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VISTO, LIDO E OUVIDO Criada por Ari Cunha (In memoriam)
Desde 1960 Com Circe Cunha e Mamfil
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Um fenômeno observável hoje em lugares remotos como a África Subsaariana, Sul da Ásia, China e Índia, onde cidades inteiras vão crescendo exponencialmente no sentido horizontal, começa a se delinear também, de forma embrionária, aqui no Distrito Federal.
De início, é preciso deixar claro que a falta de uma política sensata para a questão fundiária da capital decorre, justamente, da ação nefasta de políticos que usam desse problema apenas para alavancar suas candidaturas, prometendo e incentivando a ocupação desordenada de terras públicas. Com isso, a exemplo do que vem ocorrendo em cidades como Lagos, na Nigéria, onde a cidade já se espraia por mais de 1.200 quilômetros quadrados e continua a crescer, a grande Brasília vai se espalhando para fora do quadrilátero, invadindo, aos poucos, o próprio estado de Goiás.
Já se sabe que, sem planejamento urbano detalhado, nenhuma cidade, dignamente habitável, pode existir por muito tempo. O crescimento desordenado e fora dos padrões, rigidamente estabelecidos pelas ciências urbanas, está na razão do colapso de muitas cidades.
O alargamento urbano horizontal, que no nosso caso vai sendo estabelecido a cada novo governo e com apoio da classe política local, se dá não apenas pela abertura de novos loteamentos ao redor da capital, mas ocorre também pelo estabelecimento de dezenas de novos condomínios que vão surgindo nos quatro cantos da cidade.
Dessa forma, não é de se estranhar que os serviços municipais, como abastecimento de água, luz, esgoto, asfalto, escolas, hospitais, delegacias e outros, vão se rareando à medida em que esses bairros se afastam do centro. O milagre da habitação, possibilitado de forma marota pela classe política, obviamente não é acompanhado pelos serviços de infraestrutura necessários a uma vida digna.
Fossem esses os únicos problemas trazidos pela falta de planejamento, a solução seria menos traumática para o poder público. Ocorre que o crescimento descontrolado na horizontal, conforme vai se configurando hoje na capital, acaba por pressionar, de forma irreversível, os recursos naturais.
A ocupação de terras agrícolas, o assoreamento de rios e córregos e a instalação de bairros inteiros sobre áreas sensíveis de preservação ambiental, ao reduzir os recursos naturais, acaba por aumentar, ainda mais, as desigualdades sociais. Não é por outro motivo que nos países desenvolvidos, predominam o crescimento vertical, por meio de edifícios mais altos e relativamente bem localizados e próximos aos centros urbanos.
A medida em que a grande Brasília vai se desdobrando no horizonte, em bairros sem infraestrutura alguma, aumentam ainda os problemas com os transportes, com os congestionamentos, submetendo populações inteiras as precaríssimas empresas de ônibus, com suas frotas sucateadas, perigosas e com altas tarifas.
O custo da irresponsabilidade política na questão fundiária é dado pela previsível inviabilidade a médio e longos prazos da capital. Mas aí, quando essa situação se mostrar no limite, os responsáveis por essa catástrofe já terão migrado para outras regiões, longe do caos, deixando apenas o rastro de destruição para a população que não soube contestar.
A frase que foi pronunciada:
“O mal é causador de uma constante miséria devido à incansável necessidade do ser humano de vingar-se, como forma de soltar o ódio”
Ralph Steadman, conhecido por suas caricaturas políticas e sociais

Chega
Senador Lasier Martins quer fim de barragens iguais às de Brumadinho e Mariana, proibindo que acumulem rejeitos pelo método de alteamento a montante, onde o material armazenado é usado na contenção. “Constatamos que o que ocorreu em Mariana, em 2015, não serviu de lição. Não podemos mais aceitar ocorrências como essas, temos a obrigação moral de agir urgentemente na busca de soluções que impeçam a reincidência de fatos que nos envergonham e que sujeitam brasileiros a um profundo sofrimento”, justificativa o senador a base de seu projeto.

Poeira
Depois da misteriosa fuga, Jean Wyllys diz ter recusado asilo político da França. A Embaixada Francesa em Brasília não foi informada sobre o assunto. Resta saber se existe mesmo o assunto, nessa chuva de inverdades na bagagem do ex-parlamentar.

Lembrete
Só para lembrar que muito antes de Jean Wyllys ganhar o programa da Globo, Big Brother, Clodovil era deputado, gay assumido e muito querido e respeitado pelos brasileiros. Wyllys é repugnante não por ser gay, mas por ser ardiloso.
Articulação
Por falar nisso, impressiona a demora para as autoridades revelarem o que de fato aconteceu por trás da tentativa de homicídio contra o então candidato à Presidência da República, hoje já eleito, Jair Bolsonaro. Já são quase 6 meses passados. Se há uma mobilização para deixar os brasileiros mais seguros, o ponta pé inicial deveria ser a competência para desvendar e trazer a público toda a verdade sobre esse crime.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Esta coluna estará fora de circulação por vários dias, para que o colunista faça repouso absoluto, por prescrição médica. Se a notícia lhe agrada, agradeça ao dr. João Batista Mendonça. Se lhe desagrada, reclame dele, também. (Publicado em 10.11.1961)
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Não se conhece, até o presente momento, nenhum estudo, projeto ou posicionamento de técnicos e estudiosos da complexa ciência do urbanismo, a respeito da criação, via medida provisória, da chamada Região Metropolitana de Brasília. Assinada pelo presidente Temer há poucos dias do fim de mandato, em atendimento ao seu correligionário e governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a medida, pelo que foi passado para a imprensa, irá facilitar a destinação de recursos federais aos governos estaduais e distrital, para as áreas de segurança, educação, transporte e saúde.
Na teoria, fica criada a Grande Brasília. Na prática, há muito já se sabe, e a população da capital sente, que o Entorno do DF é uma realidade concreta que afeta todos os setores da cidade, sendo considerado até um fenômeno natural e inerente à maioria das inchadas metrópoles brasileiras. Na verdade, trata-se de um cinturão formado por dezenas de cidades dormitórios que abrigam homens e mulheres que todos os dias acorrem ao Distrito Federal para trabalhar e para a utilização dos serviços públicos ofertados pela capital. Com isso, o que se tem é uma realidade factual que foi sendo formada ao longo do tempo, em muitos casos, incentivada pelos próprios governos locais, principalmente após a conquista da maioridade política da capital, interessados em criar zonas e áreas de influência política.
Formada por dezenas de regiões ligadas aos estados de Goiás e Minas Gerais, essas áreas, limítrofes ao quadrilátero do Distrito Federal, por sua formação e origem, apresentam os mais baixos índices de Desenvolvimento Humano, com problemas nos setores de saúde, educação, segurança, sem infraestrutura no abastecimento de água, coleta de esgoto e lixo, asfalto, iluminação e diversos itens necessários ao bom funcionamento de um bairro e à uma vida digna de seus moradores.
Como sempre acontece no Brasil do improviso, o que se tem agora é uma realidade de grandes proporções que antecedeu a qualquer processo racional de planejamento urbano. Com isso, a herança política, legada pela incúria de sucessivos governos passados, terá que ser assumida integralmente pelo GDF, o que irá acarretar enormes problemas a uma cidade que parece já experimentar um processo precoce de decadência, antes mesmo de conhecer um apogeu.
Por outro lado, é sabido, desde sempre, que os governos dos estados de Goiás e de Minas Gerais jamais se interessaram por essas cidades próximas ao Distrito Federal, deixando-as entregues à própria sorte e aos cuidados da capital.
Em países sérios, a criação e fundação de cidades obedecem a critérios rígidos, sendo antecedidas pela instalação de infraestruturas básicas e de planejamento minucioso para evitar que essas áreas se transformem em periferias problemáticas para as metrópoles próximas. Mesmo sem conhecer em detalhes como se processará a criação dessa Região Metropolitana, o jeito é desejar boa sorte ao governador nessa tarefa, fazendo votos para que essa não seja mais uma empreitada de cunho político, sem compromisso com o futuro e com seus eleitores.
A frase que foi pronunciada:
“Aqueles que olham para as leis da Natureza como um apoio para os seus novos trabalhos colaboram com o Criador.”
Antoni Gaudi
É lei
Alérgicos, hipertensos, diabéticos, celíacos, portadores de insuficiência renal, muito mais gente do que se pensa depende das informações dos rótulos dos alimentos, para não passar mal ou mesmo para não morrer. Vale conhecer o portal direitodesaber.org para brigar pelo direito de ter as informações verídicas sobre a composição dos alimentos nos rótulos.
Acesse a página no link: alimentacaosaudavel.org.br

Perigo
Estranho o PLP 459/2017 já está em regime de urgência na Câmara dos Deputados, mesmo sem ter passado pela votação na CCJ. Parece que falta argumentação jurídica. Maria Lucia Fatorelli avisa que está prestes a acontecer uma fatalidade legislativa. O intuito desse PLP é jogar no lixo todas as regras de finanças públicas do país.
À vista
Uma das partes mais perigosas desse Projeto de Lei Complementar é a contratação ilegal da dívida pública, comprometimento do Estado com garantias e indenizações elevadas e desvio de recurso público: dinheiro pago por contribuintes será desviado durante o seu percurso pela rede bancária e não chegará ao orçamento público.
HISTÓRIA DE BRASÍLIA
A arrecadação está deficiente. Todo o mundo burla o fisco, da maneira que quer. E a prefeitura não tem feito muito empenho em receber tributos. (Publicado em 07.11.1961)

