A fantasia do samba

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade

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Foi-se o tempo em que o samba e principalmente os sambistas eram alvo constante das batidas policiais nos subúrbios cariocas. Na verdade, toda a cultura oriunda da classe trabalhadora e mesmo seus credos eram olhados com desconfiança e, não raro, reprimidos com violência a mando das elites nas primeiras décadas do século XX.

Conhecedores das agruras que vinham sofrendo desde que foram trazidos à força para esse continente, a população negra continuava marginalizada e perseguida, mesmo com o fim oficial da escravidão no século anterior. Talvez, por isso mesmo, pressentia que a preservação de elementos de sua cultura, como um elo a fortalecê-los, seria mais do que uma forma de resistir contra a opressão. Era a própria confirmação de que essas eram as verdadeiras raízes que fixariam, fortemente, essas populações perseguidas em solo brasileiro. Além do mais, era através da cultura do samba, do Candomblé, da capoeira e de outras manifestações de arte próprias, que esses brasileiros encontravam um refúgio e um bálsamo contra as hostilidades do mundo, pretensamente civilizado. Era necessária essa catarse para suportar uma vida tão adversa.

Por outro lado, era no samba e nos ritmos desse gênero, que muitos encontravam um meio de ridicularizar as elites que, em pleno clima tropical, sob o calor escaldante do sol de verão, desfilavam de fraque, cartola e outras indumentárias, buscando imitar os costumes e trajes europeus. De fato, se havia algum grau de autenticidade e de cultura genuína, essa não seria uma marca das elites, e sim da população negra. No samba “Pra que discutir com madame, de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, e interpretada magistralmente por João Gilberto, fica claro esse antagonismo entre o mundo que se crê grã-fino e sofisticado e o samba e sua gente humilde.

Madame diz que a raça não melhora/Que a vida piora por causa do samba/Madame diz o que samba tem pecado/Que o samba, coitado, devia acabar/Madame diz que o samba tem cachaça/Mistura de raça, mistura de cor/Madame diz que o samba democrata/É música barata sem nenhum valor/Vamos acabar com o samba/Madame não gosta que ninguém sambe/Vive dizendo que samba é vexame/Pra quê discutir com madame?/Vamos acabar com o samba/Madame não gosta que ninguém sambe/Vive dizendo que samba é vexame/Pra quê discutir com madame?/no carnaval que vem também concorro/Meu bloco de morro vai cantar ópera/E na Avenida, entre mil apertos/Vocês vão ver gente cantando concerto/Madame tem um parafuso a menos, Só fala veneno, meu Deus, que horror/O samba brasileiro democrata/Brasileiro na batata é que tem valor”.

Houve um tempo em que ser sambista era contravenção e dava cadeia. Isso nos idos de 1920 em diante. Mas como a contravenção não escolhe classe social, sendo aperfeiçoada com as elites, que fez, desse modo de vida, imensas fortunas, sem ser importunada pela lei, o samba também encontrou um meio de se fantasiar e entrar disfarçado nos salões chiques, de onde não mais saiu, e hoje entretém seus antigos algozes.

                  

A frase que não foi pronunciada:

Com o WhatsApp, foi possível separar os internautas em dois tipos: os que querem impor a própria vontade, desobedecendo as regras do grupo com assuntos impertinentes, e os que obedecem e são obrigados a aguentar o discurso da tolerância.”

Alguém do grupo Fale com o Administrador do Lago Norte

 

Charge do Gilmar

Tolera-se?

Falando em regras, o Santander SX Visa não respeita a lei do telemarketing e telefona para as residências do DF em horários impróprios para vender produtos.

Imagem: Divulgação/Santander

Arte

Escola de Música de Brasília recebe inscrições até o dia 20 desse mês para o Curso Internacional de Verão versão online. Tudo de graça.

Foto: André Borges/Agência Brasília

Lupa

Um passeio de metrô para Águas Claras é uma boa referência para traçar no mapa do DF algumas novas invasões brotando da terra.

Foto: Reprodução / Google Maps

 

Caridade

Moradores da Asa Sul e igrejas se mobilizam para ajudar os mendigos da cidade que se concentram atrás da UDF, no Centro de Acolhimento.

Foto: Reprodução/Google

Crise?

Quem quis passear e comprar no feriado em Brasília só encontrou Shopping aberto. A maioria das lojas nas entrequadras e W3 fecharam as portas.

Foto: TV Globo/ Reprodução

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Pois bem, o IAPC fixou a taxa de limpeza em 1,2% sobre o valor do imóvel. Sendo assim, haverá por mês, para a limpeza e conservação de cada bloco, a importância de mais ou menos 4 mil cruzeiros. Com o salário mínimo a Cr$ 13.400,00, está visto que nem faxineiros os prédios possuirão. (Publicado em 26/01/1962)