Ministro Marco Aurélio impede prejuízo de R$ 700 milhões na arrecadação do DF

Compartilhe
ANA MARIA CAMPOS

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar requerida pelo Distrito Federal para suspender os efeitos da decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que impedia a retenção no Tesouro Local dos recursos relacionados ao Imposto de Renda dos servidores das forças de segurança pagos com o Fundo Constitucional do DF.

Marco Aurélio acatou pedido da Procuradoria-geral do DF em Mandado de Segurança impetrado nesta semana. O repasse desses recursos para a União representaria a perda de R$ 680 milhões na arrecadação tributária do DF por ano, justamente num momento em que o GDF precisa ampliar o caixa para honrar todos os compromissos com a folha de pagamentos e fornecedores.

Na decisão, o ministro ressaltou: “Centro nevrálgico do Poder, é a partir do Distrito Federal que se traçam as diretrizes vitais para o bem-estar da totalidade do povo brasileiro. Enfraquecê-lo financeiramente em benefício da União, ausente expressiva razão jurídica a infirmar prática consolidada pelo tempo e albergada por razoável interpretação sistêmica e teleológica do texto constitucional, é solapar a viga-mestra de todo o edifício federal”.

Marco Aurélio concordou com os argumentos da Procuradoria e apontou que a decisão do TCU pode provocar um total desajuste nas contas do DF, que abriga a capital do país. O magistrado afirmou: “Em um país no qual até o passado é incerto, parafraseando construção atribuída ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, cumpre preservar a tão almejada segurança jurídica. Cogitar do dever de ressarcimento ao cofres do Tesouro Nacional dos valores tidos como indevidamente repassados desde o ano de 2003 poderá ocasionar verdadeiro colapso nas finanças do Distrito Federal – circunstância a justificar o exercício, pelo Judiciário, do poder geral de cautela”.

A decisão já está valendo e, dessa forma, o Ministério da Economia não poderá reter esses valores, o que, por deliberação do TCU, deveria começar a ocorrer na próxima folha de pagamentos. Mas, para dirimir definiivamente todas as dúvidas, a questão deve ser apreciada pelo plenário do TCU.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Publicado por
Ana Maria Campos
Tags: Fundo Constitucional Imposto de Renda Marco Aurélio Mello stf

Posts recentes

  • CB.Poder

Geap chega a 400 mil usuários e atinge recorde de crescimento de 45%

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL A Geap Saúde fechou o ano de 2025 com balanço positivo…

2 dias atrás
  • CB.Poder

“Quando um líder não pode mais ocupar o cargo, o jogo muda”

Da coluna Eixo Capital, por Ana Maria Campos À Queima Roupa | Marcelo Vitorino, estrategista…

5 dias atrás
  • CB.Poder

Morre desembargador Mauricio Miranda, do TJDFT, aos 60 anos

ANA MARIA CAMPOS Morreu nesta manhã (04) o desembargador Maurício Silva Miranda, do Tribunal de…

5 dias atrás
  • CB.Poder

“Eleitor está cansado da polarização, mas o centro precisa de candidatura competitiva”, afirma Marcelo Vitorino, estrategista e consultor de marketing político

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL À Queima Roupa Marcelo Vitorino, estrategista e consultor de marketing político…

5 dias atrás
  • CB.Poder

Reta final do governo Ibaneis

Da Coluna Eixo Capital, por Ana Maria Campos Faltam três meses para o fim do…

6 dias atrás
  • CB.Poder

Entrando em 2026: o ano-novo das autoridades de Brasília

A vice-governadora Celina Leão (PP) passou o réveillon na Esplanada dos Ministérios, acompanhando os shows…

1 semana atrás