Pré-candidatos ao Senado debatem sobre barreiras para a renovação política

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Alexandre de Paula

As motivações e as barreiras para a renovação na política e a crise da universidade pública foram alguns dos temas discutidos, hoje, por quatro pré-candidatos ao Senado no debate “A política como vocação”, na Universidade de Brasília (UnB). O encontro, no auditório do Instituto de Ciência Política (Ipol), reuniu Leany Lemos (PSB), Marcelo Neves (PT), Marivaldo Pereira (PSol) e Paulo Roque (Novo), que nunca ocuparam cargos eletivos.

Mediado pela coordenadora de pós-graduação do Ipol, Rebecca Abers, o debate começou com a pergunta sobre o que levou os quatro pré-candidatos a tentar disputar as eleições deste ano. A necessidade de mudança no quadro político e a crise do país foram algumas das razões apontadas por eles, que também usaram boa parte do tempo para apresentar as suas trajetórias.

Apesar da vontade de se apresentar como possibilidade de renovação dentro dos cargos eletivos, os pré-candidatos destacaram as inúmeras dificuldades para a eleição de um novato, com estruturas que, segundo eles, beneficiam quem já tem mandato atualmente. Angariar recursos para as campanhas foi um dos empecilhos mencionados. “Existe um desequilíbrio muito grande. É difícil fazer frente aos nomes consolidados”, observou Marivaldo. A duração da campanha foi outra questão levantada. “O tempo é muito curto. Isso também favorece quem tem mandato. As pessoas votam em quem conhecem”, disse Leany.

A questão do financiamento eleitoral gerou embate entre dois pré-candidatos. Paulo Roque defendeu que candidatos e partidos abrissem mão dos fundos partidário e eleitoral. “Por que não investir esse dinheiro em educação? O próprio partido tem de cuidar dos recursos”, apontou. Marcelo Neves rebateu. Para ele, limitar os gastos de campanha ao uso de recursos próprios traz ainda mais barreiras para a renovação. “Eu não tenho dinheiro. Se não tiver financiamento público, não posso ser candidato. Assim, fica parecendo que a política deve ser só para ricos”, concluiu.

Os pré-candidatos também divergiram sobre propostas e soluções para a crise das universidades públicas, entre elas a UnB. Leany Lemos defendeu que é preciso tratar a questão com responsabilidade fiscal. “Não adianta apenas dizer que a universidade precisa de mais recursos. É preciso olhar a estrutura, pensar em qualidade de gastos”, alertou. Para Marivaldo, a questão central é saber eleger prioridades. “O modelo de hoje decide cortar em favor dos mais ricos e deixar as bolsas estudantis, por exemplo, de lado. É possível gerir políticas públicas em momentos de crise, reduzir custos e inovar sem prejudicar sempre os mais frágeis”, argumentou.

A abertura das universidades para o financiamento de empresas e do mercado é um dos caminhos para solução da crise, segundo Paulo Roque: “Por que a universidade tem tanto preconceito com as empresas? É preciso abrir para o mercado, claro que, com regras e transparência, sem tirar a autonomia da instituição.” Marcelo Neves criticou a aprovação da Emenda Constitucional nº 95, de 2016, que criou um teto para os gastos públicos. “Estão tirando do aluno pobre. É um regime antipovo e de sucateamento. É preciso manter a universidade pública com qualidade”, ressaltou.

Ana Viriato

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