Operação Panoptes: Polícias Civis do DF e de Goiás prendem integrantes da Máfia dos Concursos

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ANA MARIA CAMPOS

A Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (DECO) da Polícia Civil do DF chega nesta manhã (30/10) à segunda etapa da Operação Panoptes, que desarticula a chamada “Màfia dos Concursos” no Distrito Federal. Na ampliação das investigações, os policiais civis cumprem 5 prisões preventivas e 3 temporárias, 15 mandados de busca e apreensão e 8 de condução coercitiva.

Os investigados são integrantes da organização criminosa que, segundo a PCDF, é liderada por Hélio Ortiz, velho conhecido no país pelo envolvimento em diversos tipos de fraudes para ganhar dinheiro por meio de vagas em concursos públicos. Várias seleções realizadas no DF nos últimos cinco anos estão sob suspeição, além de vestibulares para medicina.

Entre os alvos das prisões preventivas desta segunda etapa, estão aliciadores de candidatos e um ex-funcionário do Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos), o antigo Cespe, responsável pela realização de vários concursos. Ele foi demitido justamente porque  surgiram indícios de que ajudou candidatos, em troca de pagamentos.

A investigação indica que ele fazia a troca das folhas de resposta dentro do Cebraspe. Ele preenchia o documento com o gabarito correto e digitalizava as respostas para favorecer candidatos que compravam a aprovação.

Enquanto a equipe da Deco vai às ruas nesta manhã, a Polícia Civil de Goiás também deflagra uma operação para desbaratar fraude no concurso para delegado do estado vizinho. A seleção foi promovida pelo Cebraspe. Pelo menos dois alvos da Panoptes são também investigados pelos policiais goianos.

A operação da Polícia Civil de Goiás, conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap), atinge 18 suspeitos em municípios de Goiás e dentro do DF.

Um dos presos em Goiânia já havia sido detido recentemente na Operação Patrick, relacionada a fraude na pirâmide financeira da venda de moedas virtuais denominada Kriptacoin. Ele será trazido para Brasília.

Ortiz está preso preventivamente desde 21 de agosto, quando foi deflagrada a primeira fase da Operação Panoptes. Ele já se tornou réu de denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), ajuizada em 8 de setembro, pelos crimes de organização criminosa, fraudes em certames de interesse público e falsificação de documento público.

A Operação Panoptes tramita na Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Àguas Claras. A investigação recebeu esse nome em referência ao monstro da mitologia grega que tinha 100 olhos.

Entre as fraudes detectadas, há principalmente quatro formas: utilização de ponto eletrônico por candidatos que recebiam as respostas dos integrantes do esquema; por meio de um celular escondido no banheiro com transmissão do gabarito oficial, além do envolvimento de bancas examinadoras. Em algumas situações, outras pessoas faziam a prova no lugar dos candidatos inscritos. Para isso, eles se apresentavam com documentos falsos.

Ortiz foi condenado pela Justiça Federal no âmbito da Operação Galileu, realizada pela Deco em 2005. O trabalho dos policiais civis do DF indica que ele nunca se afastou do esquema de fraude em concursos.

Ana Maria Campos

Editora de política do Distrito Federal e titular da coluna Eixo Capital no Correio Braziliense.

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