As unidades do Conjunto Nacional e do Taguatinga Shopping estão entre as que encerraram as atividades. Processo de reestruturação da empresa pode chegar ao fechamento de 300 pontos de venda do total de 1 mil
Por SAMANTA SALLUM
Enfrentando forte crise financeira, as Casas Bahia passam no momento por forte reestruturação. As demissões em todo país podem atingir 1,9 mil trabalhadores. Hoje muitas lojas amanheceram fechadas. Em alguns lugares, funcionários foram surpreendidos pela situação ao chegarem para trabalhar. A companhia recorreu à recuperação extrajudicial, em 2024, para prorrogar as dívidas e reduzir custos. O processo envolveu cerca de R$ 4 bilhões em obrigações renegociadas.
O grupo tem cerca de 1 mil lojas no país. E a estimativa era de fechamento hoje de 300. A Capital S/A apurou que a redução mais drástica da operação está ocorrendo hoje devido ao fechamento do último balanço financeiro da empresa. A divulgação dos resultados do segundo trimestre, inicialmente prevista para quarta-feira (12), foi adiada para hoje, podendo ser apresentada ao mercado até a manhã da próxima segunda-feira (17).
Por isso, a empresa explicou à coluna que não poderá informar, no momento, exatamente os números do impacto da decisão e quantas lojas estarão sendo fechadas. Mas confirmou que as unidades que hoje estavam de portas fechadas, como as do Conjunto Nacional e do Taguatinga Shopping, no DF, realmente foram desativadas.
O novo ajuste reflete o movimento de redução da rede física, reestruturação financeira e aposta nas vendas pelos canais digitais. Nos 12 meses encerrados em março, avaliando aberturas e fechamentos, o grupo fechou 26 lojas, foram 12 da bandeira Casas Bahia e 14 do Ponto Frio. Ao fim de 2025, eram 1.042 unidades, ante 1.064 um ano antes e 1.078 no fim de 2023.
A companhia vem acumulando prejuízos. No primeiro trimestre de 2026, registrou perda de quase R$ 1,1 bilhão, mais do que o dobro do resultado negativo observado no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o prejuízo líquido consolidado não ajustado atingiu cerca de R$ 3 bilhões.
O executivo Renato Franklin assumiu as Casas Bahia, em maio de 2023, para liderar toda essa reestruturação. Foi definida a estratégia “volta ao básico”. A empresa enxugou custos, elevou margens e aumentou a produtividade de 10 mil vendedores.
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