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6 de fevereiro, 50 anos da Ponte Costa e Silva

O calendário da capital federal guarda datas que ajudam a explicar como Brasília foi sendo moldada, tanto do ponto de vista político quanto urbanístico.

1961: a jovem capital e seus primeiros gestores

Em 6 de fevereiro de 1961, Paulo de Tarso Santos assumiu o cargo de prefeito de Brasília, nomeado pelo então presidente Jânio Quadros. A cidade tinha menos de um ano de inauguração e ainda vivia o intenso processo de estruturação administrativa, social e urbana.

Paulo de Tarso integrou o seleto grupo de administradores responsáveis por conduzir Brasília em seus primeiros passos institucionais, sucedendo nomes como Israel Pinheiro e Segismundo de Araújo Mello. Era um período marcado por improvisos, desafios logísticos e pela necessidade urgente de transformar um grande canteiro de obras em cidade funcional.


1976: obras que redefiniram a mobilidade da capital

Quinze anos depois, outro 6 de fevereiro ajuda a contar a história da expansão urbana de Brasília. Durante a gestão de Elmo Serejo Farias, nomeado governador do Distrito Federal em 1974 pelo presidente Ernesto Geisel, a capital passou por intervenções estruturais decisivas.

Em 1976, foram entregues obras que alteraram profundamente a dinâmica de circulação no Plano Piloto. Entre elas, destacam-se:

  • Viaduto de interligação da W3 Sul e Norte – uma solução de engenharia que rompeu o Eixo Monumental por meio de uma via rebaixada, conectando as duas principais avenidas da cidade.
  • Ponte Costa e Silva – uma das maiores obras viárias da época, ampliando a integração urbana e facilitando deslocamentos.

Essas intervenções ocorreram num momento em que Brasília precisava enfrentar problemas de moradia e pensar sua expansão para além do Plano Piloto, reafirmando-se como sede administrativa do país.


Elmo Serejo e a consolidação urbana de Brasília

Engenheiro de formação, Elmo Serejo deixou uma marca profunda na configuração urbana da capital. Seu legado vai além das grandes obras viárias e inclui decisões estratégicas para o lazer, a cultura e o crescimento ordenado da cidade.

Entre suas principais realizações estão:

  • Parque da Cidade Sarah Kubitschek – idealizado para ser um grande espaço verde de lazer e esportes, a criação do parque foi fundamental para impedir a ocupação da área pela especulação imobiliária.
  • Teatro Nacional Cláudio Santoro – inaugurado em 1979, em parceria com o presidente Geisel, consolidou Brasília como polo cultural.
  • Ceilândia – teve sua data de fundação oficializada em 1975 e recebeu, ao final da gestão, planejamento urbanístico com recursos destinados a saneamento, pavimentação, saúde, educação e transporte.

    Datas que contam a cidade

    O 6 de fevereiro revela como Brasília foi sendo construída em camadas: primeiro, pela urgência administrativa dos anos iniciais; depois, pela necessidade de infraestrutura, mobilidade e qualidade de vida. São episódios que ajudam a compreender não apenas a história da capital, mas também os caminhos escolhidos para que ela se tornasse o centro político e simbólico do Brasil.

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