O mundo nos observa com olho vivo

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Charge do Thyagão para o Diário do Nordeste

Loucura é você recorrer e insistir nos mesmos procedimentos e vícios do passado, na espera de que haja novos e melhores resultados. Com essa fórmula, fica quase explicado o fato de o Brasil aparecer na 107ª posição, entre 182 países, no ranking global de percepção de corrupção (IPC) de 2025, elaborado pela Transparência Internacional. Ou seja: a pior posição em décadas. Vis a vis a pretensa importância que o país possui na área econômica e nas relações comerciais com o mundo, ainda somos um país primitivo e subdesenvolvido quando o assunto é suborno, desvio de dinheiro público, captura do Estado por elites, impunidade, transparência institucional e eficácia do Judiciário (dados colhidos pela Transparência Internacional para a elaboração da classificação por países).

Fazer pouco de trabalhos desse tipo, que expõem as nossas mazelas e acabam de espantar a atração de investimentos, de nada adianta. Negativismo nunca fez bem. O fato é que sem encarar o problema – e encarar com honestidade -, continuaremos como estamos agora, na rabeira dos índices mundiais, sejam eles de corrupção, educação, IDH e outros quesitos. O que temos que admitir, embora muitos tentem dizer o contrário, é que vamos mal nessa travessia do século XXI e que também já vínhamos mal desde séculos passados. Com isso fica a confirmação de que estamos repetindo as mesmas fórmulas de sempre, querendo forçar uma realidade que, de fato, não existe, mas que é divulgada oficialmente.
Rankings internacionais, são como voos de pássaros. Vêm a coisa de cima e como um todo, distante de ideologias e das pressões políticas de toda a ordem. A fórmula atribuída a Albert Einstein encaixa-se com desconcertante precisão no momento brasileiro. Persistimos nos mesmos vícios administrativos, nas mesmas práticas patrimonialistas, na mesma confusão entre Estado e governo, e ainda assim nos surpreendemos quando os resultados são, reiteradamente, medíocres ou desastrosos.
O dado da Transparência Internaciona não é fruto de retórica oposicionista nem de conspiração internacional: é o retrato construído a partir de análises técnicas, avaliações de risco e percepções de agentes econômicos e institucionais ao redor do planeta. Rankings dessa natureza funcionam como um sobrevoo: não captam apenas episódios isolados, mas padrões persistentes. Minimizar essa importância ou desqualificar os autores não altera o fato essencial: o mundo está nos olhando. E o que vê não é animador.
O problema central não é apenas a corrupção como prática criminosa individual. É algo mais profundo e estrutural: a mentalidade que coloca o Estado acima da população, como se os direitos constitucionais de cidadania (como dito) fossem concessões graciosas do poder e não garantias fundamentais inerentes à própria ideia de República. Quando o aparelho estatal se converte em instrumento de perpetuação de grupos, quando cargos são distribuídos como moeda política, quando a máquina pública se torna extensão de projetos pessoais ou partidários, instala-se uma cultura que naturaliza a distorção.
Nessa lógica, o contribuinte deixa de ser o financiador legítimo do Estado para se tornar súdito de decisões tomadas em gabinetes blindados. O resultado é previsível: a confiança nas instituições se deteriora. E confiança, em qualquer economia moderna, é ativo central. Sem ela, não há investimento sólido, não há planejamento de longo prazo, não há previsibilidade jurídica. Em um mundo hiperconectado, inconsistências de informações governamentais não ficam restritas ao debate doméstico. Elas atravessam fronteiras em questão de minutos. A tentativa de fabricar uma “normalidade positiva” por meio de acrobacias estatísticas pode produzir dividendos políticos momentâneos, mas cobra preço elevado no médio e longo prazo. A credibilidade, uma vez perdida, não se recompõe por decreto.
O Brasil gosta de se apresentar como potência regional, protagonista emergente, ator relevante nas grandes mesas de negociação internacional. De fato, possui mercado robusto, vastos recursos naturais e posição estratégica no comércio global. No entanto, essa pretensa importância econômica contrasta com a fragilidade institucional exposta por rankings de corrupção, falta de transparência, educação e desenvolvimento humano. Não se trata de complexo de inferioridade, mas de coerência.
Países que aspiram protagonismo global precisam demonstrar maturidade institucional, estabilidade regulatória e compromisso inequívoco com a integridade pública. Há quem defenda que classificações internacionais são enviesadas ou politizadas. É uma hipótese confortável. Contudo, investidores globais, agências de classificação de risco, fundos soberanos e empresas multinacionais não tomam decisões bilionárias com base em simpatias ideológicas. O que ocorre em Brasília, São Paulo ou qualquer capital estadual é analisado em Nova York, Londres, Frankfurt e Tóquio quase em tempo real.
Admitir que “vamos mal” não é exercício de pessimismo, mas de honestidade intelectual. O caminho alternativo é mais árduo, porém indispensável: fortalecer mecanismos de controle, garantir autonomia real às instituições fiscalizadoras, aprimorar a transparência orçamentária, proteger denunciantes, simplificar regras que hoje alimentam zonas cinzentas propícias à corrupção. Mas a quem tudo isso interessaria?

A frase que foi pronunciada:

“Integridade, transparência e o combate à corrupção têm de fazer parte da cultura. Têm de ser ensinados como valores fundamentais”.
Angel Gurría, Secretário-Geral da OCDE.
Ángel Gurría. Foto: Assessoria de Imprensa_WSoET
História de Brasília
Dos carros de Brasília que participaram da corrida do dia 21 de abril, nem todos colocaram o cano de escapamento novamente, e estão fazendo uma barulheira infernal pela cidade. (Publicada em 15.05.1962)

IDH e corrupção são irmãos siameses

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: ORLANDO SIERRA / AFP

 

Para quem busca argumentos, com base em dados factuais para aferir o desempenho efetivo dos governos, especialmente no Brasil, um caminho seguro é analisar o que traz o relatório anual apresentado pela Organização das Nações Unidas mostrando a evolução do chamado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Por meio desse documento, a qualidade e a eficiência dos nossos governos para resolver um dos principais problemas a dificultar o progresso do país é escancarado, para todo o mundo, de forma clara e sem possibilidades de contestação.

Nesse sentido o IDH da ONU funcionaria como uma avaliação internacional, semelhante ao PISA, elaborado pela OCDE na área de educação, em que a aprovação ou não de gestões governamentais podem ser medidas de acordo com o posicionamento do país nesse ranking que lista pelos parâmetros de bem-estar da população.

É possível afirmar que a maioria dos nossos governos, instalados depois da redemocratização nos anos oitenta, continua sendo reprovada, justamente, pela incapacidade de solucionar esse que é uma questão secular e o principal obstáculo a impedir o pleno desenvolvimento econômico e social do nosso país.

No Estado de bem-estar social, o que se tem, sem rodeios, é o próprio Estado imbuído da missão de ser o principal agente da promoção social e também o protagonista e organizador das políticas econômicas, todas elas voltadas para a conquista, por todos, de saúde, educação, segurança e previdência de qualidade, capazes de garantir o que se denominou cidadania e dignidade plena.

Em outras palavras, é o Estado a serviço exclusivo da população, para a qual trabalha e serve, principalmente disponibilizando uma série de serviços públicos de qualidade certificada. Uma análise rápida nesses quesitos já assegura que estamos ainda muito longe de atingir um patamar minimamente aceitável dentro dos parâmetros de bem-estar social, ainda mais quando se verifica a posição importante do Brasil entre as grandes economias mundiais, e o alto índice de carga tributária cobrada dos brasileiros, considerada uma das maiores do planeta, com uma contrapartida em serviços insuficiente ou inoperante.

Não surpreende que muitos analisam esse fato como sendo o Brasil um Estado rico, mas habitado por uma maioria de indivíduos vivendo na pobreza. Um fator que seguramente contribui para esse descompasso é atribuído aos altos índices de desvio de recursos públicos que, anualmente, segundo o Índice de Percepção de Corrupção (IPC) da Transparência Internacional, coloca o nosso país na posição 106, empatado com países da África como Argélia e Egito. O pior nesse cenário desolador é que mesmo o Judiciário ou Legislativo, que poderiam contribuir para minorar a questão da corrupção endêmica, são parte também desse problema, enraizado firmemente nas engrenagens da máquina pública.

 

 

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Um presidente não pode defender uma nação se não for responsabilizado por suas leis.”

DaShanne Stokes é defensor da política, cultura e direitos civis e conhecido como um ativista progressista.

Dashanne Stokes. Foto: dashannestokes.com

 

Autuações

Lúcio Lahm divulga o aumento da frota de motos para fiscalização do trânsito no DF. Dezenas de motocicletas do governo vão se infiltrar no movimento das pistas e estradas. A iniciativa do diretor de Policiamento e Fiscalização de Trânsito é bem-vinda. Principalmente porque a indisciplina de entregadores de alimentos está passando dos limites. Além de entrarem na contramão, circularem por calçadas, fazem as motos mais barulhentas, deixando os moradores da redondeza em polvorosa.

Ações de fiscalização terão início às 12h, com foco nos almoços de confraternização | Foto: Detran-DF

 

Brasil no berço

Ser empresário no Brasil é uma via crucis. É nessa força que o Brasil se apoia com empregos de pequenos e médios empreendimentos. Dar trabalho para o povo precisa ser melhor do que dar esmola vestida com nomes bonitos. O Zé, da banca do queijo na 311 Sul, comentou que não vende mais tamarindo porque ninguém mais quer ter trabalho. Acabou-se a roda das mulheres fazendo pamonha, os moinhos de farinha no interior. Até os jumentos foram substituídos por motos.

Charge do Zambi

 

Brilho

Quem comanda a Torre de TV é o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Aliás, que beleza de iluminação. O trabalho bem feito mostra, cristalinamente, que vem de quem gosta da cidade.

 

Homeschooling

Já foi sancionada a lei que institui o ensino em casa. Falta a regulamentação. O problema agora em Brasília é que o ensino de uma criança de 4 anos, numa escola bilíngue, custa o mesmo que um curso de medicina numa universidade particular.

Foto: AFP via Getty Images

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O assunto é profundo demais, e por favor não partam para a demagogia neste assunto. Quem fala assim não é gago, nem é candidato a cargo eletivo financiado. (Publicado em 20/01/1962)