Tribunal de Justiça vai analisar ação popular contra reajuste das tarifas de ônibus

Compartilhe

ANA VIRIATO

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) recebeu, nesta quarta-feira (25/1), a primeira ação popular contrária aos reajustes de até 25% nos valores das passagens do transporte público brasiliense, após a decisão do Conselho Especial, por 16 votos a 5, que autorizou o Executivo local a restabelecer a revisão tarifária.

Trata-se de uma ação popular com pedido de tutela antecipada, ajuizada por representantes de entidades sociais e partidos políticos. A petição argumenta que o Palácio do Buriti não cumpriu a diretriz de fixar o valor dos bilhetes “com base em estudos de custos e tarifas desenvolvidos pela unidade gestora, observadas as disposições legais e ouvido, previamente, o Conselho de Transporte Público Comunitário” — a mesa do grupo deliberativo em questão está desativada desde 2014. Acrescenta-se que não existe a “possibilidade de ser concedido aumento tarifário, pois a premissa básica do bom funcionamento do Estado é a observância a legislação”.

O documento é assinado por integrantes do Raiz Movimento Cidadanista, do Brigadas Populares, do Sindicato dos Economistas, da Juventude do PDT, além do PSol. Caso a Justiça acate o pedido de suspensão dos aumentos, o mérito do processo seria analisado apenas após a concessão da liminar.

De acordo com o Executivo local, o Conselho está desativado em razão de restrições impostas pelo Tribunal de Contas do DF (TCDF), porque o GDF estaria acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

A hipótese é refutada pelos responsáveis pela ação popular, que ressaltam o funcionamento de outros conselhos deliberativos, como o Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (CONPLAN) — a última reunião do grupo teria ocorrido em 24 de novembro de 2016. O CB.Poder contatou a Procuradoria-Geral do DF, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Vigência dos novos valores

A notificação oficial da decisão do Conselho Especial ainda não chegou à Procuradoria-Geral do DF ou à Casa Civil. Quando isso ocorrer, a Secretaria de Mobilidade terá até 72 horas para readequar a cobrança dos valores em catracas e validadores do transporte público. A estimativa da pasta é realizar o procedimento neste sábado, quando, então, o brasiliense já deve desembolsar mais pela viagem.

No meio tempo, entidades sociais prometem inflamar a pressão popular contra o chefe do Executivo local. Há um protesto contrário aos reajustes marcado para as 17h desta quinta-feira, na Rodoviária de Brasília.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Posts recentes

  • CB.Poder

MP encaminha inquérito contra Pedro Turra para a Promotoria do Júri de Águas Claras

Ana Maria Campos A Promotoria de Justiça Criminal de Taguatinga encaminhou o caso do ex-piloto…

1 dia atrás
  • CB.Poder

Advogado Rodrigo Badaró foi indicado para presidir Comitê Nacional de Inteligência Artificial do Judiciário

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL O advogado Rodrigo Badaró, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Leila do Vôlei é reeleita presidente do PDT-DF

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL A senadora Leila do Vôlei foi reeleita presidente do PDT-DF neste…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Chacina do DF vai a júri em abril. Pena pode ultrapassar 300 anos de prisão, segundo MP

Um dos crimes mais impressionantes da história do Distrito Federal, a chacina de 10 pessoas…

2 dias atrás
  • CB.Poder

Morte de Rodrigo Castanheira: classificação do crime pode alterar a pena máxima de 12 para 30 anos de prisão

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL A discussão entre especialistas em direito penal do momento é sobre…

2 dias atrás
  • CB.Poder

TJDFT aprova penduricalho e medida é barrada pelo STF

ANA MARIA CAMPOS O Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos…

4 dias atrás