Filho de Leonardo Prudente constrói acordo para chegar à Presidência da Câmara Legislativa

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Coluna Eixo Capital / Por Ana Maria Campos

O deputado Rafael Prudente (MDB) segue os passos do pai, Leonardo Prudente. Eleito para o segundo mandato, o distrital construiu um acordo para chegar à Presidência da Câmara Legislativa no próximo biênio, cargo que o pai exerceu em 2009 até a renúncia em 2010, por conta do escândalo da Operação Caixa de Pandora. Com a renúncia e a condenação em segunda instância, por improbidade administrativa, Prudente teve de abandonar a política, abrindo espaço para o herdeiro. A campanha de Rafael ainda é bancada pela família. Dos R$ 823 mil que arrecadou, a maior parte, R$ 350 mil, foi doação do irmão Leonardo Cavalcanti Prudente. Mas Rafael tem conquistado espaço entre deputados, com personalidade própria. É apontado como cumpridor de acordos políticos, habilidoso nas negociações e com perspectivas promissoras na carreira. Conseguiu formar maioria para chegar à Presidência da Casa, sem sustos, duas semanas antes do pleito, algo raro. Nesse ritmo, pode chegar bem mais longe que o pai na vida pública, se não for atropelado, claro.

Sem confronto

Para chegar à Presidência, o deputado Rafael Prudente (MDB) já tem o apoio de pelo menos 16 distritais. Nessa costura, estão até mesmo os dois parlamentares eleitos pelo PSB, de Rodrigo Rollemberg, José Gomes e Roosevelt Vilela. É aquela máxima de oposição sem confronto, que leva quase a uma aproximação com o futuro governo.

Escolhas

O Avante, aliás, pode crescer. O deputado eleito Eduardo Pedrosa (PTC), pensa em se filiar ao PSL de Jair Bolsonaro, e o Avante, do vice-governador Paco Britto. É uma aposta entre se aproximar do poder nacional ou do local.

Sem trombadas

Rodrigo Rollemberg e Ibaneis Rocha podem discordar e se estranhar nos bastidores. Mas não estão dispostos a trombadas públicas. Mesmo com o debate sobre o saldo em caixa nos cofres públicos dos últimos dias, não deve haver, pelo menos nos primeiros meses, uma relação de inimigos. O atual governador já disse a interlocutores que não é seu estilo trabalhar nos tribunais contra o sucessor nas representações protocoladas durante a campanha. Ibaneis, por sua vez, não deverá perseguir o antecessor.

Na praia do Paranoá

A uma semana de deixar o poder, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) aproveitou o domingo para curtir o Lago Paranoá. Depois de uma cerveja com amigos, praticou stand up paddle, atividade esportiva aquática que ganha adeptos em Brasília.

Valmir Campelo vai presidir a Valec

O ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Valmir Campelo aceitou convite do futuro ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e assumirá a Presidência da Valec, a estatal das ferrovias brasileiras. É o primeiro político do DF a assumir um cargo no governo de Jair Bolsonaro. Campelo foi administrador regional de Brazlândia, Gama e Taguatinga, deputado, senador, ministro do TCU e vice-presidente do Banco do Brasil. No banco, ajudou o DF com a liberação de empréstimo de R$ 500 milhões para obras de infraestrutura e mobilidade, nos primeiros meses da administração de Rollemberg. Pode ser mais um bom interlocutor para Ibaneis Rocha no governo federal.

MDB e Avante fortes

Com Rafael Prudente na Presidência da Câmara Legislativa, o MDB vai comandar o Legislativo e o Executivo. O Avante, legenda do futuro vice-governador Paco Britto, também terá um espaço importante. No acordo para a eleição da Mesa e formação das comissões, os dois distritais eleitos pelo Avante terão destaque. João Cardoso deve ser o terceiro secretário e Reginaldo Sardinha deverá presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Só papos

“Todos estes ‘liberais’ usam Bolsonaro de escada e depois dizem que não defendem suas ideias. Só acredita em determinados grupinhos quem é muito inocente. Querem voar que voem, mas sem mentir ou ludibriar seria muito melhor para todos, mas sabemos como sempre jogaram!”

Vereador Carlos Bolsonaro (PSL), comentando a onda liberal que chegou aos diretórios das universidades

“Carlos Bolsonaro acha que a @liberdadeUnB, grupo que eu criei na UnB, é fruto de seu pai. Fundado em 2009, ganhou DCE pela 1ª vez em 2011, reeleito cinco vezes. Época em que Bolso era só um deputado do baixo clero. E Bolsokid, cujo único emprego até hoje foi ser político, já era sustentado pelo erário”

Economista Carlos Goés, um dos fundadores do movimento liberal que comanda o DCE da UnB, pelo Twitter

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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