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Executivo disse que “confia na sensibilidade do governo Lula” para dar o aval ao pedido de empréstimo. Citou situação dos Correios como mais complexa, mas que já recebeu ajuda. E comparou fraudes do esquema Master/BRB como mais escandalosas do que as do Lobo de Wall Street
Por SAMANTA SALLUM
O presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou à coluna Capital S/A que o impacto de uma liquidação do banco provocaria o equivalente a uma década de prejuízo à economia do Distrito Federal, atingindo áreas sociais prioritárias. Em números, calcula a perda de R$ 215 bilhões nos próximos 10 anos. “O impacto seria tão grande que significaria o retrocesso de uma década no desenvolvimento econômico da capital federal”, frisou. Acrescentou que iriam para o lixo, também, R$ 8 bilhões em dividendos que seriam pagos pelo banco nos próximos anos.
Nelson disse que “confia na sensibilidade” do presidente Lula para dar o sinal verde para o aval do Tesouro Nacional ao pedido de empréstimo do GDF ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O executivo foi presidente do Banco do Nordeste numa gestão do PT. Segundo ele, estão em jogo o futuro de16 programas sociais e de, no mínimo, 6 mil familias dos funcionários e aposentados do BRB.
Comparação com o socorro aos Correios
O BRB precisa de aporte de R$ 8,8 bilhões. O GDF busca R$ 6,6 bilhões de empréstimos junto ao FGC ou ao consórcio de bancos. A data-limite é 29 de maio. Na avaliação de Nelson, a solução para o BRB é bem menos complexa do que a operação que está sendo realizada pelo governo federal salvar os Correios, que têm um deficit crônico.
“O BRB está vivendo um problema momentâneo. Temos alta capacidade de recuperação. Será viável pagarmos o aporte de recursos. Já os valores investidos nos Correios não terão como serem recuperados”, explica.
Lobo de Wall Street
Sobre a auditoria concluída no BRB e entregue a PF, PGR, Banco Central e outros órgãos reguladores, Nelson prefere não dar detalhes.
“Mas o que vimos, nesse contexto todo do banco Master e do BRB, é que o Lobo de Wall Street é criança comparado ao que fizeram em termos valores e de número de pessoas prejudicadas”, comentou referindo-se ao escândalo do ex-corretor da Bolsa de valores americana que enriqueceu promovendo fraudes financeiras nos anos 1990.
Fundo da dívida ativa
O presidente do BRB informou que está em estágio avançado a criação, por parte do GDF, do fundo de investimentos da dívida ativa, que chega a R$ 52 bilhões. “Em 15 dias, já deve estar consolidado. E prevemos a cota sênior, a ser oferecida ao mercado financeiro das dívidas de mais rápida recuperação.” O valor chega a cerca de R$ 5 bilhões.
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