STJ nega usucapião de terreno da Caesb ocupado pelo presidente da CLDF

Compartilhe

ANA MARIA CAMPOS

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou nesta tarde (12/02), por unanimidade, o recurso — embargos de divergência em recurso especial — interposto pelo presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz (MDB), e sua esposa Kilze Beatriz Montes Silva, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) que negou usucapião do terreno no Park Way onde o casal construiu a casa da família.

O imóvel pertence à Caesb. O que se discute no caso é a possibilidade de manutenção da posse de área pertencente a uma empresa de sociedade de economia mista.

O casal deseja o reconhecimento da aquisição, por meio de usucapião, da fração de 7.866 m² de imóvel localizado no Park Way.

Eles argumentam que possuem a posse do imóvel, de forma continua, pública, ininterrupta, sem oposição há mais de 15 anos, elementos que seriam suficientes para reconhecimento da usucapião extraordinária.

Mas o pedido foi negado em todas as instâncias até o momento. Há um entendimento pacífico de que não cabe usucapião em área pública. No caso, pertence a uma empresa, mas trata-se de uma área de interesse público.


Concessão

O imóvel está em discussão também no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A Caesb transferiu o terreno para Wellington por meio de uma concessão de uso, mediante pagamento de R$ 12,5 mil mensais.

Mas o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) questionou a concessão e obteve uma liminar suspendendo a transação.

A desembargadora Soniria Rocha Campos D’Assunção indeferiu recurso e manteve suspensa a concessão do imóvel público ocupado pelo presidente da Câmara Legislativa.

A decisão de 9 de janeiro negou recurso que pretendia revogar liminar obtida pelo MPDFT que aponta irregularidades no processo e alega que a área, localizada na região do Catetinho, é essencial para o sistema de abastecimento de água do Distrito Federal.

O recurso argumenta que a área estava ociosa, que não havia desvio de finalidade e que a suspensão da licitação causaria prejuízo mensal de R$ 12,5 mil à Caesb.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

Publicado por
Ana Maria Campos
Tags: câmara legislativa casa Park Way stj usucapião wellington luiz

Posts recentes

  • CB.Poder

Ministério da Fazenda volta a debater uso e redução do Fundo Constitucional do DF

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL As propostas de mudanças nos cálculos de reajuste do Fundo Constitucional…

15 horas atrás
  • CB.Poder
  • Coluna Brasília-DF

Tempos nada republicanos

Texto de Carlos Alexandre de Souza nesse sábado (2/5) — O fracasso da indicação de…

3 dias atrás
  • CB.Poder

China pode virar samba-enredo no carnaval do Rio

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Uma delegação de jornalistas brasileiros, integrada pelos diretores da ABI, Moacyr…

7 dias atrás
  • CB.Poder

Podemos quer Mayara Noronha candidata a deputada federal

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Ao participar, ontem (29/04), de um encontro do Podemos, o ex-governador…

7 dias atrás
  • CB.Poder

Aliados de Celina apostam em diálogo com Lula

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Aliados da governadora Celina Leão (PP) lembram que o presidente Lula…

7 dias atrás
  • CB.Poder

Tramitação do projeto que autorizou compra do Master pelo BRB entra no foco da Compliance Zero

ANA MARIA CAMPOS/EIXO CAPITAL Como tudo que envolve o Master está atrelado a cifras bilionárias,…

7 dias atrás