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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Há datas que dividem a história. 14 de maio de 2026 pode ser uma delas. Nesta quinta-feira, enquanto a grande mídia europeia permaneceu em silêncio ensurdecedor, ocupada com escândalos de celebridades e boletins climáticos, o Banco Central Europeu (BCE) consolidou mais um passo decisivo rumo à implantação do euro digital: encerrou o prazo oficial para que prestadores de serviços de pagamento de todo o continente manifestem interesse em participar do projeto-piloto da nova moeda.
De Frankfurt, a máquina tecnocrática que governa o dinheiro de 350 milhões de europeus avança silenciosamente. E o silêncio, neste caso, não é inocente. O euro digital é apresentado ao público como uma inovação benigna: mais rapidez, mais segurança, mais inclusão financeira. O BCE repete como mantra que a nova moeda “preservará a liberdade de escolha e a privacidade dos europeus”. Mas há uma diferença fundamental entre o que os tecnocratas prometem e o que a arquitetura do sistema permite. E é exatamente nessa diferença que reside o perigo.
Diferente do dinheiro em papel ou mesmo dos saldos bancários digitais convencionais, que circulam entre bancos privados e possuem certa opacidade operacional, o euro digital será emitido diretamente pelo BCE e poderá, em tese, ser rastreado transação por transação, programado para expirar, bloqueado por decreto e condicionado ao cumprimento de critérios definidos por uma burocracia supranacional sem mandato eleitoral. Trata-se de uma capacidade técnica inerente à Moeda Digital de Banco Central (CBDC, na sigla em inglês), reconhecida pelos próprios documentos internos das instituições que a desenvolvem.
Mas o que significa, concretamente, “respeitar padrões de privacidade” quando a infraestrutura técnica permite monitoramento total? Significa, na prática, que o Estado só exercerá o controle quando quiser e quem decide quando quer é o próprio Estado. A promessa de privacidade de um sistema programável é, por natureza, revogável. Não é uma garantia: é uma concessão temporária.
Os grandes escritores do século XX foram profetas inadvertidos. George Orwell, em 1984 (1949), imaginou um regime no qual o controle não se exercia apenas pela força bruta, mas pela manipulação do que as pessoas podiam pensar, dizer e crucialmente possuir. O protagonista Winston Smith vive num mundo onde até a memória é confiscável. A novidade do nosso tempo é que o confisco pode ocorrer sem prisões, sem policiais na porta: basta um algoritmo que bloqueie sua carteira digital.
Aldous Huxley, em Admirável Mundo Novo (1932), foi ainda mais perturbador: seu pesadelo não era o terror explícito, mas a domesticação alegre. Os cidadãos do Estado Mundial não eram torturados, eram seduzidos. O controle funcionava porque as pessoas o queriam. Substitua o “soma” de Huxley pela conveniência do pagamento por aproximação e pelo cashback do aplicativo do banco central, e você terá uma atualização perfeita do romance para o século XXI.
Ayn Rand, em Atlas Shrugged (1957), obra que a Academia raramente perdoa por seu rigor intransigente, descreveu, com precisão cirúrgica, o mecanismo pelo qual Estados em colapso se apropriam da produção privada através de regulações progressivamente sufocantes. “Quando o dinheiro deixa de ser o veículo de trocas entre homens e se torna o instrumento para controlar os homens”, adverte um personagem, “prepare-se para uma sociedade de ladrões e escravos.” “Não são os tiranos que destroem os países livres. São os cidadãos que trocam liberdade por segurança ,e terminam sem nenhuma das duas.”
Philip K. Dick, em A Scanner Darkly (1977), e Margaret Atwood, em O Conto da Aia (1985), exploram variações do mesmo tema: sociedades onde o monitoramento total se disfarça de proteção.
O Estado que vê tudo justifica a vigilância pela ameaça de terrorismo, lavagem de dinheiro, evasão fiscal, pandemia, crise climática. Sempre haverá uma crise suficientemente grave para justificar mais um passo rumo ao controle absoluto. O euro digital nasce precisamente nesse caldo cultural: um continente assustado com desinformação, colapso bancário, criptomoedas “selvagens” e dependência do dólar americano. O medo é o melhor arquiteto da servidão voluntária.
Não por acaso, a China lidera o mundo na implementação de CBDCs com seu yuan digital (e-CNY), um sistema já integrado ao chamado “crédito social” em algumas regiões. A arquitetura do euro digital, claro, é apresentada como radicalmente diferente. Mas arquiteturas mudam quando os governos mudam. O código pode ser reescrito. As leis podem ser alteradas. O que não se reconstrói facilmente é a infraestrutura do controle, uma vez erguida.
Analistas independentes e economistas heterodoxos vêm apontando aquilo que os relatórios oficiais do BCE evitam nomear diretamente: a implantação massiva do euro digital representa, em essência, uma transferência histórica de poder dos cidadãos para a instituição emissora.
A frase que foi pronunciada:
“Você pode evitar a realidade, mas não pode evitar as consequências de evitá-la.”
Ayn Rand

História de Brasília
Um jornal que não me lembro qual foi, publicou uma nota da inspeção das autoridades aos blocos da Asa Norte, e uma foto que mostrava o sr. Pery, presidente do IAPC, dizia na legenda que era o representante da Capua & Capua… (Publicada em 18.05.1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)
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Mesmo antes de vir ao mundo, no caso aqui, ao Brasil, a moeda digital brasileira, também denominada Real Digital ou, simplesmente, Drex, já causa grande celeuma no mundo político. Nos últimos quatro anos, o Banco Central vem desenvolvendo internamente essa nova moeda, seguindo o exemplo de outros países, onde esse novo instrumento de pagamento parece ser a tendência atual.
A justificativa para a criação dessa moeda seria, de acordo com o BC, modernizar o sistema financeiro nacional, oferecendo maior segurança e inclusão, além de melhorar a eficiência das transações, reduzindo gastos operacionais, aumentando assim a transparência. O ponto de desafio que temos hoje no piloto é justamente a privacidade. “Trazer, para essa tecnologia descentralizada, os mesmos requisitos de privacidade, de sigilo bancário que hoje já temos em qualquer meio de pagamento digital, pix, TED, cartão de crédito e outros mais.” Explica Aristides Cavalcante, chefe do escritório de inovação e cibernética do Banco Central.
De acordo com o BC, apesar das aparências, a nova moeda não é uma criptomoeda, já que, ao contrário do Bitcoin, ela irá possuir uma autoridade reguladora central, sendo diretamente supervisionada pelo BC, em conformidade com o que estabelece a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Aqui se fala também numa tal de inclusão financeira, o que obrigaria as pessoas a possuir uma conta bancária para negociar com o Drex.
Ocorre que diante dessa nova maravilha da tecnologia, que está sendo gestada por muitas mãos, esse novo modelo de pagamento servirá como uma luva de instrumento de vigilância estatal, censura e controle social, como já é feito em países como a China. O fato é que muitos estão acreditando que, com a chegada do DREX, a tal inclusão financeira irá resultar numa exclusão de todos aqueles com acesso limitado a tecnologias da Internet e sem vinculação com bancos.
Políticos da oposição já estão se movimentando para fazer frente a essa nova tecnologia, pelo menos até que todos os detalhes da novidade estejam clarificados. Há o temor de que o fim do papel-moeda acabe também com a liberdade econômica das pessoas. O controle do Banco Central ajuda na elaboração de teses de que o Drex trará consigo a imposição de restrições ao cidadão brasileiro, sempre que ele contrariar as disposições do governo central, transformando a vida do cidadão num arremedo do que se lê em obras que retratam o advento de um mundo distópico como é o caso de “1984” de George Orwell.
O nascimento dessa nova moeda vem na esteira da atual cena nacional, onde muitas pontas de fio solto vão sendo unidos bem debaixo do nariz de todos. A perseguição a direita, a unificação das forças de segurança sob o comando do governo central, a censura às redes, além da discussão sobre a regulação das mídias a ser feita no próximo dia 27 pelo Supremo indicam a existência de um nítido cerco às liberdades individuais, cujo Drex seria apenas a cereja do bolo.
A intenção de muitos políticos dentro do Congresso é que a implementação do Drex só aconteça após a aprovação de 60% dos votos de cada Casa. Para tanto, já apresentaram uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para que o Drex e a extinção do papel-moeda só ocorra depois de amplos debates e aprovação majoritária dos congressistas. Por enquanto, é fake que o Drex venha a substituir o dinheiro vivo. O que os oposicionistas almejam é que esse novo bitcoin oficial do Estado não sirva para controlar a vida de cada cidadão. Por mais que o governo tente explicar que o Drex não trará espécie alguma de ditadura financeira, beneficiando os defensores e punindo os oposicionistas, o fato é que a dúvida cresce.
As possibilidades de controle financeiro por parte dos governos de plantão, são reais e vão desde vigilância do Estado, limitação dos gastos, geolocalização dos gastos, cobranças antecipadas de impostos, bloqueio de contas, retenção de dinheiro por motivos políticos, impedimento de transações, punições financeiras e uma infinidade de outras possibilidades que acenam para o controle total do Estado sobre os cidadãos. Aos olhos dos observadores o que se tem até o momento é a chamada incubação de um verdadeiro ovo da serpente.
A frase que foi pronunciada:
“Na parte do rastreio nós não estamos procurando inovar, o Drex tem outras características além do sistema de blockchain. Ele foi feito para o ambiente público então o rastreamento não é esse o foco do Drex. A gente não está construindo essa plataforma porque é mais fácil rastrear transação. A gente está construindo essa plataforma porque é mais fácil de você compor serviços de diferentes provedores. Então eu posso ter uma parte do contrato feita por uma fintech especializada num assunto junto com outra fintech especializada em outro assunto. Eu junto esses dois contratos para fazer um produto final para o consumidor. É esse tipo de flexibilidade que a tecnologia de hoje nos permite.”
Fábio Araújo, coordenador da iniciativa do Real Digital na live BC
História de Brasília
Os prédios do Banco do Brasil na superquadra 114, em número de 6, tiveram a estrutura feita pela firma Graça Couto. O contrato era para entregar a estrutura de todos os prédios em 80 dias, e com 75 dias de trabalho a encomenda estava entregue. (Publicada em 21.04.1962)

