Empresário culpa passe livre por gastos do GDF com transporte

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Em depoimento à CPI do Transporte, o empresário Victor Foresti — sócio da Viação Cidade Brasília e marido de Cristiane Constantino, filha de Nenê Constantino e sócia da Viação Pioneira — afirmou que 90% dos gastos do DF com transporte público são para custear passagens de estudantes e deficientes. Durante as quase duas horas de sessão, disse não ter entendido o porquê de sua empresa ter sido inabilitada no processo licitatório e explicou ter sido diretor da Pioneira até pouco tempo antes da época do edital que renovou a frota de ônibus do DF.

Segundo Foresti, apenas três meses são necessários para Brasília ter um sistema de transporte em pleno funcionamento. “90% dos gastos do governo são para o passe livre de estudantes e deficientes. Caso corte esses benefícios, o sistema será superavitário”, disse. “Em três meses a situação fica resolvida”, continuou o empresário, que afirmou atuar, atualmente, como um “consultor” da Viação Pioneira para a esposa.

Questionado se não havia um conflito de interesses em ser sócio de uma empresa e diretor de outra, concorrente, Foresti desconversou e disse ter saído do cargo na Pioneira antes de concorrer. Afirmou que, à época da licitação, “não sabia que a esposa concorreria, pois estava ali para ganhar”. Quando os deputados citaram a influência da família Constantino na Viação Piracicabana — vencedora de um dos cinco lotes do edital, assim como a Pioneira — também alegou desconhecimento. “No contrato social está o nome de alguém da família? Não sabia”, afirmou.

Sobre as ligações ao advogado Sacha Reck — citada pelo próprio em depoimento em 1º de outubro —, tido como a pessoa que tocou a licitação e pivô das investigações, confirmou ter tido contato duas vezes. Ao ser perguntado pelo relator da CPI, Raimundo Ribeiro (PSDB), o porquê de ter ligado para Sacha e não para os membros da Comissão de Licitação, disse ter entrado em contato com os outros também. “Minha equipe, tenho certeza, contatou o secretário de Transporte (José Walter Vázquez) e o presidente da comissão (Galeno Furtado Monte). Mas o Sacha Reck é nacionalmente conhecido como o papa da área e eu queria que ele me explicasse”, disse. A Viação Cidade Brasília acabou inabilitada por não transportar o mínimo de passageiros exigido pelo edital.

Guilherme Pera

Repórter de Cidades, graduado pela UnB. Acompanha atividades da Câmara Legislativa e bastidores da política local.

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Guilherme Pera
Tags: camara cpi investigação licitação transporte

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