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Beneficiada com uma doação eleitoral de R$ 1 milhão da UTC Engenharia, a deputada Liliane Roriz (PTB) sempre negou ter conhecimento da suposta origem ilícita dos recursos. De acordo com as investigações da Operação Lava Jato, o repasse ocorreu depois que o então senador Gim Argello, vice-presidente da CPI da Petrobras, cobrou propina de empresários para livrá-los de convocações para depor na comissão. Em abril deste ano, quando Gim foi preso na 28ª etapa da Lava Jato, apelidada de “Vitória de Pirro”, os procuradores Carlos Fernando Lima e Athayde Ribeiro Costa declararam que, até aquele momento, não havia provas de que Liliane e os outros beneficiados por doações eleitorais da UTC Engenharia tivessem conhecimento do esquema e da origem ilícita dos recursos. Por isso, todos ficaram fora das investigações. Mas as gravações de uma conversa entre a distrital e o ex-senador Luiz Estevão, em poder do Ministério Público Federal, colocam em xeque essa versão.
Conhecimento prévio
Liliane Roriz afirmou ao Ministério Público Federal que a gravação da conversa com o ex-senador Luiz Estevão ocorreu em 30 de março de 2015, poucos dias antes da Semana Santa. No bate-papo, Estevão, Liliane e Valério fazem menção direta ao fato de Gim Argello ter extorquido empresários para obter doações. “Você não terá um Gim Argello, vice-presidente da CPI que investiga a Petrobras, em que as empreiteiras pagariam qualquer preço para o Gim para que ele evitasse que elas fossem convocadas para depor na CPI. E por que você acha que aquelas doações aconteceram?”, questiona Luiz Estevão. A conversa ocorreu 44 dias antes de o empresário Ricardo Pessoa, da UTC, assinar termo de colaboração premiada com o MP, no qual ele mencionou pela primeira vez o suposto envolvimento de Gim. Valério Neves, que é réu na Lava Jato e sempre negou ter conhecimento sobre o esquema, também participou dessa conversa.
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