Cardio voto

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

GIF: enfermagemflorence.com

Dentro da dinâmica biológica do corpo humano, o coração ocupa posição essencial. Marca de maneira concreta a passagem do tempo. A idade individual torna-se mais fiel quando observada a partir de um dado simples: quantidade de horas em que essa bomba vital permanece ativa desde sua formação ainda no ventre materno.

Considerando um ritmo médio de 75 pulsações por minuto, um corpo com 20 anos carrega no tórax um órgão que já executou suas funções por mais de 175 mil horas. Resultado disso são centenas de milhões de movimentos alternados de contração e relaxamento, garantindo circulação, oxigenação e manutenção da vida.

Medicina bioeletrônica já reconhece que, ao redor do coração, existem conjuntos organizados de neurônios, cada qual desempenhando funções específicas voltadas à preservação da saúde cardíaca. Mesmo com avanços tecnológicos como marcapassos cada vez mais sofisticados, as funções desse órgão ultrapassam a simples mecânica física.

O Coração atua como elo entre matéria e dimensão subjetiva do ser. Sensações, emoções, pressentimentos e estados internos, como angústia ou alegria, são registrados nessa região, manifestando-se como aperto, alívio ou expansão no peito. Dimensão simbólica e espiritual amplia a compreensão do coração para além de sua função fisiológica.

Em diversas tradições antigas e correntes esotéricas, esse órgão é descrito como centro luminoso do ser, responsável por irradiar energia vital, equilíbrio emocional e conexão com planos mais sutis da existência. Não se trata apenas de metáfora poética, mas de uma forma de explicar experiências humanas profundas que escapam à lógica puramente racional.

Nesse entendimento, o coração atua como ponto de convergência entre matéria e espírito, local onde sentimentos ganham densidade e significado.

Místicos de diferentes culturas afirmam que contato com o divino não ocorre prioritariamente pelo pensamento, mas pela vivência interior sentida no peito. Estados como serenidade profunda, compaixão genuína, amor sem condições e sensação de unidade com o todo seriam acessados quando esse centro está desperto e harmonizado. O chamado Chakra do Coração, segundo essas tradições, representa o eixo do equilíbrio emocional.

Dele emanariam qualidades como esperança, confiança, aceitação, empatia, inspiração e entrega sincera à vida. Quando ativo, permitiria que o indivíduo se relacione consigo mesmo e com o mundo de forma mais íntegra e sensível.

Essa visão sugere a existência de dois polos de inteligência no ser humano. Um deles localizado na mente, responsável pela análise, pelo cálculo e pela lógica. Outro situado no tórax, ligado à percepção emocional, à intuição e à capacidade de sentir o outro. Não se trata de oposição, mas de complementaridade. Razão sem sensibilidade torna-se fria e distante; emoção sem discernimento pode perder direção.

Harmonia surge quando mente e coração atuam em sintonia, orientando escolhas mais conscientes e humanas. Linguagem cotidiana preserva essa sabedoria ancestral.

Expressões populares como “não tem coração” ou “coração de pedra” surgem para caracterizar indivíduos incapazes de empatia, afeto ou compaixão. Endurecimento emocional, nessa perspectiva, não é apenas um traço de personalidade, mas um desequilíbrio interno que afeta o próprio sistema cardíaco. Tradições populares e observações empíricas reforçam a ideia de que alegria, leveza e gratidão fortalecem o corpo, enquanto rancor, medo e tristeza prolongada o enfraquecem. Costume antigo afirma que pessoas alegres adoecem menos e vivem mais.

Essa percepção encontra explicação no fato de que alegria não nasce exclusivamente no pensamento abstrato, mas se manifesta fisicamente no peito, influenciando respiração, batimentos e postura diante da vida. Impressões do mundo exterior não são processadas apenas pelo cérebro, mas atravessam o coração, que reage, registra e devolve ao corpo sinais de equilíbrio ou tensão. Emoção e biologia, nesse sentido, caminham juntas.

Desejamos para 2026 estender essa reflexão ao campo coletivo. Que um coração forte pulse no peito daqueles que exercem poder e responsabilidade pública, não apenas como bomba mecânica, mas como centro sensível capaz de orientar decisões justas. Que esse sistema de neurônios cardíacos envie ao cérebro informações livres de ego, vaidade e avareza, estimulando a liberação de estados internos como harmonia, tranquilidade e solidariedade.

Que escolhas não nasçam do endurecimento emocional nem do aperto causado pela ambição desmedida. Que
a razão seja guiada por sensibilidade e que nossas autoridades caminhem lado a lado com humanidade.

 

 

A frase que foi pronunciada:
“O que os cidadãos realmente procuram é honestidade, além de um nível mínimo de competência.”
Patrick Lencioni

Patrick Lencioni. Foto: tablegroup.com

 

Dias depois…
Vamos aceitar. O serviço dos Correios sofreu uma queda vertiginosa de qualidade. No dia 22 de dezembro uma encomenda, postada com a promessa de chegada em dois dias pelo preço de R$ 211 ainda não chegou ao destino.

Foto: L.C. Leite/Folhapress

 

História de Brasília
Quando o governo pensar em importar sal, mande, antes, ver a vergonha da salina do Canoé, no Aracati, Ceará, que foi comprada para ser fechada. Tinha até linha de trem para transporte interno, e foi fechada criminosamente, para atender a interesses particulares. (Publicada em 13.05.1962)

Florescimento e futuro

Publicado em Deixe um comentárioÍNTEGRA

VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)

Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

jornalistacircecunha@gmail.com

facebook.com/vistolidoeouvido

instagram.com/vistolidoeouvido

 

Imagem: fiocruz.br

 

Crise histórica e sem precedentes de saúde mental em vários países do mundo, com jovens na faixa de vinte anos ou menos se sentindo muito mais infelizes do que os jovens de décadas passadas. Há um achatamento na tradicional curva da felicidade ao longo da vida. Geralmente, essa curva resultava de divulgação de estudos que relatavam que jovens tendiam a se mostrar com altos níveis de bem-estar. Esses níveis caíam durante a meia-idade e voltavam a subir depois dos 50 anos.

Dados atuais sugerem que essa curva ou esse padrão está mudando para pior. Segundo o Global Flourishing Study (GFS), que é um dos maiores levantamentos sobre esse tema, que contou com cerca de 200 mil participantes de 22 países e durante 5 anos, essa curva tradicional está se achatando. Jovens na faixa de 18 a 24 anos têm apresentado os menores níveis de bem-estar em todos os indicadores. Enquanto isso, as pessoas mais velhas, especialmente acima de 60 anos, são aquelas que estão se tornando mais satisfeitas com a vida. Este contraste é uma confirmação daquilo que já previam os pesquisadores, ou seja, vivemos hoje uma crise sem precedentes de saúde mental entre os mais jovens.

Estudo dessa natureza e profundidade está sendo realizado com base na Teoria do Florescimento, criada pelo psicólogo Martin Seligman, que resume a felicidade não como ausência de problemas, mas sim provocada pela presença de aspectos que enriquecem a vida e que acabam por produzir um estado de bem-estar psicológico. Segundo Seligman, uma pessoa para florescer necessita experimentar emoções positivas, engajamento em atividades também positivas, com relacionamentos interpessoais satisfatórios, um sendo de propósito e realização pessoal. Desses elementos, resulta o bem-estar psicológico. Com isso, a felicidade não é confundida com mera satisfação com a vida, mas mais ligada ao crescimento pessoal e propósitos.

Pesquisas em várias culturas pelo mundo afora mostram que, através de milênios, os povos sempre deram atenção a uma lista de assim chamadas virtudes advindas do caráter, a sabedoria e o conhecimento, a coragem, a humanidade, a justiça, a temperança, na qual se incluem o perdão, a humildade, a prudência e a autorregulação. Por último, nessa lista de virtudes voltadas ao bem-estar e a felicidade, vem a transcendência, conceito filosófico capaz de situar o indivíduo para além do mundo material e das aparências ou experiências humanas comuns. A transcendência, como fenômeno metafísico, é fundamental para dar o sentido de existência da vida humana, forçando o indivíduo a ir além dos limites, graças a um estado superior de consciência.

Metade de nossas vidas, consumimos em pensar e devagar, analisando o passado e modelando projetos para o futuro. Nesses pontos complexos, entra ainda a chamada mindfulness, que é a atenção plena ajudada pela meditação, focada em exercitar a parte de nosso cérebro responsável pela mente, promovendo um melhor gerenciamento da vida. Por isso se diz que quem medita é mais feliz e resiliente.

Existem Especialistas em felicidade, inclusive há, em alguns países, um ministério da felicidade, como nos Emirados Árabes Unidos (EAU). O atual panorama que mostra porque os jovens se mostram cada vez mais envoltos por uma pesada nuvem de infelicidade aponta o ambiente de alta comparação social como um dos fatores, sobretudo, aquele promovido pelas redes sociais. Essa geração também enfrenta um cenário, para dizer o mínimo no caso brasileiro, instável. Os jovens se deparam com a insegurança no emprego, um aumento assustador no custo de vida, tudo isso embrulhado no papel reciclado de uma crise climática global. Observar o planeta nesses dias de alto poder de intercomunicação acende sentimentos como a ansiedade e a desesperança.

Talvez, por isso, os consultórios de psiquiatria e de psicólogos estão cada vez mais cheios de pacientes jovens. Nunca se vendeu, também, tantos medicamentos para transtornos da mente. A continuar nesse achatamento da curva de felicidade humana, o futuro pode ser ainda mais sombrio. Gerações emocionalmente fragilizadas são um perigo para o futuro. Governos, como em nosso caso, sabe-se, não se interessam por questões futuras a não ser que esse futuro não avance além das próximas eleições. Sendo assim…

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Os adolescentes que passam mais tempo em redes sociais são consistentemente menos felizes. Aqueles que passam mais tempo com pessoas ou dormindo, são mais felizes.”

Jean Twenge, autora de iGen

Dra. Jean Twenge. Imagem: forbes.com

 

História de Brasília

O senhor Magalhães foi demitido do DCT de Brasília. Durante tôda a sua gestão, o departamento nada apresentou de novo ou de justo para o público. Seus funcionários dormiram ao relento, ou em depósito de sucatas. Os contratados não receberam um tostão. Termina assim, essa gestão. (Publicado em 05.05.1962)