*Coluna Eixo Capital publicada por Ana Maria Campos neste domingo (25/10)

Posse no Palácio do Buriti
Celina Leão (PP) tomou posse como governadora, em 30 de março, com a desincompatibilização de Ibaneis Rocha (MDB) que pretendia disputar eleição ao Senado. No discurso, Celina deixou claro não ter participado de nenhum ato que levou à crise do BRB e prometeu investigações. Começou, assim, o trabalho para desvincular sua gestão da fraude BRB-Master. Suspendeu a festa do aniversário de Brasília e anunciou que investiria esses recursos na saúde.
Ibaneis desiste
Depois de um movimento para lançar candidatura ao governo pelo MDB que fracassou e em meio à repercussão da crise BRB-Master, Ibaneis Rocha (MDB) anunciou, em 8 de julho, a renuncia à pré-candidatura ao Senado. Disse que estava cansado e decepcionado. Passava por um processo pessoal delicado com a separação da ex-primeira-dama Mayara Noronha e estava rompido com Celina Leão. “Fiz a minha parte pela cidade que eu amo e que me deu tudo. Agora é hora de cuidar um pouco da minha vida. Vivi pandemia, cuidei de pessoas e agora preciso cuidar de mim”, afirmou.
Esquerda se divide
Os partidos de esquerda discutem uma possível união, mas o acordo não sai. Leandro Grass (PT) consegue apoio da federação PT-PV-PCdoB e do PSol e PDT. Ricardo Cappelli vai para a campanha como candidato pelo PSB
Candidatos registram suas candidaturas
Começa a campanha com 11 candidatos ao Palácio do Buriti: Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Kiko Caputo (Novo), Ricardo Cappelli (PSB), Samara Mineiro (UP), Professor Robson (PSTU), Elisson (Agir), Expedito Mendonça (PCO) e Rico Pinheiro (PRTB).
Campanha centra ataques a Celina
Durante todo o primeiro turno da campanha, Celina Leão é alvo de criticas dos adversários nos discursos, entrevistas e propaganda eleitoral. Nos debates, a governadora que busca a reeleição era bombardeada pelos oponentes. Mas também contra-atacava.
Registro negado
Segundo colocado nas pesquisas de intenções de votos, José Roberto Arruda (PSD) teve o registro negado por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF), com decisão confirmada por cinco votos a dois pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu partido, o PSD, anuncia apoio a Celina, mas Arruda pede que seu eleitor escolha entre os demais candidatos.
Primeiro turno
Em 4 de outubro, as urnas decidem. Celina Leão atinge 49,93% dos votos e não leva no primeiro turno por uma diferença de apenas 168 votos. Leandro Grass (PT) chega a 34,47%. Paula Belmonte (PSDB) fica em terceiro, com 8,51%; Kiko Caputo (Novo), em quarto, com 4,36%; Ricardo Cappelli (PSB), na sequência, com 2,23%. Os demais não alcançam 1%.
Apoios para o segundo turmo
Fora do páreo, candidatos declaram suas posições. Cappelli e o PSB vão com Grass. Kiko Caputo declara apoio a Celina Leão, assim como o PSD. Arruda pede que seus eleitores não votem em Celina. Mas dois de seus principais parceiros de campanha, Izalci Lucas (PL) e Alberto Fraga (PL), optam pela campanha à reeleição da governadora. Paula Belmonte declara neutralidade.
Lula e Flávio
Com a polarização nacional, Celina faz campanha com Flávio Bolsonaro e Leandro Grass com Lula. O candidato do PL saiu na frente no primeiro turno no DF, com 51,31% dos votos. Lula ficou com 38,11%.
Segundo turno
A campanha chega hoje ao segundo turno com Celina Leão favorita, de acordo com levantamentos em pesquisas. Mas a eleição só termina na apuração do último voto. Até lá tudo pode acontecer.
Só papos
“Não adianta nada o salário mínimo de R$ 1,6 mil se você dá com uma mão e tira com os nove dedos” – Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, no debate da Globo
“Quem perdeu o dedo com 17 anos fui eu, trabalhando de noite que não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir” – Presidente Lula (PT), candidato ao quarto mandato, no debate da Globo
Nomeação dois dias antes da eleição
O fato de a nomeação de Claudia Braga Tomelin para o cargo de procuradora-geral de Justiça ter ocorrido a dois dias do segundo turno das eleições surpreendeu integrantes do MPDFT. Interlocutores ouvidos pela coluna afirmam não se recordar de precedente semelhante na instituição. Nomeada pelo presidente Lula, na última sexta-feira, Claudia Braga Tomelin foi a mais votada na eleição interna do MPDFT, realizada em 6 de outubro, com 255 votos. O promotor de Justiça Libânio Alves Rodrigues recebeu 182 votos. Nos bastidores, a nomeação também é associada à influência de Georges Seigneur na sucessão. O atual PGJ encerra seu segundo mandato em dezembro, com a escolha de sua candidata. Nomeado por Jair Bolsonaro para o biênio 2022–2024 e reconduzido por Lula para 2024-2026, Seigneur transitou entre diferentes governos e teve capacidade de articulação testada em momentos decisivos para a instituição.
À Queima Roupa
Deputado Wellington Luiz (MDB), presidente da Câmara Legislativa, candidato à reeleição
O senhor defende a aprovação da proposta de emenda à Lei Orgânica que permite uma nova recondução à presidência da Câmara Legislativa. Como justifica essa mudança diante do entendimento do Supremo Tribunal Federal, que limita a uma única reeleição?
Estamos adequando a norma ao que o Supremo Tribunal Federal decidiu e que, hoje, é aplicado no Congresso Nacional. Tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Então, temos muita tranquilidade quanto a legalidade da medida.
O senhor está no segundo mandato consecutivo à frente da Câmara Legislativa. Pretende disputar novamente?
Essa proposta partiu dos colegas deputados. Ninguém pode ser candidato por si. Fiquei muito feliz com o reconhecimento deles, que participaram comigo desta presidência. É um gesto que retribuo com o compromisso que sempre tive com a Câmara Legislativa e com a população, que confiou mais um mandato ao nosso time. Então, estou às ordens para o que acharem melhor para a Câmara e para o DF
A proposta foi apresentada com o apoio de 15 deputados distritais de diferentes partidos. Quais argumentos foram levados em conta?
A proposta conta com a assinatura de 15, mas é apoiada por 16. O deputado Fábio Felix não conseguiu assinar a tempo, mas apoia a PELO e já firmou compromisso de voto. Os deputados levaram em conta o trabalho realizado com respeito e compromisso. Independentemente de ideologias, os parlamentares precisam ser respeitados. A Casa precisa ser valorizada. A população precisa ser respeitada.
A votação da proposta deve ocorrer após o segundo turno das eleições, em um cenário de possível vitória de Celina Leão ao Governo do Distrito Federal. Existe uma relação entre esse cenário eleitoral e o movimento para garantir sua permanência no comando da Câmara?
Eu estou trabalhando muito firme para que Celina seja eleita. Conheço a capacidade e o compromisso dela com o DF. Precisamos da competência e a sensibilidade dela no comando do Executivo. Mas os poderes são autônomos. Os deputados manifestaram um desejo da maioria do Legislativo.
Críticos podem interpretar a proposta como uma mudança nas regras para beneficiar um grupo político específico. As alterações atendem ao interesse público?
Os deputados são representantes da população e de seus interesses. A proposta veio de quem participa da nossa presidência. Parlamentares de todos os espectros políticos entendem que a continuidade da nossa forma de trabalho é positiva e benéfica.
Caso a proposta seja aprovada, quais serão os próximos passos para assegurar sua constitucionalidade e evitar questionamentos judiciais?
Os passos foram tomados na construção da proposta, assegurando os fundamentos constitucionais. Caso existam questionamentos, estamos certos de que estaremos amparados em uma legislação que segue os entendimentos do Legislativo Federal e do Supremo.
O senhor tem votos para aprovar a sua reeleição? Conta com quantos votos?
Falar no singular seria um equívoco. Temos uma aliança com propósito definido. Temos maioria e seguiremos unidos até lá.

