S.Ó.S

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Foto: Divulgação/Prefeitura do Rio de Janeiro

 

Nem mesmo os mais engenhosos e criativos artistas das letras conseguiriam tecer um enredo tão surreal e imaginativo como o que vamos experimentando desde o retorno da democracia, nos anos oitenta. Prosseguimos sendo a Belinda desigual de sempre, observados pelos olhos do planeta como um país exótico, habitado por uma sociedade que vive entre a barbárie herdada do colonialismo e uma modernidade mal copiada de outros países, que fazem, de nossa gente, personagens estranhos, metidos em modelos caros e sem instrução ou educação.

Na política, seguimos andando em círculos, enredados com personagens mesquinhos, que deixam de pensar no país e nas próximas gerações. Se a questão do momento requer medidas urgentes em nome de vidas, a ponto de ser dispensada toda e qualquer providência burocrática e licitatória, a oportunidade para vinganças de todos os lados atrasa cada vez mais a retomada do país aos trilhos do desenvolvimento, que é a única coisa que interessa aos milhões de eleitores já saturados de tantas fofocas e revanches que nos levarão.

Governadores, prefeitos e outros administradores, incumbidos da compra de materiais hospitalares de emergência, com dinheiro na mão, escolhem não o melhor fornecedor, que possui o preço mais em conta, mas aqueles que podem, de maneira transversa, garantir lucros diretos e imediatos aos negociantes espertalhões. Mesmo hospitais de campanha, que deveriam ser construídos de forma rápida e eficiente, para atenderem a demanda espetacular das multidões de enfermos, são erguidos apenas com uma fachada ou cenário de uma peça de teatro, com nada além da lona. Muitos além da lona, centenas de leitos vazios.

O dinheiro fácil do contribuinte segue desaparecendo em cada emergência. À falta de transparência nos gastos de última hora, vão se somando os bilhões que, por determinação do Congresso, passaram a ser carreados de um lado para outro para o socorro de pessoas, programas e empresas, tudo dentro dos critérios de improvisação e amadorismo. Mesmo a tensão entre os Poderes nos leva a acreditar que a pandemia é agora assunto secundário, que o vírus da vaidade empesteou a Praça dos Três Poderes, deixando a população desamparada, perdida, falida e desesperada.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A liberdade só é um dom precioso quando estejam os povos feitos para ela. Dar a um semibárbaro instintivo as regalias de um ser culto e consciente, é pôr a civilização na contingência de um regresso brutal à barbárie.”

Fialho de Almeida, escritor português

Foto: facebook.com/acfialhodealmeida

 

Desolador

Um passeio pelos hotéis de Brasília e a constatação: baixíssimo o número de procura para hospedagem. Já são 3 meses de agonia para hotéis, bares, restaurantes e inúmeros empresários, que precisam voltar à ativa para evitar a bancarrota.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Notícia boa

Suspensas as parcelas de empréstimo de crédito consignado – com desconto em folha de pagamento – por quatro meses. O Senado aprovou esse projeto, que deve dar uma trégua às dívidas de trabalhadores tanto do serviço público, quanto do privado. O projeto segue para a Câmara dos Deputados.

 

De olho

Com o carimbo do Coronavírus, o setor de licenciamento do IBRAM está à toda prova. Mesmo em tempos de pandemia, as autorizações subiram nesse ano em relação à 2019: ultrapassaram os 20%.

 

Proibido

Parquinhos e áreas de esporte estão lacrados para impedir a entrada de crianças e jovens que querem brincar, tomar sol, exercitar-se, aumentando a imunidade.

Foto: Emanuelle Sena/AR Plano Piloto

 

Livre

Por outro lado, a Galeria dos Estados recebeu um grupo para celebrar a inauguração da praça do local. Fernando Leite, diretor da Novacap, apoiou a revitalização dos espaços públicos da capital, e Luciano Carvalho, secretário de Obras, comemorou o belo espaço que a população recebeu, com boa iluminação e conforto.

Foto: Renato Alves/Agência Brasília

 

Pdot

Uma volta na W3 e observa-se que calçamentos em frente às lojas receberam nivelamento, o que passa a dar mais segurança para os pedestres e cadeirantes. O projeto do GDF é continuar com a empreitada e com a Estratégia de Revitalização de Conjuntos Urbanos, prevista no Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Ora, pois se no próximo ano Brasília já oferecerá, para que tamanha despesa com o retorno de um Poder, já que a Câmara teria que pagar hotel para a maioria dos funcionários? (Publicado em 10/01/1962)

A quarentena nos mantém afastados do que acontece sob nossos pés

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Acreditar que o período de isolamento social, que tem levado mais da metade da população mundial a se fechar em casa, nos últimos três meses, forçaria parcela significativa da humanidade a rever uma série de antigos conceitos e comportamentos, tanto nas interações sociais quanto na relação ao próprio planeta, vai se demonstrando uma expectativa frustrada.

Um olhar nas manchetes diárias, ao longo de toda essa crise de saúde, comprova que ainda não foi dessa vez que os seres humanos puderam aprender com a lição imposta pela doença mortal. As crises políticas, econômicas e sociais, tanto internamente quanto no resto do mundo, prosseguem no mesmo ritmo, ou até mesmo mais acirradas, sendo que, em alguns lugares, como em nosso país, elas se intensificam  ganhando uma dimensão de tal monta que não será surpresa se, mais adiante, venhamos, mais uma vez, a assistir a uma interrupção brusca em nossa dinâmica democrática.

Na verdade, em muitos lugares do mundo e aqui mesmo, o isolamento, ao ilhar as pessoas em suas casas, afastando-as do convívio natural em sociedade, tem servido como um catalisador e um subterfúgio para muitas lideranças políticas a, em todos os poderes da República, agirem com uma desenvoltura nunca vista antes, urdindo negociações e entabulando medidas que, em situações normais, seriam quase impossíveis de serem realizadas. Longe do olhar vivo e do bafo quente da sociedade, as engrenagens do Estado vêm operando com força máxima, enquanto a população parece entorpecida num sono profundo.

Enquanto o Supremo é atacado com fogos de artifício, numa simulação do que seria um ataque de artilharia pesada contra a magistratura do país, tudo isso sob o beneplácito do próprio Executivo, leis diversas que interferem diretamente na vida dos cidadãos estão sendo discutidas e votadas de forma virtual e rápida no Congresso. Aos poucos, também, uma série contínua de limitações vão sendo impostas ao livre exercício da cidadania, impondo regras, limitando direitos e disciplinando a vida em sociedade, quando essa voltar às ruas.

Em nome do combate à pandemia, restou à sociedade, inerte e assustada, delegar, sem contestações, às autoridades constituídas, a edição de um rol imenso de medidas que irá regular, de forma mais restritiva, toda a vida social, impondo regras que, se fossem do conhecimento prévio das pessoas, não seriam aceitas de forma passiva. A vida real, como dizia um compositor, é aquilo que acontece enquanto estamos, todos nós, trancados em casa, sonhando e fazendo planos para um futuro incerto. É exatamente isso que está acontecendo com esse isolamento social, que nos afasta das mudanças que estão ocorrendo sob nossos pés.

 

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O caminho da verdade é único e simples: o da falsidade, vário e infinito.”

Amador Arrais, religioso e escritor português do século XVI.

Imagem: facebook.com/carasdeportalegre

 

Boa ideia

Havia, na W3, um placar onde os semáforos eram sincronizados com os dados mostrados aos motoristas. Assim, se o equipamento mostrasse, por exemplo, 40km/h, e o motorista obedecesse essa velocidade, conseguia pegar todos os sinais verdes.

 

Higiene

Andando na praça da alimentação nos shoppings, é possível ter uma amostra de como as cozinhas funcionam. São raros os estabelecimentos onde se usam luvas. Mesmo apenas para servir, daria mais segurança aos clientes. Não é possível que seja necessária uma lei para multar quem não cumpra o protocolo de higiene durante uma pandemia.

Foto: shoppingdella.com

 

Insensatez

Nos ônibus, mercados e lojas em geral, o caixa que recebe em dinheiro também não usa luvas.

 

Proatividade

Veja, no vídeo a seguir, garotos tentando abrir portaria de prédio na Asa Norte. Não conseguiram. Se o governo implementasse políticas públicas onde a juventude em situação de vulnerabilidade pudesse se profissionalizar, daríamos exemplo para o país.

 

Será?

Lojas do Conjunto Nacional permitem o uso do provador. É o fim do coronavírus?

Foto: Divulgação Lojas Riachuelo

 

Confira

Morador de um apartamento da Asa Sul levou um susto quando se debruçou na janela para alcançar alguma coisa no ar. A tela de proteção, que dá segurança para as crianças da casa, estava totalmente ressecada e desgastada, soltando as amarras.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Foram feitos os primeiros contratos de locação entre o IAPC e os moradores da Asa Norte. O preço dos aluguéis é de Cr$ 17.900,00, havendo, ainda, uma taxa de administração que será aproximadamente de 3 mil cruzeiros. (Publicado em 10/01/1962)

De volta ao passado

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Foto: Reuters/Ricardo Moraes/Direitos reservados

 

Com a questão da saúde da população brasileira, “oficialmente resolvida” de forma extemporânea e oportunista, com a abertura de muitas atividades comerciais e com o afrouxamento no isolamento social, cabe agora um olhar mais centrado na economia. Com o mesmo zelo com que foi tratada a questão da crise de saúde pública, também assim serão encarados os números da economia, pós pandemia. E é aí que mora o perigo. Sobre esse aspecto, o governo federal já tomou a dianteira ao providenciar a recriação do que muitos estão chamando de novo Ministério da Propaganda, voltado não para as questões das comunicações do país, mas para dar um upgrade  na imagem combalida.
Não se sabe ainda o que pode resultar da maquiagem dos números da economia, mas, por certo, mais uma vez, esses quantitativos e outros dados relativos ao aumento da riqueza e de retomada do crescimento irão se chocar, violentamente, contra o muro da realidade. Não há muito o que esperar de uma possível recuperação da economia quando se sabe que o dever preliminar de controle da pandemia não foi completado a contento.
Na verdade, os números nacionais terão, como primeira barreira séria, as previsões do Banco Mundial, que estimam uma queda de mais de 8% da economia brasileira ainda neste ano, contra um encolhimento de mais de 5,2% do PIB global. Mas, nesse quesito, o Banco alerta que essa projeção para o Brasil depende ainda do controle correto da pandemia.
Se o País não resolver a crise de saúde comme il faut, a queda do PIB nacional será ainda mais expressiva. É óbvio que nesse pacote de encolhimento da nossa economia virá, ainda, o aumento do desemprego e da miséria, tudo embrulhado num presente de grego, que poderá conter, em seu interior, um aumento assustador nos índices de violência, já por si os maiores do planeta.
Todo esse quadro complicado ganha ainda mais contornos preocupantes quando se verifica que, na gestão das incógnitas de saúde pública e da economia, está uma classe política insensível aos problemas nacionais e que tem que ser monitorada, diuturnamente, de perto, pela polícia, para evitar a escalada de escândalos já popularmente denominados de “covidão”.
Caso as projeções do Banco Mundial se confirmem com um encolhimento do PIB global de 5,2%, essa será, sem dúvida, a maior e mais danosa recessão desde a Segunda Guerra Mundial, com o retraimento do PIB per capta a valores verificados em 1870, quando o Brasil vivia a saga religiosa de Antônio Conselheiro e início da crise que poria fim ao período imperial em nosso País.

 

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A primeira (riqueza natural), sendo mais nobre e vantajosa, torna a população descuidada, orgulhosa e dada a excessos; ao passo que a segunda (riqueza adquirida pelo trabalho) desenvolve a vigilância, a literatura as artes e as instituições políticas.”
Thomas Mun foi um escritor inglês de economia (1571-1641)

Foto: beforeeconomics.wordpress

 

Passeio

Oportunidade única o país está tendo com as fronteiras de diversos países fechadas para os brasileiros. É hora de o turismo nacional ser incrementado, sem o costumeiro abuso de preços. Brasil para os brasileiros. Por enquanto, passeios virtuais são possíveis. Comecem pelo Congresso Nacional. O blog do Ari Cunha mostra como no link Visitas Virtuais.

Foto: congressonacional.leg

 

Novidade

A partir deste mês, viaturas operacionais do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) serão equipadas com painéis publicitários contendo mensagens de prevenção a incêndios residenciais. O objetivo do projeto, inédito no país, é utilizar todas as viaturas operacionais da corporação para chamar atenção quanto à prevenção de incêndios no DF. Duas viaturas – uma do grupamento de Brazlândia e outra do de Águas Claras – serão as próximas a terem os equipamentos.

Foto: cbm.df.gov

 

Prevenção

Uma forma simples e efetiva de comunicação com a população de Brasília. Painéis nos carros dos Bombeiros alertam para atitudes perigosas que podem causar incêndio. O coronel George Cajaty explica que cada viatura será uma ferramenta não só de combate, mas de prevenção ao incêndio.

Foto: cbm.df.gov

 

Auditoria cidadã

Maria  Lucia Fatorelli tem rico material para informar a população sobre as consequências econômicas, para o país, de interferências políticas e legislativas. Veja no link RECADO AOS PEQUENOS EMPRESÁRIOS DO BRASIL, POR MARIA LUCIA FATTORELLI e alguns vídeos a seguir.

 

Rarefeito

Preparem-se para a guerra, é a tradução do nome escolhido da operação PARA BELLUM. Enquanto há maciça divulgação de respiradores desenvolvidos por uma equipe voluntária brasiliense comandada por Hatus Souza Alves, que criou um respirador com custo de R$ 1.000,00, governos gastam milhões dispensando licitação com a justificativa da pandemia, enquanto poderiam dispensar a licitação pelo baixo custo da aquisição, se fosse mesmo a vontade política.

Protótipo de respirador criado por voluntários do DF — Foto: TV Globo/Reprodução

 

Perda total

Parque Nacional de Brasília vai abrir, mas ainda sem permissão para o uso das piscinas. Cuidado com comida ou frutas em sacolas. Macacos da região não perguntam se a chave do carro ou o celular está com você. Eles, sorrateiramente, levam as sacolas para o alto das árvores. Muita gente já se aborreceu por lá. Não é por falta de aviso, justiça seja feita.

 

Foto: Divulgação/ICMBio

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
E a empresa de maior prestígio no norte do país e agora dá a Vasp uma expansão extraordinária, que poderá ser bem aproveitada, se o governo de São Paulo não usá-la para fins políticos. (Publicado em 10/01/1962)

Uma lenda cotidiana

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Print: news.google.com

 

Passado o período mais agudo da pandemia, quando o mundo começar, finalmente, a ensaiar uma volta à normalidade, isso, dentro dos novos padrões de normalidade que se preveem, é que vamos nos certificar que países se saíram melhor do isolamento social. Por certo, serão notadas diferenças óbvias entre aqueles que seguiram as receitas científicas para um regresso seguro, sem prejuízos elevados em vidas e nas finanças, e quais foram aquelas nações, que por circunstâncias adversas, preferiram afrontar as evidências, nadando contra a maré e desafiando, abertamente, a morte, numa coragem do tipo inconsequente e burra.

No geral, serão os países desenvolvidos que melhor emergirão da pós-pandemia, não apenas por contar com uma economia mais sólida, mas, principalmente, pelos índices mais elevados de educação de suas populações, pela qualidade e eficiência de suas instituições públicas e, também, pela solidez de sua arquitetura democrática, distribuindo, igualmente, direitos e deveres a todos indistintamente. Em qualquer situação de anormalidade, saem-se bem aquelas populações melhores preparadas intelectualmente. É justamente essa a relação, normalmente pouco visível, entre o fator educação e situações anormais e que demonstram, na prática, como boas escolas são capazes de fornecer instrumentos adequados para o enfrentamento das vicissitudes da vida.

Pelo exposto, fica evidente que, no atual binômio pandemia-isolamento, o Brasil irá, mais uma vez, fazer um papel vexaminoso perante o mundo. O mais triste é que o nosso país poderia, por alguns elementos que dispõe, como o SUS, sair-se razoavelmente pouco chamuscado dessa crise, com poucas mortes e com a economia também pouco combalida. Mas essa realidade exigiria de todos nós um esforço conjunto que, simplesmente, não estamos preparados para assumir. A começar pelas atuais lideranças políticas que, mesmo em tempo de aflição, semelhante a uma guerra, demonstraram claramente ser incapazes de encontrar um caminho razoável para comandar um processo de travessia seguro pelo vale de morte.

Os desentendimentos generalizados, e muitas vezes potencializados pelo governo central, conduziram-nos a uma situação alarmante, transformando-nos em um dos epicentros principais do isolamento. Por conta dessa incúria protagonizada pelo governo federal, pelos governos dos estados, incluindo, nessa turma pouco aplicada, o Poder Legislativo e mesmo o Poder Judiciário, nos colocamos hoje como párias no mundo civilizado. Muitos países fizeram o que deveria ser feito: unidos, fecharam suas fronteiras aos brasileiros e a todos oriundos de países que se mostraram indiferentes ao regime firme da quarentena e do isolamento social. Indisciplinados, mal orientados e, sobretudo, mal geridos, tornamo-nos a versão, em carne e osso, daquele personagem que melhor nos identifica diante do mundo: Macunaímas.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A ambição é, entre todas as paixões humanas, a mais ferina em suas aspirações e mais desenfreada em suas cobiças, e todavia a mais astuta no intento e a mais ardilosa nos planos.”

Jacques-Bénigne Bossuet foi um bispo e teólogo francês

Jacques-Bénigne Bossuet. Foto: wikipedia.org

 

À deriva I

Assustada porque a diarista estava com Covid-19, segundo o resultado de um exame, a dona da casa ligou para o SAMU para receber alguma instrução: se precisava notificar alguém ou que providências, enfim, seriam necessárias, já que três crianças estavam em casa, com a visita da profissional. A resposta foi: Se o exame deu positivo, mas ela está sem sintomas, a senhora liga no 199. A resposta do disque Coronavírus do GDF, dessa vez para a diarista, foi: Fique em casa!

Print: coronavirus.df.gov

 

À deriva II

O que se imaginava é que as pessoas que atendem ligações desse tipo tivessem um script e um canal direto com as autoridades para comunicar a localização da contaminada. Esperava-se uma visita para pesquisar o hábito da família, mapear a área do contágio, investigar onde poderia ter sido contraído o vírus. Nada disso aconteceu. A impressão é que o governo está sem planejamento, sem estratégias. O empenho mesmo está nas estatísticas e divulgação de mortes.

 

Memória

A seguir, um pedacinho do programa “Um piano ao cair da noite”, para matar a saudade da Lúcia e do Garófalo.

 

Até hoje

Dezenove anos atrás, passeando em uma feira de artesanato, lá estavam, dando os primeiros passos, Tânia Helou e Edênio de Paula. A arte do casal é transformar folhas do cerrado com uma técnica de ourivesaria: a filigrana. Um dos presentes mais delicados para surpreender alguém, enaltecendo a nossa terra.

 

Inacreditável

Se o Paranoá está batendo recorde em casos de Covid-19, cairia bem uma fiscalização nas madrugadas dos fins de semana. As festas vão rolar!

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Lóide é uma companhia com quase 15 anos de existência, e é o resultado da fusão das Linhas Aéreas Paulistas, da Transportes Aéreos Bandeirantes Ltda. e mais recentemente da Navegação Aérea Brasileira. (Publicado em 10/01/1962)

Pelas lentes do confinamento

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Foto: reprodução g1.globo.com/fantastico

 

É quando a situação aperta, que passamos a enxergar a realidade e as pessoas tal como elas são. Há uma grande diferença entre a faculdade de ver e a de enxergar. Vemos apenas o que o teatro da vida nos apresenta, de forma quase mecânica, sem nos apercebermos do que se passa na coxia. Por milhares de vezes, cruzamos a mesma rua dia após dia e não nos damos conta de muitos detalhes que compõe essa rua e que faz dela um lugar especial e mesmo familiar. Andamos tão absortos com a velocidade do mundo que as vezes não reconhecemos nem nós mesmos.

Uma experiência que pode facilmente comprovar esse absenteísmo de nós mesmos pode ser conferido quando somos filmados, em segredo, por exemplo, com a câmera de um celular, cuidando de tarefas simples de nosso cotidiano. Ao sermos apresentados a essas imagens, não raro nos surpreendemos com o que dizemos e como nos portamos. Essa visão externa de nós mesmos parece bem mais real do que aquilo que acreditamos ser de fato. É por isso que nós apenas nos vemos, com os olhos de todo o dia. Às vezes complacentes, as vezes severo.

Já a capacidade de enxergar vai muito além e em muitos casos pode se transformar em premonição. Passamos a contemplar muito além. Por isso mesmo os místicos costumam afirmar que, como seres humanos, normalmente não estamos despertos.

Quando por algum motivo, no caso uma crise de saúde pública, que obrigou a uma mudança radical no nosso dia-a-dia, apartando-nos dos amigos de nossa rotina, somos empurrados a substituir a faculdade de ver, pela possibilidade de enxergar. Somos capazes de passar pela rua, que tantas vezes cruzamos ao longo de nossa existência e, por um milagre, quase não a reconhecemos. Quantos detalhes nunca vistos, quantas cores e cheiros jamais notados. Deus, repetia o filósofo de Mondubim, mora nos detalhes.

Com a capacidade de enxergar a realidade à nossa volta, induzida pelo pavor da pandemia, passamos a presenciar, no íntimo, um mundo que, de fato, não conhecíamos ou que imaginávamos familiar. Não é por outra razão que somente quando a situação aperta é que passamos a enxergar a realidade e as pessoas tal como elas são. Não apenas os outros, mas a nós mesmos. Fora do cotidiano modorrento, quando normalmente agimos feito máquinas, o mundo vibra de forma frenética e até perturbadora. A sensação nesse momento de apreensão é que as imagens, que normalmente iam direto dos olhos para cérebro, agora passam antes pelo coração, onde são processadas de outra forma, chegando à cabeça repletas de sentimento e emoções.

Vemos agora o mundo e as pessoas tal como elas sempre foram: frágeis e sem muita certeza quanto ao futuro.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Deus ri de quem faz planos”

Provérbio iídiche

Charge do Cazo

 

Paciente

Prof. Dr. Raul Cutait está na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Sírio Libanês para tratamento do Covid-19. Segundo o boletim médico, o estado é estável. Prof. Dr. David Uip e o Prof. Dr. Carlos Carvalho estão acompanhando o colega.

Foto: Reprodução/VEJA

 

Alívio

Pelas orientações do GDF, encontra-se suspensa a prova de vida por 30 dias, conforme Portaria nº 13 de 16 de março de 2020, do IPREV-DF, a contar de 17/03/2020. Provavelmente esse período será estendido, já que se trata de idosos, pessoas mais frágeis a enfrentar filas e contatos em bancos.

Cartaz: iprev.df.gov

 

SOLução

Em um vídeo, o Dr. José de Castro Coimbra defende que as pessoas tomem sol no horário certo durante o confinamento. O médico lembrou que grande parte do mérito para a cura da tuberculose foi do sol. A tuberculose pode ser assintomática, causada pelo bacilo de Koch e afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos ou sistemas.

 

Esperança

Segundo o Ministério da Saúde, por ano, são notificados aproximadamente 70 mil casos novos e ocorrem cerca de 4,5 mil mortes em decorrência da tuberculose. Há experimentos iniciados por profissionais da saúde na Austrália, em Melbourne, com a vacina usada para prevenir a tuberculose A intenção é saber se tem eficácia no combate ao coronavírus.

Foto: Agecom Bahia

 

Boa Surpresa

Uma pessoa da família de Rosane Garcia, nossa colega do CB, precisou chamar o SAMU em uma emergência. Rapidez, cordialidade, profissionalismo do pessoal que deu o primeiro atendimento. Encaminhada para o Hospital de Base, o tratamento na instituição deu continuidade ao bom atendimento. O mínimo de burocracia para a entrada da paciente, cuidados e exames detalhados.

Foto: saude.df.gov

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E o mais interessante está acontecendo: a Câmara negou aprovação ao projeto que concede 500 milhões para a aquisição do prédio da Vale do Rio Doce, mas mesmo assim, aquela Companhia (que é de particulares também) está financiando a mudança do Ministério, não se sabe com que dinheiro. (Publicado em 04/01/1962)

Desafio do farol

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Provavelmente o presidente Jair Bolsonaro conheça toda a trama nos bastidores criada pelo país asiático, para seguir a vida visitando as pessoas de baixa renda e sentindo o drama do povo brasileiro de perto. Por isso, para o chefe da Nação, que vê o dedo do socialismo cada vez mais perto, ameaçando a liberdade do país com uma doença de patente conhecida, vê a compra de rede de televisão, e o dinheiro correndo para comprar o silêncio. Bolsonaro segue com sua teimosia para chamar a atenção, em primeiro lugar, do exagero de informações falsas entrelaçadas com verdadeiras. Todas as mortes precisam ser anunciadas com as doenças pré-existentes nos pacientes. Raramente adotam essa prática. Pouco se comentou sobre general Heleno, com mais de 70 anos, que está de volta à ativa, como prova de que o mal não é do tamanho que desenham.

Quer o chefe do Executivo, comandar o combate à doença com racionalidade e apoio total da população. Já disse que não está incomodado com a popularidade, o que é um caso raro. Já disse também, que outros países não são o Brasil. Tem a temperatura, clima, diferente. Um tempo enorme do horário nobre foi dedicado ao Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para todos os esclarecimentos. Logo depois da fala, locutores criticaram novamente o governo, deixando uma interrogação se estão do lado de partidos ou dos brasileiros. Se há reclamações que o presidente confunde a população, essa postura também confunde. Dezenas de minutos o ministro usou para esclarecer as premissas sobre a doença. Quando acaba de falar, o criticam.

É importante que se reconheça a equipe escolhida pelo presidente Bolsonaro, principalmente da Saúde e da Economia. Estão sendo profissionais, apartidários e competentes como o povo brasileiro merece. O ministro Mandetta prega o confinamento, mas os repórteres que tanto criticam o presidente também estão nas ruas, registrando os fatos para conhecimento da população. Os jornalistas não podem parar, nem médicos, padeiros, caixas de supermercados, lixeiros, carteiros, e assim se estende a classe que sai nas ruas. O presidente saiu também. Estava trabalhando. Pela lupa, o confinamento não é total. Há os que se protegem e protegem a população e há os que precisam trabalhar e tomam os cuidados necessários para se proteger e proteger a população. Como dizia Clarice Lispector, “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho.”

Por tudo o que o presidente diz acreditar, é ele o político mais exposto à crise de saúde pública. Tem tido coragem e coerência para manter o que pensa e pelo visto reluta para mostrar verdadeiramente para a população a história como ela é. É preciso que os brasileiros despertem com inteligência, prudência e sabedoria para enfrentar essa guerra.

Em qualquer cenário alcançado pela praga, o presidente será atingido. Se morrerem mais brasileiros por conta unicamente da doença ou se a situação econômica ficar insustentável, em quaisquer das hipóteses, seu governo precisará agir. Ao sair às ruas, Bolsonaro sabe dessas variáveis e arrisca sua vida e a vida daqueles que o seguem nessa cruzada em prol da saúde econômica do país. À bem da verdade, o presidente não tem muita escolha nesse momento. Se não sai às ruas para tranquilizar a população, prometendo à volta ao trabalho, a imprensa e a oposição caem em cima dele. Se ficar recolhido no Palácio da Alvorada, o mesmo acontece.

O fato é que, enquanto o presidente não encontrar um farol seguro de onde possa orientar a população a chegar à um bom porto, parte da imprensa e da oposição não darão trégua. Há o problema diplomático, mas quem torce pelo Brasil acredita que o alto desse farol anunciará a solução a tempo de desviar o país da rota que compromete o bem mais valioso de um povo: a liberdade.

 

 

–> Para mais informações sobre, leia Escola de samba da China 2020 – dossiê COVID-19 em 5 atos

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A verdade o libertará, mas primeiro o irritará.”

Joe Klaas, de Doze Passos para a Felicidade

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Enquanto isto, o Ministério das Minas e Energia continua a toque de caixa nos preparativos para a mudança para a Asa Norte. (Publicado em 04/01/1962)

Uma dura lição

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Foto: Sérgio Andrade/Governo do Estado de São Paulo (agenciabrasil.ebc.com)

 

Das muitas lições que serão deixadas pelo isolamento social compulsório, por conta da pandemia do Covid-19, a milhões de brasileiros, nenhuma outra será mais importante do que a certeza de que o fenômeno da corrupção tem seus efeitos nefastos prolongados por tempo indefinido, atingindo indiscriminadamente gerações e gerações. Ainda mais quando esse fenômeno atinge patamares de uma endemia, como tem sido no nosso caso.  Por mais defeitos que tenha o presidente Bolsonaro, ainda há o mérito de lutar incessantemente contra o vírus da corrupção. Esse sim, sempre foi nefasto ao país, mantendo a fome, ignorância e paternalismo.

Vale recordar a fala recente do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal, quando afirmou que: “É um equívoco supor que a corrupção não seja um crime violento. Corrupção mata. Mata na fila do SUS, na falta de leitos, na falta de medicamentos. Mata nas estradas que não têm manutenção adequada. O fato de o corrupto não ver nos olhos as vítimas que provoca, não o torna menos perigoso.”

Por isso mesmo, causa espécie a todos os brasileiros de bem que políticos, notoriamente apontados pela justiça como culpados por esses crimes hediondos, aproveitem desse momento de angústia para, de modo cínico, proporem soluções que, nem de longe, adotaram quando tiveram oportunidade e poder para tanto. Esse é o caso específico do ex-presidente Lula que, de forma absolutamente desavergonhada, tem aparecido em vídeos fazendo críticas e sugestionando ações contra a crise, como se não fosse ele e seu desgoverno um dos responsáveis pela fragilidade de nosso sistema de saúde e pelo saldo de milhões de desempregados.

Não se pode, de modo algum, desprezar esses fatos do nosso passado recente e que hoje pesam sobremaneira nessa crise de saúde pública. Talvez uma das mais emblemáticas cenas desse passado triste, ainda não totalmente solucionado por nossa justiça parcial e suspeita, seja justamente a utilização dos muitos e gigantescos estádios de futebol construídos para a fatídica Copa do Mundo de 2014, em que praticamente todos os envolvidos nesse esquema odioso foram acusados de corrupção, dentro e fora do país.

Esses verdadeiros elefantes brancos, monumentos obsoletos, erguidos para propiciar a manutenção contínua de um propinoduto bilionário, são retirados agora de seu estado letárgico profundo para servirem de hospitais de campanhas. Essa improvisação de finalidade totalmente diversa demonstra de forma cabal a distância entre o que necessita uma população carente e aquilo que os políticos sem ética almejam para si mesmos.

Nada mais emblemático para ensinar uma população em pânico e cerrada dentro de casa do que a conversão de estádios em hospitais de emergência para fazer entender, de uma vez por todas, o potencial deletério do fenômeno da corrupção. A corrupção mata. Essa é a lição aprendida agora da pior maneira possível.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Quando você perceber que para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada.”

Da filósofa russo-americana, Ayn Rand (judia fugitiva da Revolução Russa, quando chegou aos Estados Unidos, em meados da década de 20).

Foto: britannica.com/biography

 

Juntos e fortes

Pessoal da Motoluc está confeccionando máscaras Face Shield para doar aos hospitais da cidade. Por enquanto, a capacidade é de 1500 máscaras por dia. Além da convocação de voluntários, eles estão recebendo doações de chapas de acrílico de 3mm. Leia logo abaixo mais detalhes para quem quiser ajudar.

 

Capes

Na hora que a coisa aperta, a coisa muda. O sistema da Capes foi liberado para implementação de bolsas de mestrado e doutorado. Um pesquisador nos enviou a missiva com a seguinte conclusão: a terra pode até ser plana na concepção dos fanáticos, mas ninguém pode negar que ela continua dando voltas.

 

Reconhecimento

Nossas homenagens a todos que trabalham na Polícia Federal, instituição que completa 76 anos.

Cartaz publicado no perfil oficial da Polícia Federal no Instagram

 

Sempre a verdade

Morreu ou não morreu? O GDF corrigiu a informação sobre a primeira morte causada pelo coronavírus. A Secretaria de Saúde do DF justificou que houve um desencontro de informações.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Todas as autarquias estão com novos presidentes. É bom ler todos os discursos de posse, para que a gente possa, depois, cobrar as promessas. (Publicado em 04/01/1962)

Gráficos de vida e morte

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Videoconferência dos líderes do G20 (Foto: Marcos Corrêa/PR)

 

Pouco se sabe como trabalha ou que estratégias adota no momento o chamado Gabinete de Crise, criado pelo Executivo para coordenar os esforços no combate à pandemia do Covid-19. Faltam, nos meios de comunicação, referências a esse grupo de trabalho ou como executam tão ampla tarefa.

Por certo, a discrição e o sigilo devem compor parte dessa estratégia de trabalho. Tudo é possível nesse momento em que os direitos individuais parecem estar suspensos, soltos no ar. De qualquer maneira, não seria uma má ideia esse grupo extraordinário criar uma ponte permanente, em âmbito internacional, trocando e colhendo informações preciosas de experiências e avanços obtidos em outros países que passam pelo mesmo problema. É importante que os brasileiros recebam informações a respeito.

O que acontece agora, com a instalação sincronizada dessa crise em todo o planeta, vem provar a tese de que, mesmo as eleições que são ganhas com certa facilidade, sem muito dispêndio de recursos ou lábia, não significam uma governança tranquila e sem maiores sobressaltos. Exemplos desse fato são abundantes na história brasileira e parecem não ter ensinado nada aos políticos.

Nas próximas semanas, dois gráficos estatísticos poderão ilustrar e testar, com precisão matemática, a evolução de fenômenos distintos, mas que estarão umbilicalmente ligados pelo destino. A depender da orientação desses gráficos, o futuro político do presidente Bolsonaro estará selado de forma definitiva.

De fato, à medida em que a curva estatística apontar o crescimento no número de pessoas infectadas e de mortes, expondo as mazelas conhecidas do nosso sistema de saúde pública, noutro gráfico estarão indicadas automaticamente e em sentido contrário também o declínio na credibilidade do atual governo. Por isso, não há exagero em afirmar que o Covid-19 veio para testar, na prática, o governo de Bolsonaro. Não a sua saúde física, de atleta, mas a sua saúde política.

Depois do pronunciamento em cadeia nacional, o presidente expôs seu governo ao contágio de 220 milhões de brasileiros, expondo-o abertamente na fronteira entre o vírus e a economia do país. É nessa divisão de terrenos que estarão sendo jogados todo o futuro do bolsonarismo. Mesmo que ele não se importa para o que digam sobre ele. Há a impressão de que ainda não se deu conta que é preciso ser ele mesmo e Presidente da República. Pelo o que se tem visto até aqui, os adversários políticos não irão medir esforços, mesmo que tenham que passar por cima de possíveis cadáveres, para atingir o palanque mais próximo.

Com muito esforço, é possível que os panelaços que se anunciam e que, em grande parte, são induzidos por redes de televisão contrárias ao governo, podem, no desenrolar da crise, ganhar vida própria, empurrados pelo pânico ou pelo descontrole no combate à pandemia.

Falar em próximas eleições nesse momento é, além de sandice, desconhecer que 2022 chegou mais cedo. Com isso, é possível dizer que o atual conjunto de políticos está sendo avaliado nesse exato instante. A população enclausurada está de olhos postos nas autoridades, conferindo cada movimento. Quem sobreviverá?

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“A constante pressão do tempo não é o menor dos tormentos que envenenam a nossa existência. Ela mal nos permite tomar fôlego e logo nos persegue como um bedel munido de chicote. A perseguição cessa apenas para aquele que foi entregue ao tédio.”

Schopenhauer, filósofo alemão, 1851

Arthur Schopenhauer. Pintura de Jules Lunteschütz, 1855.

 

Novidade

Buritizinho, Mangueiral, Paranoá Parque, Vale do Amanhecer e Ceilândia recebem um aporte para a construção de Unidades Básicas de Saúde que deverão estar prontas até 31 de dezembro deste ano.

 

Lado bom

Recebemos, de dona Terezinha Bleyer, uma postagem mostrando a banda da Polícia Militar fazendo uma serenata pelas ruas de Florianópolis. Emocionou a população. Veja a seguir.

 

Impressionante

Se no Paranoá não houver pico da doença lotando o hospital local, o presidente Bolsonaro estará certo. Crianças, idosos, todos andando pela rua despreocupadamente, lojas abertas, tudo absolutamente normal.

 

Do carro

Igrejas que já sabem que ser serviço essencial não abrem mão de proteger seus fiéis. Veja a seguir como estão sendo feitas as confissões na paróquia Nossa Senhora da Saúde, na Asa Norte.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

No IAPI tomou posse o Conselheiro Alves, da presidência do Instituto. É uma esperança para o Instituto que reune quase por 80 por cento da Previdência Social. Que seja mais amigo de Brasília, fugindo às normas do seu antecessor, que fez tudo para que a autarquia voltasse para o Rio. (Publicado em 04/01/1962)