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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)
Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Historiadores brasileiros e mesmo aqueles intelectuais brasilianistas que dedicam seu tempo ao entendimento das questões de nosso país, tanto àquelas relativas ao passado, quanto as que estão a embaralhar o presente momento numa confusão sem pé nem cabeça, estão a ponto de jogar a toalha, renunciando à tarefa de projetar um possível cenário futuro para nosso país. Fica confirmada a antiga tese de que o Brasil não é para amadores, mesmo aqueles que mantém, por décadas, estreitos laços de intimidade com as ciências humanas.
Desde o processo de redemocratização, iniciado em 1984 com as “Diretas Já”, o Brasil vive sobre uma verdadeira montanha russa no que diz respeito à sua evolução rumo a um Estado democraticamente sólido e estável. Foram muitas as crises que abalaram o país desde que os militares deixaram, em definitivo, o Palácio do Planalto. Após a morte do presidente Tancredo Neves e sua substituição, ocorrida num ambiente de total incertezas, por José Sarney (1985-1990), o primeiro presidente civil depois de mais de duas décadas de fechamento político, foram sucessivas as tentativas, no campo da economia, de trazer os números da inflação dos 242%, registrados em 1985, para um patamar mais razoável, o que se revelaria uma missão impossível naqueles loucos anos. Quando terminou seu governo, a inflação rodava em mais de 1.972% ao ano e o país mergulharia numa profunda recessão.
Em 1987, era instalada a Assembleia Nacional Constituinte para redigir uma Carta substitutiva a de 1967, o que, de certa forma, provocaria um esvaziamento precoce do governo Sarney. Entre 1990 a 1992, o país é governado pelo mais novo presidente já eleito pelo voto direto, após o período militar e também um dos mais breves: Fernando Collor, que sofreu processo rumoroso de impeachment. Inflação alimentada, beirando os 1200% ao ano, e um confisco inédito das poupanças dos brasileiros empurraram o país para mais uma crise institucional de grandes proporções, que só seria sanada, em parte, com a posse de Itamar Franco, seu vice.
De 1992 a 1994, o mineiro Itamar Franco assume a presidência e governa num ambiente que mistura os números negativos de uma hiperinflação com a realização de uma série de plebiscitos reafirmando a opção dos brasileiros pelo presidencialismo, como sistema de governo, e pela República, como forma de governo. Com ele, é dado início ao Plano Real e o país pode respirar por alguns anos, dentro de um cenário de maior estabilidade e credibilidade.
Itamar Franco faria ainda seu sucessor na pessoa de Fernando Henrique Cardoso, seu ministro da Fazenda. Entre os anos de 1995 a 2002, Fernando Henrique assume a presidência e realiza um governo, em muitos aspectos, exemplar, tanto do ponto de vista econômico, quanto político. Com ele, o Plano Real foi consolidado e o país passa a viver, talvez, seu melhor momento político e econômico, principalmente no primeiro mandato. No segundo mandato, quando houve um crescimento significativo na sua reprovação pelos brasileiros, FHC não se empenhou em fazer seu sucessor, o então ministro José Serra. Preferiu abrir espaço e mesmo simpatias para a chegada de Lula.
O que viria a partir da chegada do Partido dos Trabalhadores explica, em boa parte, as seguidas crises que viriam dos dois mandatos de Lula e, posteriormente, no governo de Dilma que, de certa forma, projetou o cenário de crises que experimentamos.
Eleito com 57,7 milhões de votos, Jair Bolsonaro chegou ao poder contra várias pesquisas divulgadas e gastando menos do que qualquer candidato. Com oposição ferrenha, fenômeno que o PT não enfrentou, Bolsonaro e a luta contra a corrupção tentam vencer dois inimigos: o inesperado Coronavírus e os egos dos Poderes Legislativo e Judiciário. Isso mantém nosso País, tradicionalmente, na corda bamba da história, entre ensaios de decolagens planejadas e aterrissagens de emergência.
Para aqueles que procuram entender o Brasil dentro de uma linha histórica linear, como existente em outros cantos do planeta, fica a frustração em reconhecer que esse é um país surreal, onde história factual e a ficção escrevem mais um capítulo da política nacional.
A frase que foi pronunciada:
“O bem obtemos por nossa conta
Mas o mal nos prende, nos monta;
Quando certos, a verdade desponta:
Sempre o destino é quem apronta!”
La Fontaine, o poeta francês
Redesenhar
Esses assentamentos, como o Paranoá Parque, despertam uma tristeza imensa. O projeto arquitetônico rudimentar poderia ser embelezado com urbanismo e paisagismo. Não se vê uma árvore frutífera para alimentar os pássaros, nem flores para alimentar abelhas e borboletas.
Espertos
Lisboa está anos luz de distância da burocracia de Brasília. A cidade mais moderna do mundo não acompanha a tecnologia. Em Portugal, em qualquer agendamento com o governo, a comunicação é feita pelo WhatsApp, com bastante rapidez. Aqui em Brasília, qualquer solicitação da população é feita por telefone com quase 10 minutos de espera, além de 20 dias para encaminhamento.
Alvíssaras
Os Correios não se abateram com o Coronavírus. Para alegria de muita gente que passou a fazer compras online.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Bonita, a atitude do general Amaury Kruel, mandando recolher à garagem do Palácio Planalto os chapa brancas que trafegavam sem ordem sábado e domingo. (Publicado em 10/01/1962)
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Aos poucos, aquilo que os brasileiros mais ciosos temiam vai acontecendo, num crescendo inquietante e perigoso para o país e que, seguramente, irá nos remeter de volta à eterna marcha em círculos e para trás. Depois de tentar criar um partido para chamar de seu, onde pudesse dar as cartas conforme o humor de cada dia, o presidente da República convocou seus antigos aliados de volta, chamando o Centrão para dentro do governo, na tentativa de criar uma base parlamentar artificial e argentária para afastar o fantasma de um possível impeachment.
Esse grupo informal, composto por aproximadamente metade da Câmara dos Deputados, é formado por variadas siglas, cuja a maior característica passa longe de qualquer viés ideológico, exibindo tão somente uma capacidade impressionante de, como hospedeiro parasita, unir-se a todo e qualquer governo e dele extrair o máximo de vantagens possíveis, muitas delas, para dizer o mínimo, pouco éticas.
É a volta, triunfal, daqueles que nunca foram embora e que só estavam deixados de lado para eventuais necessidades, como é o caso do momento. Pelo perfil desse grupo expressivo, dá para se certificar que será, no máximo, o mais do mesmo, só que a preços exorbitantes, dado o momento de agonia geral e de pouca atenção a fatos dessa natureza que se acreditava página do passado para ser esquecida.
Nesse “novo” acerto, caberá ao Executivo o de sempre: a distribuição de cargos dentro da máquina pública, principalmente naqueles nichos onde os recursos são vultosos e as chances de reedição de um passado já conhecido é certa. O que se diz em período eleitoral é, para a maioria dos políticos brasileiros, para ser deixado de lado, assim que a urnas asseguram um mandato. O que havia de pior na política nacional, no dizer do então candidato, é agora tábua de salvação em meio às dezenas de pedidos de impedimento, até agora engavetados no parlamento. Na verdade, a possibilidade real desse processo fez a cotação do atual presidente subir muito. O preço cobrado para dar apoio a um governo, que parece instável, é, seguramente, alto.
O mapa da mina são os órgãos de segundo escalão. Personagens conhecidas dos brasileiros, por denúncias diversas de malversação de dinheiro público, estão de volta à cena ou, mais precisamente, aos bastidores, de onde passaram a indicar seus afilhados, todos, obviamente, com uma missão precisa a ser cumprida. É o que se pode chamar de escândalos anunciados em armação.
Depois do Covidão, em que recursos públicos, destinados ao combate ao coronavírus, vão sendo desviados para outros fins, o que se anuncia agora e para depois da pandemia, com essa reaproximação inepta, é a repetição de muitos atos tristes do nosso passado recente, mas que integram a fórmula do que se convencionou chamar de presidencialismo de coalizão, o que pode ser traduzido também por “é dando que se recebe”.
A lista de postos-chaves distribuída a esse grupo pantagruélico é extensa e vem aumentando a cada dia, à medida em que as pressões sobre o atual governo aumentam. É preciso reconhecer também que o preço cobrado, para pôr em funcionamento essa coalizão, aumenta cada vez que o próprio presidente abre a boca ou à medida em que a Polícia Federal avança nas muitas frentes de investigação contra o chefe do Executivo e sua família. Trata-se de uma reedição de uma novela já vista e que não agradou à população, justamente porque teve como desfecho a impunidade geral desses canastrões. De diferente nessa nova versão, tem-se que o militares, que estavam afastados da cena política desde a redemocratização, ver-se-ão necessariamente engalfinhados nesses escândalos vindouros.
A frase que foi pronunciada:
“Os fatos e as datas são o esqueleto da história; os costumes, as ideias e os interesses são a carne e a vida da mesma.”
G.M. Valtour, escritor francês do séc. XIX
Preocupante
Lago Norte, Guará e outras regiões enfrentam onda de dengue. Piscinas não tratadas, lotes abandonados… Falta de consciência ainda é a cultura. Os casos da doença aumentaram, chamando para uma intervenção definitiva. Fumacê é rejeitado.
Covid-19
Entre os dias 1º a 5 de junho, terá início a Testagem Itinerante em 17 áreas vulneráveis do Distrito Federal. Na Ceilândia, Paranoá, Sol Nascente, Brazlândia, Itapoã, São Sebastião, Estrutural, Recanto das Emas, Taguatinga e Arniqueiras. Algumas áreas da Zona Rural também serão atendidas. Veja o quadro completo a seguir.
Melhorias
Sol Nascente é uma região totalmente desprovida de urbanização. Crateras, lama ou poeira sempre foram dor de cabeça para os habitantes. Agora, a Região Administrativa começa a receber mais atenção das autoridades. Terraplanagem e pavimentação são prioridades naquela região.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Podia, isto sim, a Novacap utilizar o excedente de leite para fazer doces em sua fábrica ano Ipê. (Publicado em 08/01/1962)
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Sem a sensibilidade das mais altas autoridades, como tem sido largamente apregoado, será impossível superar a grave situação vivida pelo Brasil. Com essas correções pontuais ao texto do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, esse espaço humildemente se propõe a colocar numa ordem de coerência, dentro do que está por demais visto, o texto publicado nessa semana sob o título: “Limites e responsabilidades”.
De antemão, já é conhecido o exercício hercúleo que o general vem empreendendo, no espaço que lhe cabe, para recolocar o capitão reincidente e indisciplinado de volta à linha do bom senso e do comedimento. Está claro que a pandemia é um somatório de questões que vai da saúde, por seus efeitos sociais, atinge a área econômica, pela paralisação das atividades, chegando, na visão de Mourão, a alcançar a área da segurança, pelos reflexos que possivelmente trarão no aumento da violência, nas suas mais variadas formas.
Por isso mesmo é sistêmica. Mas ao contrário do que imagina o autor do texto, ela pesa sobretudo a um Poder em especial e, por uma razão até prosaica, nosso modelo de República de viés imperial. Jair Bolsonaro, ou a Constituição em pessoa, como ele se reconhece, confessa essa contradição de nosso federalismo e, por diversos meios, tem feito um exercício frustrado para enquadrar os governadores ao seu modo de governar. Ao contrário do que o senhor, a priori, imagina, a pandemia provocada pela Covid-19 não é, em sua essência, uma crise política. É isso sim uma crise de saúde pública e de gestão restrita à área de saúde. Também não pode ser combatida apenas pela ação do Estado, como tem sido largamente confirmada pela ação beneficente de empresas da iniciativa privada e pelos movimentos sociais de solidariedade existentes em muitas comunidades.
Talvez seja essa ideia de centralismo que tem dificultado uma ação mais coordenada por parte do Estado. O coronavírus encontrou, no Brasil, terreno propício para transmutar-se, evoluindo de organismo patogênico para uma enfermidade política sem precedentes. É fato que parecemos estar indo rumo ao caos por fatores que, diferentemente do que o senhor acredita, tem como sua origem centrada e conhecida por todos. É ainda um fato que o radicalismo desses tempos e sua filha predileta, a polarização extremada, foge das mesas de negociação e dos diálogos.
Por certo, a imprensa, com todo o poder que a comunicação lhe outorga, necessita, até constantemente, rever procedimentos, mas sem nunca abdicar da realidade, dos parâmetros racionais e até científicos, como tem sido o caso em muitos relatos. É também um fato triste a constatação de que vivemos tempos de degradação do conhecimento político, por parte daqueles que deveriam usá-lo de maneira responsável, e isso serve para todos indistintamente, a começar pelo presidente da República, o maestro e, afinal, responsável nesse momento pela grande orquestra desafinada que é o Brasil.
Ninguém pode contestar que, desde a promulgação da Carta de 88, os três Poderes vêm atropelando-se uns aos outros e isso denota, mais uma vez, os modelo tanto eleitoral quanto de indicação para as cortes. No entanto, é preciso ir com calma com relação ao desempenho do Ministério Público, de fato um grande avanço trazido pela Constituição, mas que o modelo centralizador de indicação dos procuradores vem deturpando.
Infelizmente, sob o ponto de vista da história do Brasil, a proclamação da República, como golpe efetuado contra a Monarquia Constitucional, não conseguiu depois de séculos levar o Brasil a um bom porto, o que tem custado muito caro ao País e à sua população. Também o prejuízo à imagem do Brasil no exterior, um fenômeno tão antigo quanto o país, vem sendo, sobremaneira, aumentado pelo desempenho confuso do atual governo.
É bem verdade que os governos passados muito mal fizeram aos brasileiros, sobretudo aqueles de esquerda, capitaneados por Lula e seus postes. Mas eles tiveram ao menos a esperteza de silenciar diante do que acontecia, o que dava a impressão de que faziam alguma coisa. O senhor, melhor do que ninguém, sabe que os efeitos de paralisação da economia, provocados pela pandemia, têm aspectos que vão desde a saúde da população a uma disputa política acirrada entre os diversos personagens em questão. Mas é fato também que o espírito belicoso e irascível do atual presidente, avesso a entendimentos, está na raiz desse problema. Por fim, nessa altura dos acontecimentos, é da concordância geral que fosse o senhor a liderar esse momento especial de crise, os desdobramentos positivos seriam outros e muitos mais necessários ao país.
A frase que foi pronunciada:
“Nenhuma coisa é mais própria do ofício de rei do que falar pouco e ouvir muito.”
Saavedra Fajardo, diplomata espanhol
Arte
Essa pandemia tocou direto na alma dos artistas. Atores, cantores, orquestras, poetas. Veja abaixo como fala a alma da prata da casa Adriana Bernardes. Crônicas e poemas para acalmar o juízo, como falaria o filósofo de Mondubim.
–> Desculpe a hora. Mas eu preciso te contar o que eu quero pra hoje. “…Quero dançar até o dia amanhecer!
Sentir o cheiro quente do perfume que exala do meu corpo misturado ao suor e à exaustão.
Sentar de frente pro mar, fechar meus olhos e esquecer do mundo!”.
Sabe o que mais quero pra hoje? Vem ver: O que eu quero pra hoje?
O blog: reboar.blogspot.com
Instagram: @rebo_ar
Iphan
Também ,a seguir, a manifestação recebida e assinada pelo Conselho Deliberativo do ICOMOS/Brasil sobre as recentes nomeações para a direção do IPHAN.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Não é só isto, porque um exemplo para as demais não será tão difícil, mas para fazer da Universidade de Brasília um verdadeiro centro de cultura e desenvolvimento do ensino superior, não é tarefa fácil. (Publicado em 07/01/1962)
ARI CUNHA
Visto, lido e ouvido
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Com a opção tomada por todos os candidatos à presidência da República de seguir à risca a cartilha dos marqueteiros políticos, o avivamento das discussões sobre os recentes escândalos da Lava Jato e suas consequências para a vida política do país foi, até o presente momento, completamente apagado dos debates. Não se vê ou ouve, por parte dos postulantes, qualquer menção a esses crimes, seus personagens e principalmente as nefastas consequências decorrentes dessa sucessão de delitos que arrastaram o Brasil para a mais profunda crise econômica e política de toda a sua história.
O mutismo em relação a esse mega fato se explica, em parte, porque ficou constatado que além do Partido dos Trabalhadores, que organizou com método todo esse esquema, praticamente todos os partidos estiveram direta ou indiretamente envolvidos nessa maracutaia. Para uma investigação dessa proporção, que permanece em andamento e possui ainda muitos de seus desdobramentos por acontecer, custa a crer que os candidatos ao cargo mais importante do Estado, a ela não façam qualquer referência, até mesmo para mostrar que esses fatos não irão mais se repetir.
Os mais graves crimes de corrupção precisam vir à tona e ser debatidos à exaustão, até que não sobre mais a mínima chance de que venham a ocorrer. As grandes manifestações de rua ocorridas em todo o país, exigindo o fim da velha política e da velha República, ainda reverberam seu clamor e exigem respostas à altura. A razão ensina que não se pode falar em projetos futuros, quando um assunto dessa gravidade não for devidamente discutido e encerrado. É preciso encerrar esse capítulo com os principais personagens e dirigentes do Estado, jogando o nome e o prestígio do país na lama e gerando mais miséria e insegurança.
Não chega a ser surpresa para ninguém que esse silêncio obsequioso faça parte de uma manobra que visa, sobretudo, reeleger os principais personagens desses crimes, na busca desesperada por prerrogativa de foro. Outros acreditam, e com boas razões, que, na virada do governo, haverá um grande acordo que será denominado de pacificação nacional, em que todos esses crimes serão esquecidos em nome de uma pressuposta união do país.
O que esse silêncio em torno desses crimes revela, aos ouvidos daqueles que sabem escutar, é que, o que está em marcha não é apenas a eleição de outubro, mas um amplo movimento que visa construir uma falsa nova república, erguida sobre os mesmos pilares corroídos pela ética.
Essas eleições trazem uma reforma de fachada de um velho prédio condenado a ruir. O estrondo provocado pelo colapso desse enorme edifício que ameaça em breve vir a baixo será a resposta natural a esse silêncio dos cúmplices.
A frase que foi pronunciada:
“Apesar de enfrentar uma ‘tempestade perfeita’, devido à conjunção de uma profunda crise econômica com uma das maiores investigações de corrupção da história, nos últimos 25 a 30 anos o Brasil realizou um tremendo trabalho de consolidação de sua democracia. Não cedam à tentação de colocar um candidato com tendências autoritárias na Presidência.”
Steven Levitsky, cientista político norte-americano.
Cortinas abertas
Nada como os detalhes para apontar comportamentos. No governo passado as cortinas do Palácio do Planalto estavam constantemente fechadas. Dia e noite, ninguém visualizava as salas com janelas para a Praça dos Três Poderes. Hoje é possível acompanhar os passos dos ocupantes, que não estão preocupados em ser vistos.
Receita Federal
Nas primeiras horas da manhã, o atendimento na Receita Federal, no Setor de Autarquias Sul, melhorou muito. Vigilância na entrada, atendentes prestativas, fila rápida.
Novidade
Grupos de WhatsApp são criados para que os voluntários nas eleições se comuniquem com os cartórios durante o pleito. Apesar do vídeo detalhado com o passo a passo, sempre há surpresas numa seção eleitoral.
Surpresa
Uma das surpresas foi a mesária que identificou a mesma criança no colo de várias mães. As eleitoras alugavam a criança para furar fila. Se por trás do voto há corrupção, não há o que reclamar do que vem pela frente.
Foice, martelo e picareta
Quando passar o tempo de eleição, o Plenário do Senado votará na proposta de ressarcimento pago pelos presos ao Estado por todo o gasto durante a privação de liberdade. Se não houver dinheiro, um tanto melhor. O detento pagará com trabalho. O autor do Projeto de Lei do Senado disse que esse é o caminho para combater o ócio, oficina das facções que infestam os presídios.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
O serviço era feito, anteriormente, pela firma Paulo Wettstein. O contrato foi denunciado, e passou a ser feito pela Prefeitura, pago pela Novacap. (Publicado em 31.10.1961)