El nino

El Niño pode arrastar R$ 2.4 bilhões do setor atacadista no Brasil

Publicado em Coluna Capital S/A

Impactos incluem redução na produção agropecuária, aumento de custo de energia elétrica, dificuldades de escoamento logístico de produtos, e ruptura no fornecimento nos casos mais graves

Por SAMANTA SALLUM

Os impactos mercadológicos e financeiros que serão causados pelo fenômeno climático El Niño colocou em alerta o setor atacadista no Brasil. Em uma cadeia que representa algo em torno de R$ 616 bilhões em faturamento, o segmento de distribuição pode sofrer com impacto na ordem de mais de R$ 2,4 bilhões em valor. A projeção é de queda na margem de lucro entre 2% e 8% , uma vez que, seja in natura, seja na condição de produto processado, tudo o que é comercializado para alimentação, e em boa parte na composição de produtos de vestuário, higiene e mesmo de construção/decoração, vem da agropecuária.

Custo de energia e dificuldade logística

A análise do Innovation Capital Bank mostra que os impactos serão diversos, incluindo redução na produção agropecuária, aumento de custo de energia elétrica, dificuldades de escoamento logístico de produtos, e ruptura no fornecimento nos casos mais graves (trigo, por exemplo).

Inflação

Como consequência indireta, haverá o repasse para o consumidor, com potencial aumento da inflação de gêneros básicos a partir do final de 2026 (possivelmente algo em torno de 0,25 a 0,4 pontos percentuais adicionais no IPCA de 2026).

Monitoramento

“O setor atacadista distribuidor está acompanhando com muita atenção as projeções para o El Niño. Quando falamos desse fenômeno, não estamos falando apenas da produção agrícola, mas de toda a cadeia de abastecimento, que envolve logística, transporte, armazenagem e disponibilidade de produtos. O maior desafio será garantir que alimentos e demais itens essenciais continuem chegando ao varejo e ao consumidor, mesmo diante de um cenário climático mais adverso”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (ABAD), Leonardo Miguel Severini.

Os dados apresentados pelo relatório do INC BANK ao setor atacadista alertam para providências com objetivo de minimizar prejuízos. Não há como evitar o fenômeno climático, apenas se planejar para superá-lo. Entre as orientações, abastecimento prévio, acordos comerciais e logísticos, incremento das marcas próprias, otimização do uso de energia elétrica, e reforço de caixa para contenção das reduções de receita.

O presidente da ABAD aponta que o Brasil possui uma cadeia de distribuição robusta e preparada para responder a situações de crise, mas antecipação será fundamental. “Quanto mais cedo empresas, produtores e fornecedores planejarem estoques, rotas logísticas e alternativas de abastecimento, menores serão os impactos sobre o mercado e sobre a população”, reforçou.

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