Tecnologias e ameaças

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VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

Poucas vezes na história uma tecnologia avançou com tanta velocidade quanto a inteligência artificial. Da mesma forma, raríssimas foram as ocasiões em que os próprios criadores dessa tecnologia decidiram interromper momentaneamente a celebração do progresso para fazer um alerta à humanidade. Quando isso acontece, convém ouvir.

Geoffrey Hinton, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2024 e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento das modernas redes neurais artificiais, tornou-se uma das vozes mais contundentes ao advertir que a inteligência artificial poderá representar o maior salto tecnológico já produzido pelo homem e, paradoxalmente, um dos maiores riscos já enfrentados pela civilização. Não se trata de ficção científica nem de roteiro hollywoodiano. Trata-se da avaliação de um cientista que ajudou a construir exatamente aquilo que hoje teme.
Durante séculos, o homem criou ferramentas para ampliar sua força física. A máquina a vapor multiplicou músculos. O motor de combustão reduziu distâncias. A eletricidade transformou cidades. O computador acelerou cálculos antes impossíveis. A inteligência artificial, entretanto, inaugura uma etapa completamente diferente: pela primeira vez, cria-se uma ferramenta destinada a ampliar funções intelectuais. A diferença é gigantesca. As chamadas redes neurais artificiais procuram reproduzir, ainda que de forma simplificada, determinados padrões de aprendizado observados no cérebro humano. Em vez de apenas seguir regras previamente programadas, esses sistemas aprendem a partir de enormes volumes de dados, identificam padrões, formulam previsões e produzem respostas cada vez mais sofisticadas. O resultado já pode ser visto diariamente. A IA escreve textos, produz imagens, traduz idiomas, diagnostica doenças, auxilia pesquisadores, desenvolve novos medicamentos, controla processos industriais, interpreta exames médicos, conduz veículos, gerencia investimentos financeiros e participa até mesmo da formulação de estratégias militares. Estamos apenas no início.
” A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral” obra de Erik Brynjolfsson estimam que, nas próximas décadas, praticamente toda atividade econômica sofrerá algum grau de transformação pela inteligência artificial. A produtividade poderá aumentar de forma extraordinária. Custos serão reduzidos. Descobertas científicas poderão ocorrer numa velocidade nunca antes imaginada. Mas é justamente aí que reside o perigo. Toda tecnologia poderosa possui dupla utilização. A energia nuclear ilumina cidades e produz bombas atômicas. A engenharia genética salva vidas e pode produzir armas biológicas. A internet democratizou o conhecimento, mas também multiplicou crimes cibernéticos, fraudes financeiras e campanhas sofisticadas de desinformação. Com a inteligência artificial não será diferente.
Mais um alerta importante de Geffrey Hinton é de que sistemas cada vez mais inteligentes poderão ser utilizados para desenvolver vírus artificiais extremamente letais, acelerar pesquisas destinadas à produção de armas químicas ou biológicas, automatizar ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas e criar mecanismos de manipulação psicológica em escala jamais vista. Imagine programas capazes de produzir milhões de vídeos falsos absolutamente perfeitos. Imagine uma IA desenvolvendo novas moléculas tóxicas em poucas horas. Imagine sistemas militares completamente autônomos decidindo quem vive e quem morre sem qualquer intervenção humana. Nenhum desses cenários pertence mais exclusivamente à ficção.
Diversos governos investem bilhões de dólares em aplicações militares da inteligência artificial. Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Israel figuram entre os países que mais desenvolvem pesquisas nessa área. Paralelamente, organizações criminosas também começam a utilizar IA para golpes financeiros, clonagem de voz, invasões digitais e fraudes cada vez mais sofisticadas. A tecnologia é neutra. O uso jamais será.
Outro aspecto igualmente preocupante diz respeito à concentração de poder. Quem controlar os algoritmos mais avançados poderá controlar informação, economia, comunicação e até decisões políticas. Nunca tantas informações pessoais estiveram reunidas em tão poucas empresas ou governos. Cada pesquisa realizada, cada compra efetuada, cada deslocamento registrado pelo celular, cada fotografia publicada e cada conversa armazenada alimentam gigantescos bancos de dados utilizados para treinar sistemas inteligentes. Informação tornou-se poder. E poder concentrado sempre exige vigilância.
Existe ainda uma questão que raramente aparece nos debates públicos: a substituição gradual da autonomia humana. Quanto mais delegarmos decisões às máquinas, menor poderá tornar-se nossa capacidade de decidir por conta própria. Navegadores já escolhem nossas rotas. Algoritmos selecionam as notícias que lemos. Plataformas recomendam músicas, filmes, livros e até parceiros afetivos. Em muitos casos, sequer percebemos que nossas escolhas passaram a ser influenciadas por sistemas invisíveis. A liberdade não costuma desaparecer de forma abrupta. Frequentemente ela é substituída por conveniências. O risco maior talvez não seja uma rebelião de robôs, mas uma humanidade cada vez mais dependente de decisões tomadas por sistemas que poucos compreendem e quase ninguém controla. Esse debate exige serenidade.
A frase que foi pronunciada:
“Os robôs herdarão a Terra? Sim, mas serão nossos filhos”
Marvin Minsky

Quem foi Marvin Minsky?

Minsky foi um dos fundadores do MIT Computer Science & Artificial Intelligence Lab. Foi um matemático, cientista da computação e pioneiro na IA.

Morreu em 2016, tendo publicado dez anos antes o seu último livro, ‘The Emotion Machine: Commonsense Thinking, Artificial Intelligence, andthe Future of the Human Mind’.

O trabalho de Minsky é mencionado algumas vezes no livro ‘Algoritmosfera’, de @camilaaleporace. Uma das menções acontece na página 92, junto aos nomes de outros feras da robótica e da IA:

‘Existe um paradoxo que é o seguinte: enquanto uma variedade de tarefas consideradas difíceis para a cognição e ainteligência humana são desempenhadas com sucesso por sistemas artificiais –muitas vezes sendo capazes de jogar xadrez, ter bons resultados nos chamadostestes de inteligência, resolver tarefas de álgebra, teoremas e daí por diante– outras atividades, que acabamos considerando triviais ou ordinárias, sãoainda assumidas como muito complexas para serem executadas por sistemasartificiais. Encontram-se no grupo dessas tarefas algumas que mesmo um bebêpode protagonizar; dentre elas, ações relacionadas à percepção e à mobilidade.Essas questões desafiadoras para a IA foram aglutinadas sob o rótulo do chamado“Paradoxo de Moravec” (Dellermann et al., 2019) – pelo próprio Hans Moravec epelos roboticistas Marvin Minsky e Rodney Brooks’.

*fonte Instagram
História de Brasília
Com o dr. Afrânio Barbosa à frente da Novacap como presidente, bem que poderia ser resolvido o caso da iluminação sonora da praça dos Três Podêres que vem se arrastando desde o tempo do dr. Jânio Quadros. (Publicada em 22.05.1962)
Afrânio Barbosa da Silva (1914–2006) foi um engenheiro eletricista pioneiro que atuou na fundação de Brasília. Em 1962, como chefe do Departamento de Força e Luz (DFL) da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil, ele liderou a infraestrutura de energia que garantiu a funcionalidade da nova capital.
*Fonte DF Brasília
Circe Cunha

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