Viriato

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou um descompasso no Demonstrativo de Resultados da Avaliação Atuarial (DRAA) do Instituto de Previdência dos Servidores do DF, em 2015. Segundo a auditoria da Corte, à época, o Iprev/DF não apresentava um superavit de R$ 1,8 bilhão e, sim, um deficit de R$ 2,4 bilhões.

No ano passado, mediante a análise do montante superavitário, o Executivo local transferiu R$ 1,2 bilhão do fundo capitalizado para o fundo financeiro do Iprev, para quitar as aposentadorias do ano e liberar o valor necessário para fechar a folha de pagamento dos servidores. O GDF ainda reduziu o índice de contribuição de 22% para 16,55%, durante o período compreendido entre 2015 e 2018.

De acordo com o TCU, porém, há uma mudança significativa na conjuntura. Entre 2009, primeiro ano de aferição, e 2014, quando houve a realização da avaliação atuarial, a taxa de rentabilidade anual alcançada pelo Instituto foi de 3,90% ao ano. O Iprev/DF, entretanto, utilizou como premissa o índice de 5,50% ao ano, para um fluxo de 100 anos. Dessa forma, caso a metodologia apresentada pela Corte de Contas tivesse sido usada para o cálculo, “possivelmente, não haveria recursos que pudessem justificar a transferência de valores como a realizada em 2015”.

Além disso, caso adotasse a taxa de 3,90%, o atuário do governo de Brasília deveria ter apresentado propostas alternativas para o equilíbrio do Iprev, como colaborações periódicas do tesouro distrital, ou alíquotas patronais suplementares. Neste último caso, o acréscimo necessário seria de 5,86%, por 35 anos, além do retorno da contribuição antes vigente, de 22%.

Portanto, o Tribunal de Contas indica que, em 2015, o “DF não só estaria impedido de diminuir sua alíquota patronal, como teria de aumentá-la ou fazer aportes periódicos de recursos para restaurar o equilíbrio do fundo previdenciário do Iprev/DF”.

Em nota, a Secretaria de Fazenda afirmou que a avaliação do Tribunal de Contas da União (TCU) não considerou a lei complementar que determinou a recomposição do superavit do Iprev, após a reversão de R$ 1,2 bilhão, utilizado para fechar a folha de pagamento de servidores públicos distritais.

O órgão declarou, ainda, que há um erro técnico na taxa utilizada pela Corte das Contas para o cálculo do montante superavitário. A pasta afirma que o uso do índice de 3,90%, em vez do indicativo atual, de 5,5%, representa “um percentual incompatível com a realidade vivida pelo Fundo, que a exemplo de 2016 irá obter desempenho de 15,44% ao ano”.

A Secretaria ressaltou, por último, que, nos últimos dias, o antigo Ministério da Previdência Social, incorporado, hoje, ao Ministério da Fazenda, validou a transação de 2015, por meio da emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária.

Segunda utilização do Iprev

A Câmara Legislativa do DF aprovou, nesta quinta-feira (1/12), o projeto de lei complementar que autoriza o governo de Brasília a remanejar R$ 493,5 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev) para fechar a folha de pagamento dos servidores públicos. O fundo será recomposto, posteriormente, com a oferta de ações do Banco de Brasília (BRB).

O Iprev é constituído por duas vertentes. Assim, na prática, o aval ao projeto do Palácio do Buriti permitiria que 75% dos subsídios do Fundo Financeiro, integrado por servidores que iniciaram a carreira pública após 2007, cujo caixa conta com o superávit técnico atuarial de R$658 milhões, fossem transferidos para o Fundo Previdenciário do DF (DFPrev). Esse fundo enfrenta um déficit de R$ 2,2 bilhões. A ideia é usar o superavit para pagar aposentados e, assim, liberar recursos para a folha dos ativos.

Helena Mader

Repórter do Correio desde 2004. Estudou jornalismo na UnB e na Université Stendhal Grenoble III, na França, e tem especialização em Novas Mídias pelo Uniceub.

Posts recentes

  • CB.Poder

GDF não envia representante para sessão de abertura dos trabalhos da Câmara Legislativa

ANA MARIA CAMPOS O Governo do Distrito Federal não teve representação na abertura dos trabalhos…

15 horas atrás
  • CB.Poder

Briga que deixou adolescente em coma lembra confrontos de MMA, aponta desembargador

ANA MARIA CAMPOS Por decisão do relator do caso no Tribunal de Justiça do Distrito…

22 horas atrás
  • CB.Poder

TCDF autoriza auditoria no BRB e no Iprev-DF

Em mais uma frente de investigação sobre os desdobramentos das operações financeiras envolvendo o Banco…

23 horas atrás
  • CB.Poder

Gustavo Rocha deve representar o GDF na abertura dos trabalhos da Câmara Legislativa

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL No último ano de seu segundo mandato, o governador Ibaneis Rocha…

1 dia atrás
  • CB.Poder

Leandro Grass passa por cirurgia

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL O presidente do Iphan, Leandro Grass, se submeteu no fim de…

1 dia atrás
  • CB.Poder

Metade da bancada do DF apoia CPI do Banco Master na Câmara Federal

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Quatro dos oito deputados federais da bancada do DF assinaram o…

1 dia atrás