Rebeldes e cientistas no mesmo quadrado

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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foto: Divulgação/USP

 

Na ponta da velha balança, nos dois extremos, pesa o debate sobre o ensino superior brasileiro, assunto que costuma oscilar. De um lado, a percepção de que as universidades públicas atravessam uma crise permanente. Drogas, festas e muita bebida alcóolica. De outro, a narrativa segundo a qual o país teria construído um sistema universitário capaz de competir em igualdade de condições com os principais centros acadêmicos do mundo. Os números mais recentes sugerem uma realidade mais complexa, marcada por avanços significativos, mas também por limitações estruturais que continuam a afastar o Brasil das nações líderes em ciência, tecnologia e inovação.
Segundo o Leiden Ranking 2025, a Universidade de São Paulo, principal instituição de pesquisa do país, aparece na 17ª colocação mundial em volume de produção científica, levantamento elaborado pelo Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda. Entre 2020 e 2023, a USP produziu mais de 20 mil artigos científicos indexados na base Web of Science, consolidando-se como a única universidade ibero-americana entre as cem maiores produtoras de conhecimento científico do planeta.
Uma universidade brasileira ao lado de instituições tradicionalmente associadas à liderança científica mundial realmente chama atenção. O próprio ranking destaca que 42,5% dos artigos publicados pela USP situam-se entre os 50% mais citados em suas respectivas áreas de conhecimento. Em nota oficial, a instituição ressaltou sua posição como “a universidade brasileira que mais produz pesquisa no mundo”.
Curiosamente, nos rankings globais mais abrangentes a relevância da pesquisa nacional não se reflete integralmente. Em junho de 2026, o levantamento do Center for World University Rankings revelou que 45 das 52 universidades brasileiras avaliadas perderam posições em relação ao ano anterior. A USP permaneceu como a instituição mais bem colocada do país, mas recuou para a 119ª posição mundial. Segundo o relatório, o desempenho em pesquisa foi justamente o indicador que apresentou maior deterioração entre as universidades brasileiras.
O contraste entre os dois resultados ajuda a compreender uma das principais características do ensino superior nacional. O Brasil produz ciência em quantidade considerável, mas encontra dificuldades para ampliar seu impacto internacional, sua capacidade de inovação e sua inserção em redes globais de pesquisa. Enquanto alguns rankings privilegiam o volume de publicações, outros incorporam indicadores como reputação acadêmica, internacionalização, influência das pesquisas, empregabilidade dos egressos e transferência de conhecimento para a sociedade.
A comparação internacional revela a dimensão do desafio. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 48% dos jovens adultos dos países membros possuem formação superior. Em várias economias avançadas, a expansão do acesso ao ensino superior foi acompanhada por elevados investimentos em pesquisa, inovação e cooperação internacional.
No Brasil, embora o número de estudantes universitários tenha crescido expressivamente nas últimas décadas, persistem obstáculos relacionados ao financiamento, à permanência estudantil e à internacionalização das instituições. Dados da OCDE mostram que apenas 0,2% dos estudantes do ensino superior no país são estrangeiros, índice muito inferior à média observada nas nações desenvolvidas. O mesmo relatório aponta que o gasto anual por estudante permanece entre os mais baixos do grupo analisado.
As universidades federais e estaduais continuam concentrando a maior parte da pesquisa científica nacional. Instituições como USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UFRGS e UnB respondem por parcela expressiva dos artigos, teses, dissertações e projetos de pesquisa produzidos no país. No ranking CWUR de 2026, essas universidades permanecem entre as mais bem posicionadas do Brasil, embora praticamente todas tenham enfrentado perda relativa de posições diante do crescimento acelerado de concorrentes internacionais, especialmente da Ásia.
O cenário evidencia uma realidade paradoxal. O Brasil construiu um sistema universitário capaz de gerar conhecimento em escala global e de formar pesquisadores reconhecidos internacionalmente. Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que o país ainda ocupa posição distante daquela observada nas principais potências científicas. A produção acadêmica brasileira continua relevante, mas sua transformação em inovação tecnológica, patentes, produtos e ganhos de competitividade econômica ocorre em ritmo inferior ao observado em países que hoje lideram a economia do conhecimento.
A discussão sobre o futuro das universidades brasileiras não se limita, portanto, ao número de artigos publicados ou à posição em rankings internacionais. Ela envolve a capacidade de um país transformar conhecimento em desenvolvimento. Os dados disponíveis mostram que o Brasil já possui uma base universitária robusta e consolidada. Mostram também que, diante das exigências de uma economia cada vez mais dependente da ciência e da tecnologia, ainda permanece consideravelmente aquém do patamar alcançado pelas nações que ocupam os primeiros lugares na produção e no aproveitamento estratégico do conhecimento.
A frase que foi pronunciada:
“A educação não é preparação para a vida; a educação é a própria vida.”
John Dewey
John Dewey. Foto: gettyimages.com
História de Brasília  
Volta. assim, às manchetes, o nome do major Lameirão, tristemente celebre pelos acontecimentos de Jacareacanga e Aragarças. E o povo pergunta desesperado o que será feito do homem que por pouco não provocou o maior desastre dos nossos tempos. (Publicada em 22.05.1962)