ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL
À Queima Roupa
Robson Raimundo, pré-candidato do PSTU ao GDF
“Faremos todo o necessário para revogar a Lei de Responsabilidade Fiscal, os arcabouços fiscais e os tetos de gastos sociais, pois o atendimento às reivindicações reais da população é o que deve balizar o uso do dinheiro público”
O Distrito Federal enfrenta desafios em áreas como saúde, transporte, educação e segurança. Qual dessas áreas deve ser prioridade nos primeiros 100 dias de governo e por quê?
A área da saúde será a prioridade, pois estamos vendo o resultado do desastroso governo de Ibaneis e Celina neste setor que está levando a que cidadãos e cidadãs que buscam atendimento na rede pública de Saúde, acabem morrendo na sala de espera sem atendimento. Lembremos que a saúde foi um dos setores que teve toda a sua cúpula dirigente presa criminalmente, ainda no primeiro mandato do governo Ibaneis. É preciso, para mudar isso, extinguir o IGES e voltar a ter uma administração direta do GDF. Vamos também avaliar as instituições privadas de saúde que estão em processo falimentar e as que só conseguem subsistir graças ao dinheiro público e vamos estatiza-las, ampliando a rede pública para ampliar o atendimento, diminuindo a necessidade de construir novas unidades do zero. Só que nós faremos diferente, administraremos a saúde pública do DF por meio da mobilização de todas categorias de trabalhadores da saúde e envolvendo a população do DF na elaboração da política de saúde pública do DF.
O senhor defende uma maior participação dos trabalhadores nas decisões do governo. Como isso funcionaria, na prática?
Nosso governo não será um governo meu ou do PSTU, mas sim um governo da classe trabalhadora e da população empobrecida, explorada e oprimida do DF. Por isso, nosso Governo Socialista dos Trabalhadores trabalhará sempre com a mobilização permanente da nossa classe social. Os secretários de Estado e os administradores ou administradoras regionais serão eleitos pelos trabalhadores e pela população de cada setor de atuação de governo e regiões administrativas. Propomos a construção de conselhos populares de gestão das empresas públicas, das instituições, órgãos e autarquias.
O PSTU frequentemente critica alianças com partidos tradicionais. Como o senhor pretende governar e aprovar projetos na Câmara Legislativa?
Criticamos as alianças dos partidos burgueses tradicionais, pois elas servem para garantir os interesses dos grandes empresários e das multinacionais imperialistas, sempre em detrimento das necessidades da classe trabalhadora. Da mesma forma, criticamos as coligações de partidos que tiveram origem na classe trabalhadora — como PT, PCdoB e PSOL. Apesar de suas origens, essas siglas acabam se aliando justamente à burguesia que dizem combater, implementando políticas que atendem muito mais aos interesses dos patrões do que à base trabalhadora que os originou. Nesse cenário, a Câmara Legislativa, há muito tempo, não corresponde à vontade da classe trabalhadora e nem atende às demandas reais da população. Por isso, apostamos na construção de Conselhos Populares: órgãos muito mais representativos da vontade e das necessidades dos trabalhadores e do povo do DF. Por meio desses conselhos, mobilizaremos a população para ocupar as ruas e pressionar a CLDF a adotar as medidas decididas pelos conselhos populares.
Quais medidas o senhor propõe para reduzir as desigualdades sociais sem comprometer o equilíbrio das contas públicas?
Faremos todo o necessário para revogar a Lei de Responsabilidade Fiscal, os arcabouços fiscais e os tetos de gastos sociais, pois o atendimento às reivindicações reais da população é o que deve balizar o uso do dinheiro público. O equilíbrio das finanças públicas deve estar referenciado no atendimento às demandas sociais, e não ser usado como um discurso para justificar o seu corte. Por isso, realizaremos uma auditoria popular de todas as contas, contratos e convênios do GDF, ampliaremos a fiscalização contra a sonegação fiscal e daremos fim à política de isenção fiscal que destina quase R$ 10 bilhões todos os anos do orçamento distrital aos grandes empresários, sem qualquer contrapartida. Vamos cobrar a dívida ativa dos grandes sonegadores, que respondem pela maior parte dos débitos, estatizando propriedades e bens desses grandes devedores para incorporá-los ao patrimônio e ao orçamento público do DF. Não haverá mais refinanciamentos de dívidas para grandes empresários.
O PSTU é um partido com dificuldade de viabilidade eleitoral. Por que o cidadão do Distrito Federal deveria confiar seu voto ao senhor, mesmo sabendo das dificuldades de um partido pequeno em governar?
O PSTU não tem “dificuldade de viabilidade eleitoral” tanto que já elegemos parlamentares em outros estados no passado. Isso é uma visão parcial que esconde que partidos ideológicos são prejudicados nas eleições e na vida política do Brasil em detrimento de partidos de aluguel, “fisiológicos” que só representam seus “chefes” e usam dinheiro públicos para atender interesses dos ricos, deixando a esmagadora maioria da população brasileira desamparada. O PSTU é prejudicado por regras antidemocráticas do processo eleitoral, que é todo organizado para garantir a eleição dos representantes das legendas dos grandes empresários. Não temos acesso aos debates, aos horários eleitorais na TV. O fundo eleitoral é ridiculamente pequeno para o nosso partido e extremamente generoso com as “grandes legendas”. Na prática, participamos do processo eleitoral em condição de semilegalidade. Sem dúvida nossas propostas são bastante ousadas e revolucionárias, muito diferente do padrão eleitoral com promessas mentirosas. Sabemos que são ideias mais difíceis de serem assimiladas pela população, mas não vamos mentir à população e dizer que basta votar no PSTU que os problemas serão resolvidos. Não acreditamos que a eleição por si só pode resolver os problemas, defendemos que a classe trabalhadora se organize, se mobilize de forma permanente com greves, atos e mobilizações e construa uma revolução que coloque o poder diretamente na mão dos trabalhadores e trabalhadoras, mude radicalmente a sociedade, construindo um governo socialista.

