Entidades apontam que impacto no custo de produção será R$ 267 bilhões e aumentarão em 6% preços ao consumidor
Por SAMANTA SALLUM
Entidades que representam diversas atividades econômicas e setores empresariais, das micro a grandes empresas, ficaram alarmadas com a aprovação no Senado do fim da escala 6×1.
A maioria criticou a influência do período eleitoral no debate, que não considerou aspectos técnicos que apontam para: aumento do custo de vida, quebradeira de pequenos negócios e impossibilidade de manter produção e prestação de serviços até em áreas essenciais como a de hospitais, por falta de trabalhadores. As entidades esperam que a PEC seja revista para quê adequações sejam feitas para reduzir os impactos na economia.
O apelo eleitoral foi tão forte que fez o candidato a presidência senador Flávio Bolsonaro (PL) recuar de posição contrária e votar a favor. Presidente Lula (PT) apostou alto em todas as articulações para ser o pai da medida e conseguir os votos necessários no Senado.
Veja os posicionamentos após a aprovação 221/2019, em dois turnos, pelo Senado Federal:
CNI: “Demissões e inflação”
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou preocupante a aprovação da PEC que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece o fim da escala 6×1. Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada pelo Senado Federal causará perdas econômicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o país. Para a CNI, a mudança aprovada em pleno período eleitoral representa um retrocesso para o Brasil, que já sofre com baixa produtividade e falta de competitividade no mercado internacional.
CNC: “Todos perdem com o uso eleitoral do tema”
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lamentou que uma discussão de tamanha relevância para as relações de trabalho no Brasil, como o fim da escala 6×1, tenha sido conduzida em pleno período eleitoral.
“A entidade reconhece a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores, mas reafirma que mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo.A CNC reitera sua posição de que todos perdem com o uso eleitoral de um tema tão impactante para empresas, trabalhadores e para a economia do País.”
CACB: “Conta recairá sobre toda a sociedade”
A Confederação das Associações Comerciais do Brasil informou que respeita a decisão do Senado, mas considero preocupante a aprovação de uma proposta que põe fim à jornada de trabalho vigente sem um debate aprofundado sobre seus impactos no setor produtivo, especialmente nas micro e pequenas empresas.
“Reconhecemos a legitimidade dessa discussão, mas defendíamos que ela ocorresse após o período eleitoral, justamente para evitar que um tema de tamanha relevância fosse contaminado por interesses eleitorais e pela busca de votos. Esse tema não deveria ser uma emenda constitucional. Uma mudança dessa dimensão exige responsabilidade, diálogo e uma avaliação criteriosa de seus reflexos na economia, nos investimentos de quem empreende e na geração de empregos. E, ao final, a conta recairá sobre a sociedade brasileira”.
Abrasel: “Tragédia socioeconômica”
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes afirmou que a aprovação da PEC é uma tragédia socioeconômica. “Hoje, 15 milhões de pessoas trabalham em escala 6×1 e vão passar a trabalhar um dia a menos. Para manter a mesma oferta de serviços e cobrir esse dia, o país precisaria de mais 3 milhões de trabalhadores. Onde encontrar essa mão de obra? Certamente não há essa mão de obra sobrando. Vai ser um rouba-monte. Muitos bares e restaurantes vão fechar um dia adicional por semana, seja pelo aumento do custo, seja pela falta de mão de obra”.
Segundo a Abrasel, o momento seguinte será um aumento generalizado de preços. “O estabelecimento que quiser continuar aberto seis dias por semana terá alta de 20% nos custos. Nos prédios residenciais, o condomínio pode subir de 18% a 20% para manter a mesma estrutura de serviço. O mesmo vale para um conjunto enorme de atividades.”
UNECS : “discussão, feita de forma rasa, entrega o país ao colo do desconhecido”
A União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS) manifestou “consternação em relação à votação da proposição a 10 dias das eleições presidenciais.”
“A UNECS jamais se oporá às iniciativas voltadas à qualidade de vida e bem-estar dos trabalhadores. No entanto, a discussão, feita de forma rasa , entrega o país ao colo do desconhecido, num momento em que precisamos de razoabilidade e cautela em função daaproximação do período recessivo na economia.”
As alterações terão efeitos sobre os custos das empresas, a manutenção dos empregos, a contratação de trabalhadores e a continuidade das operações, especialmente nos segmentos que funcionam aos finais de semana e feriados.
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