Endividamento do brasileiro atinge novo recorde em setembro

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Volume de famílias com contas atrasadas também alcançou marca histórica de 30%.

Por Samanta Sallum

O total de lares brasileiros com dívidas a vencer chegou a 79,3%, o terceiro aumento consecutivo em 2022. Pela primeira vez, está atingindo mais de 80% dos pobres. E o volume de consumidores que, em setembro, atrasaram o pagamento de contas chegou a 30%, o maior desde 2010. É o que aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

No entanto, a proporção do aumento de endividados, de 0,3 p.p em relação a agosto, desacelerou e é o menor desde abril deste ano. Na comparação com setembro do ano passado, também houve redução.

“É possível verificar que a melhora gradual do mercado de trabalho, as políticas de transferência de renda e a queda da inflação nos últimos dois meses são fatores que geram maior disponibilidade de renda para as famílias. Por outro lado, podemos observar que o alto nível de endividamento e os juros elevados afetam o orçamento das famílias de menor renda, ao encarecerem as dívidas já contraídas”, aponta o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Maior patamar da série histórica

Em setembro, a proporção de endividados entre os consumidores com renda inferior a 10 salários mínimos aumentou 0,4% e atingiu 80,3%, o maior patamar da série histórica da Peic.

No grupo de famílias com maior renda, a proporção de endividados manteve-se estável em setembro.

Inadimplência acelerou

Em setembro, o volume de consumidores que atrasaram o pagamento de dívidas atingiu 30%, o maior desde o início da Peic, em 2010.

Esse é o terceiro aumento mensal consecutivo da taxa, que evoluiu 0,4 p.p. Ao contrário do endividamento, que cresceu em ritmo menor, em um ano, o indicador de dívidas atrasadas expandiu 4,5%, a maior taxa anual desde março de 2016.

Mulheres endividadas em cartão de crédito; homens, em carnês de loja

O endividamento avançou 0,9 ponto percentual entre as mulheres, de agosto para setembro (eram 80%, agora são 80,9%), enquanto caiu ligeiramente entre os homens (0,1 p.p., de 78,3% para 78,2%).

No intervalo de um ano, as mulheres também contrataram mais dívidas do que os homens (aumento de 5,9 p.p. e 5,1 p.p., respectivamente).

As mulheres são as mais endividadas no cartão de crédito e no cheque especial, atualmente. Nas demais modalidades de dívida, como carnês de loja, crédito pessoal, financiamento de carro e casa ou crédito consignado, por exemplo, o público masculino é mais numeroso.

samantasallum

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