Venezuela: quando o colapso de um regime ameaça ultrapassar fronteiras

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Nicolas Maduro. Foto: @RapidResponse47

Há momentos na história em que fingir neutralidade deixa de ser prudência e passa a ser irresponsabilidade. A crise venezuelana chegou a esse ponto. O regime de Nicolás Maduro, sustentado pelo autoritarismo, repressão e atividades ilícitas, aproxima-se de um desfecho que, embora esperado, não será simples nem indolor. E o que menos se discute no Brasil é que a queda desse regime não encerrará o problema e pode, ao contrário, empurrá-lo para dentro de nossas fronteiras. A Venezuela não se tornou o que é hoje por acaso. O chamado “socialismo do século 21” não fracassou por erro de cálculo, mas por coerência com sua própria lógica.

Ao longo de anos, o Estado foi desmontado, peça por peça: instituições neutralizadas, imprensa calada, Judiciário submetido, economia transformada em instrumento de submissão política. O resultado está à vista: hiperinflação, miséria generalizada, serviços públicos colapsados e um dos maiores êxodos populacionais do nosso tempo. Para se manter de pé, o regime fez escolhas claras. Aliou-se a organizações criminosas, incorporou o narcotráfico à engrenagem do poder e converteu parte das Forças Armadas em atores do submundo. Não é exagero falar em narcoestado. É a constatação de um modelo em que a ilegalidade deixou de ser exceção e passou a ser método de sobrevivência política.

Não se trata de criminalizar o povo venezuelano, que é vítima direta dessa tragédia, mas de reconhecer que estruturas criminosas não migram por razões humanitárias. Elas se deslocam para sobreviver. O país que já convive com facções transnacionais, tráfico de armas, domínio territorial de grupos armados e índices alarmantes de violência, não pode se dar ao luxo da ingenuidade estratégica. A postura do governo brasileiro, até aqui, beira a negação. Não há debate público consistente sobre reforço de fronteiras, cooperação internacional real, triagem rigorosa de fluxos migratórios ou preparação das forças de segurança para um cenário de pressão externa do crime organizado. O discurso oficial oscila entre o silêncio e um humanitarismo abstrato que ignora riscos concretos. Acolher refugiados e proteger a população não são objetivos incompatíveis.

Países sérios fazem as duas coisas ao mesmo tempo. O que não fazem é fingir que toda crise externa termina na linha imaginária da fronteira. Quando o Estado se recusa a enxergar o problema, ele apenas transfere o custo para a sociedade, especialmente para os mais pobres, sempre os primeiros a sentir os efeitos da violência. A queda de Maduro, quando ocorrer, marcará o início de um acerto de contas interno na Venezuela: julgamentos, expurgos, disputas e ajustes inevitáveis. Nesse contexto, a fuga de agentes comprometidos com crimes de Estado será tão previsível quanto perigosa. Ignorar esse cenário não é neutralidade, é omissão. O Brasil precisa recuperar a visão de Estado e abandonar a confortável ilusão de que crises alheias não nos dizem respeito.

A Venezuela foi arruinada por decisões políticas conscientes e erradas. Permitir que os destroços desse projeto autoritário contaminem ainda mais a já frágil segurança brasileira seria um erro histórico, cometido não por ação, mas por covardia política diante da realidade. Em uma recente entrevista transmitida na virada do ano, Maduro declarou estar disposto a dialogar “seriamente” com os EUA sobre temas como narcotráfico, petróleo e, até, imigração. Algo inédito no tom, embora tenha rejeitado acusações de que a Venezuela seja um narcoestado e culpado o governo colombiano pela maioria das remessas de drogas na região.

Essa postura de nuance ocorre em meio a relatos de aumentos nos preços e dificuldades econômicas da população, que vive “dia a dia”, com a intensificação das sanções e a deterioração dos serviços públicos, um quadro que alimenta tanto a insatisfação popular quanto a narrativa de proximidade de uma ruptura política mais profunda. Fontes jornalísticas e de inteligência indicam que o governo Trump está elaborando planos para diferentes cenários de transição política na Venezuela, inclusive, opções que vão além de simples pressão diplomática ou econômica. Embora uma invasão convencional seja oficialmente negada, há um aumento claro na presença militar estadunidense na região e um discurso mais assertivo sobre a necessidade de mudança de regime em Caracas.

Analistas também têm destacado que a oposição venezuelana e grupos de exilados apoiam medidas cada vez mais duras contra o governo Maduro, inclusive pressionando por ações que possam acelerar sua saída do poder numa situação que aprofunda tensões e polariza, ainda mais, a sociedade venezuelana. Governos aliados tradicionais, que antes lhe davam suporte político e logístico, agora veem sua capacidade de manter o status quo seriamente abalado. A pressão internacional é mais intensa, e o desgaste político doméstico é palpável. O resultado disso ainda não é certo, um processo de transição negociado, uma crise aberta com mudança abrupta de poder ou até mecanismos complexos que deixem o regime enfraquecido, mas ainda funcional, são todos possíveis. Mas a realidade factual é que o cenário de estabilidade do regime venezuelano está se esvaindo rapidamente, e a comunidade internacional está cada vez mais envolvida na definição do que virá a seguir. Sobretudo, o que virá sobre o Brasil.

 

A frase que não foi pronunciada:

“Por tudo que nós conversamos, a sua narrativa é infinitamente melhor do que a narrativa que eles têm contado contra você”.
Lula a Maduro

Foto: Reprodução

“Insanidade das guerras”

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SOPA Images/Getty Images

 

          Em todo o tempo e lugar, ao longo da história da humanidade, temos assistido a repetição de táticas promovidas por Estados colapsados por governos ineptos, que, em lugar de buscarem a correção de rumos internos, optam por comprar brigas além de fronteiras, acreditando que, com isto, não só desviarão a atenção da população para as crises locais como conseguirão obter apoio de seus cidadãos para um guerra despropositada.

         Esse foi o caso da ditadura argentina, que, para esconder o fracasso de décadas de regime autoritário, comprou uma briga desnecessária com a Inglaterra pela posse das Ilhas Malvinas, em 1982. A Argentina massacrada e o governo militar encerrou seu ciclo.

         O mesmo se sucede agora com a Venezuela, um país arrasado pelo socialismo do século XXI e governado por uma ditadura ligada ao narcotráfico internacional. Maduro, como todo ditador maluco, resolveu, com seus generais, todos eles listados por crimes diversos pela Interpol, invadir Essequibo, na Guiana. Os motivos reais são os mesmos, ou seja, desviar a atenção daquela parte da população que ainda não fugiu do país, em razão do inferno interno criado por essa quadrilha no poder.

         Caso essa invasão venha a ocorrer de fato, o que já era ruim para os tiranos da Venezuela, pode render um conflito generalizado naquela região, com repercussões sobre o Brasil e outros vizinhos e até um apoio velado do Palácio do Planalto nessa questão, sendo que o conflito possa atrair a atenção e intervenção dos Estados Unidos, pondo fim ao governo autoritário de Maduro e de seus comparsas.

          Lembrando ainda que, além de armamentos comprados da Rússia, também a Venezuela é assessorada por militares russos e cubanos, doidos por um conflito naquela parte da América. De certo modo, a mesma tática de comprar briga além da fronteira ocorreu no caso envolvendo o Hamas e Israel. A falência generalizada de Gaza, promovida única e exclusivamente pelo controle exercido pelo Hamas contra a população palestina, levou esse grupo a comprar mais uma briga com as forças de defesa de Israel, não só para desviar a atenção interna da crise humanitária que impôs àquele povo, como de quebra buscou obter apoio da população para esse conflito, confiando também que a guerra ganharia em escala e envolveria muitos países daquela região.

         Não conseguiu, até agora, envolver diretamente outros países no conflito, além de ter provocado a destruição quase completa de toda a parte central de Gaza, com milhares de mortos e prejuízos incontáveis. O conflito armado por esse grupo terrorista contra Israel pode também, nesse caso, resultar no fim do controle do Hamas em todo o território de Gaza. O que seria uma boa solução tanto para palestinos como para judeus. O que poderia ser aprendido em todas essas histórias, daqui e de além mar, é que o governo militar, e não argentinos, queriam guerra com a Inglaterra, pois sabiam das consequências. O governo e não os venezuelanos querem invadir Essequibo, pois já vivem no inferno e não querem mais sofrer. Do mesmo modo, os terroristas do Hamas, e não os palestinos, queriam mais guerra contra Israel, pois já conheciam os resultados que viriam.

         Nenhum povo, de posse de sua sanidade, deseja brigar com vizinhos, pois sabem que, nesses casos, onde a briga é sempre arranjada por governos tirânicos, quem irá morrer no campo de batalha é sempre o mesmo e pobre indivíduo que já sofria antes.

A frase que foi pronunciada:

“Em cada guerra há a destruição do espírito humano.”

Henry Muller

Henry Muller. © Henri Martinie / Roger-Viollet

 

Humanizado

Importante trabalho do GDF chega em Planaltina. Sem cobrar dos interessados, uma unidade móvel do projeto Castra DF tem mil vagas disponíveis para gatos e cachorros. Bem melhor que legalizar o aborto para animais. Só para os racionais.

 

Leitura

Com uma leitura fluida, o Cordel chega nas escolas de Taguatinga. Bonito ver a criançada consumindo a cultura brasileira.

Foto: radardigitalbrasilia.com

 

Cerrado

Estranha a construção daquela praça perto do Iate Clube. No meio do nada, com coisa nenhuma, em um lugar com transporte público precário.

Captura de imagem em junho de 2023, no Google Street View.

História de Brasília

Diversos bueiros da avenida W-3 estão sem tampão, o mesmo acontecendo no Eixo Rodoviário. Próximo ao IAPFESP, há um bueiro no ponto de ônibus, e os veículos fazem ginástica para não caírem nele, ou impedem a pista da direita, enquanto recebem passageiros. (Publicada em 24.03.1962)

Aos nossos irmãos venezuelanos

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Foto: reprodução

 

Imagem que corre nas redes sociais, e que fala mais do que mil palavras, mostra um comerciante venezuelano fotografado atrás do balcão de seu estabelecimento em duas ocasiões diferentes. As fotos, colocadas lado a lado, chamam a atenção pela discrepância entre uma e outra. Na primeira foto, datada de 1998, o comerciante aparenta estar mais saudável. Atrás de si, veem-se algumas prateleiras de seu pequeno comércio, abarrotadas de uma grande variedade de produtos das mais variadas marcas, o que denota que esse pequeno empresário vivia um bom momento no seu negócio e, quem sabe, em sua vida pessoal.

Na segunda imagem, postada ao lado, e captada pelo mesmo ângulo, mas com a data de 2008, esse empreendedor já aparece bem mais magro e visivelmente abatido. Seus olhos já não miram a lente da câmera como antes, mas parecem perdidos muito além, como se ultrapassassem toda aquela cena, indo perder-se em algum lugar, longe de tudo. Nessa nova fotografia, chama a atenção o fato de que seu estabelecimento comercial exibe, agora, prateleiras completamente vazias, com a exceção do que parecem ser uns poucos saquinhos de sal.

O empobrecimento patente desse personagem anônimo retrata, de forma cruel, duas realidades distintas e discrepantes. Seria impossível acreditar que se trata de um mesmo personagem, num mesmo ambiente. Que espécie de tornado ou furacão havia flagelado tão brutalmente aquele local? Os estragos provocados na economia, na sociedade, na política e na vida pessoal de cada um desses nossos vizinhos, que permaneceram naquele país por falta de alternativas, chocam não só pela crueldade a que foram relegados, mas, sobretudo, pela indiferença de um governo nitidamente criminoso, apoiado pelas forças das armas e pela violência de grupos paramilitares.

Essa é uma realidade que está às nossas portas, bem debaixo de nosso nariz, mas que, por questões paralelas, fingimos não perceber. Esse esquecimento, favorecido pelos problemas que também enfrentamos nesse lado da fronteira, nesses tempos de pandemia, só é quebrado quando duas fotografias, navegando displicentes, surgem boiando no oceano sem fim das redes sociais. São imagens que cutucam as pessoas por dentro, lembrando que eles ainda estão do outro lado da fronteira, experimentando um tempo de trevas em sua história recente.

Fotografias como essas têm o poder de, silenciosamente, mostrar a realidade de um país inteiro ferido de morte, pelas mãos de ferro de uma camarilha comunista e corrupta. Dessas fotos, capazes de ilustrar qualquer livro de história sobre o assunto, fica ao menos o alerta de que passamos por um fio de sermos os próximos.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Bom não é ser importante. O importante é ser bom..”

Max Weber, intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia.

Max Weber. Foto: wikipedia.org

 

Vai entender

Acompanhar um paciente que precisa de receita para a retirada de medicamento de alto custo é bastante cansativo. Paciente idosa, com problema crônico de saúde, saiu de Sobradinho, colocando a vida em risco para buscar a receita. O hospital só atende às terças e os casos mais graves às quintas. Ao chegar no HRAN, foi barrada. Sem profissional para aviar a receita, a resposta do hospital foi a seguinte: Estamos sem água.

Foto: sindsaude.org.br

 

Ouvidoria
Mas quando se quer achar o lado bom das intempéries, basta ter olhos para ver. André Luis, da ouvidoria do HRAN, é um funcionário com paciência e extrema vontade de resolver os problemas.

 

Super elogiado

Por falar em HRAN, é preciso registrar o valioso trabalho do Dr. Francisco Aires Correa Lima. Querido por todos os pacientes, é o tipo de médico que todos oram para que sempre tenha saúde e nunca pare de clinicar.

 

Pela beirada

Perguntaram ao Einstein como seria a Terceira Guerra Mundial. Ele respondeu: A Terceira eu não sei, mas a Quarta, com certeza, seria com machados e pedras. Isso foi mais ou menos na mesma época em que o Sr. Xi Zhongxun estava sonhando em ter um filho que dominasse o mundo.

Xi Zhongxun. Foto: wikipedia.org

 

Hora de mudar

Das 247.232 manifestações registradas na Ouvidoria do GDF, apenas 3.650 cidadãos conseguiram atendimento. É um número vergonhoso para um órgão com uma folha funcional gigantesca e arrecadação monstruosa. Por esse pequeno exemplo, é possível observar que os impostos pagos não trazem a contrapartida em serviços devidos aos contribuintes. Veja no link: Ouvidoria em Números.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Alguns postos de Brasília continuam se negando a vender gasolina azul. Cabe aos usuários selecionar os postos de serviço, preferindo os que prestam, naturalmente, mais atenção ao cliente (Publicado em 11/01/1962)