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Haveria sinais de um possível reset financeiro global? Parte 1
Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Ciclo histórico que sustentou a economia global nas últimas décadas parece dar sinais claros de esgotamento. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o sistema financeiro internacional operou sob um arranjo relativamente estável, ancorado no protagonismo do dólar americano como principal moeda de reserva e na lógica de produção globalizada, onde cadeias produtivas foram distribuídas conforme custos e eficiência. Durante esse período consolidou-se um modelo baseado em integração econômica, expansão do comércio internacional e fluxos de capital relativamente previsíveis.
Arquitetura institucional desse sistema remonta aos acordos firmados em 1944 na conferência de Bretton Woods. Naquele momento, buscava-se evitar repetição das turbulências financeiras que marcaram o período entre as duas guerras mundiais. Estrutura monetária resultante estabeleceu o dólar como eixo central da ordem financeira internacional. Mesmo após o fim do padrão ouro em 1971, quando o governo de Richard Nixon suspendeu a conversibilidade da moeda americana em ouro, predominância do dólar permaneceu praticamente intacta.
Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que cerca de 58% das reservas cambiais globais ainda estão denominadas em dólares, percentual inferior aos mais de 70% registrados no início dos anos 2000, mas ainda suficiente para manter a moeda americana como principal referência do sistema financeiro internacional. Economista Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, observa que moedas de reserva raramente desaparecem de forma abrupta, mas seu peso relativo tende a diminuir gradualmente quando novas potências econômicas passam a disputar espaço na economia mundial.
Durante décadas, esse arranjo permitiu expansão sem precedentes do comércio global. Segundo o Banco Mundial, o volume do comércio internacional saltou de aproximadamente 62 bilhões de dólares, em 1950, para mais de 32 trilhões de dólares em 2022. Globalização produtiva tornou-se elemento central desse processo. Empresas multinacionais fragmentaram cadeias de produção, transferindo etapas industriais para regiões com custos mais baixos, especialmente na Ásia.
Mesmo crises profundas não foram capazes de desmontar essa arquitetura. A crise financeira de 2008, desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário americano, chegou a ser interpretada por alguns analistas como possível ponto de ruptura do sistema financeiro global. Economista Ben Bernanke, então presidente do Federal Reserve, afirmou, anos depois, que aquele episódio representou “o momento mais perigoso para o sistema financeiro desde a Grande Depressão”.
Apesar da gravidade do episódio, a ordem financeira internacional permaneceu essencialmente intacta. Bancos centrais coordenaram políticas de estímulo monetário em escala sem precedentes. Trilhões de dólares foram injetados na economia global por meio de programas de compra de ativos e redução histórica das taxas de juros.
Agora, porém, sinais sugerem que algo mais estrutural pode estar em curso. Volatilidade crescente nos mercados financeiros, tensões geopolíticas, reorganização de cadeias produtivas e mudanças profundas na política monetária das principais economias apontam para um cenário de transição. Relatório recente do Banco de Compensações Internacionais afirma que economia global começa a apresentar sinais de fragmentação geoeconômica capazes de alterar padrões de comércio e fluxos financeiros construídos ao longo de décadas.
Nos últimos anos, o mundo assistiu ao retorno de conflitos geopolíticos de grande escala. A guerra na Ucrânia recolocou a Europa no centro de disputas estratégicas envolvendo energia, território e influência militar. Tensões no Oriente Médio continuam afetando mercados energéticos globais.
Historiador econômico, Adam Tooze observa que energia, finanças e segurança nacional voltaram a se entrelaçar de forma intensa, fenômeno que lembra a geopolítica econômica das décadas de 1970 e 1980, período marcado por choques do petróleo e forte instabilidade monetária internacional.
Impacto dessas tensões torna-se particularmente visível no mercado de energia. O barril do petróleo Brent voltou a registrar episódios de forte volatilidade, aproximando-se ou ultrapassando a marca de 100 dólares em momentos de maior instabilidade geopolítica. Elevação persistente dos preços energéticos tende a pressionar inflação global e reduzir capacidade de crescimento de diversas economias.
Ao mesmo tempo, indicadores de endividamento mundial atingiram níveis historicamente elevados. Dados do Institute of International Finance indicam que a dívida global ultrapassa atualmente 300 trilhões de dólares, valor equivalente a mais de 330% do Produto Interno Bruto mundial.
Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, alerta que níveis tão elevados de endividamento tornam economias mais vulneráveis a choques externos e crises financeiras prolongadas. Segundo ele, períodos históricos marcados por grandes ciclos de dívida frequentemente terminam com reestruturações financeiras profundas ou inflação persistente.
A frase que foi pronunciada:
“Enfrente os desafios da sua época.”
Gordon Brown

História de Brasília
Nós havíamos dito que o serviço de imprensa do Planalto não sabe nada a respeito do dr. João Goulart, porque todos os dias anunciava a vinda do presidente, e desmentia a notícia anterior. (Publicada em 16.05.1962)

