Tapajós

El Niño coloca em risco escoamento da safra do Centro-Oeste por rios do Norte

Publicado em Coluna Capital S/A

No Tapajós — corredor estratégico para a safra de grãos —, a forte seca e falta de dragagem de manutenção pode interromper a navegação já a partir de setembro

Coluna Capital S/A

Por SAMANTA SALLUM

Os efeitos severos da estiagem associados ao El Niño, neste ano, irão colocar à prova a capacidade da Região Norte de escoar a produção agrícola brasileira por rotas mais curtas até os portos paraenses. Hoje, transportar uma tonelada de commodities por Barcarena, por exemplo, custa 10,87% menos do que pela rota de Santos. Mas a vulnerabilidade hídrica da região ameaça travar o avanço da competitividade da região na logística para o Agro e para Indústria.

A forte seca que reduz o nível dos rios deve ocorrer justamente no momento em que o setor precisa de previsibilidade para o escoamento. No Tapajós — corredor estratégico para a safra de grãos do Centro-Oeste —, a falta de dragagem de manutenção em trechos críticos pode interromper a navegação já a partir de setembro.

Decretação de estado de emergência

Diante do agravamento climático e do veto do governo federal a obras de drenagem, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) pediu ao governo estadual a decretação de situação de emergência para viabilizar intervenções pontuais.

O Governo do Pará declarou, na segunda-feira, situação de alerta climático e ambiental em todo o território estadual.

O governo federal vetou aumento de obras de drenagem na região devido a questões indígenas e ambientais.

Segundo a FIEPA, estimativas do setor indicam que até 5 milhões de toneladas de grãos podem deixar de ser escoadas pelo canal, que há riscos ao abastecimento de combustíveis na região e isso pode gerar prejuízos ao agronegócio.

“Precisamos de soluções operacionais imediatas, pois o prejuízo não será apenas do produtor ou da indústria do Pará, mas de toda a balança comercial brasileira e, sobretudo, da sociedade”, afirma o presidente da FIEPA e do Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alex Carvalho.

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