Para salvar o país do subdesenvolvimento cultural

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Ilustração: profissaoatitude.com.br

 

Sem dúvida, o desertar para a necessidade de retirar o cidadão brasileiro da escuridão do analfabetismo foi uma das mais importantes contribuições do movimento modernista e que viria a ser parcialmente atendido somente com a chamada revolução de trinta, com a implantação das primeiras e mais importantes escolas públicas, fundadas nas capitais.

Embora ainda frequentadas em grande parte pela elite do país, foi graças a esses estabelecimentos que o Brasil deu os primeiros passos em direção ao saber. Pertence a esse período também a propagação de um lema que chamava a atenção para a necessidade de combate ao analfabetismo e que por muito tempo serviu como norte a alguns governos. Criado pelo escritor Monteiro Lobato, o lema dizia: “Um país se faz com homens e livros”, querendo dizer, nas suas entrelinhas, que o país realmente próspero se constrói com cidadãos letrados e cônscios de seus destinos, que não se deixam manipular, sabem da sua importância e possuem clareza sobre a condição humana e sobre o mundo em volta.

Passado exatamente um século dessas primeiras manifestações sobre a importância na aquisição do saber e domínio das letras, é possível constatar ainda que o Brasil ostenta algo em torno de 12% de sua população vivendo na escuridão absoluta do analfabetismo e outros tantos por cento ostentando o diploma de analfabetos estruturais, ou seja, sabem ler e escrever, mas não entendem o que escrevem ou leem.

O mais significativo e sintomático desse tempo de escuridão que parece estar de volta, com a televisão e outras atrações sabidamente sub culturais (sem contrapartida aos subsídios que recebem do governo), pode ser verificado nas grandes metrópoles brasileiras, também com o fechamento de praticamente todas as livrarias existentes.

Sem bibliotecas públicas de referência e agora com a despedida melancólica das poucas  livrarias que existiam pelo país, parecem restar poucos caminhos para salvar o Brasil do subdesenvolvimento cultural: ou as grandes editoras de livros se unem, criando uma gigante do setor, ou o governo assume esse papel, deixando de lado estatais que produzem derivados de petróleo, e organize uma bem aparelhada estatal do livro, erguendo uma editora nacional e moderna, com a publicação de livros  de alta qualidade a preços honestos e acessíveis a todos.

Ou é isso, ou será o retorno do bicho-de-pé e da barriga cheia de lombrigas.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Nunca conheci um homem tão ignorante que não pudesse aprender algo com ele.”

Galileo Galilei, físico, matemático, astrônomo e filósofo florentino.

 

 

Ainda isso

Depois da divulgação de que o Brasil ocupou as últimas posições no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), realizado pela Organização para a Cooperação do Desenvolvimento Econômico (OCDE), até agora, como política pública, o que se tem visto é a sugestão das Secretarias de Educação para que os professores não reprovem alunos. Sejam ruins ou péssimos.

Charge do Cleverson

 

Abuso

Pais de colégios particulares nos enviaram a foto de uma maletinha com alguns livros onde é cobrado nada menos que R$650,00. Material obrigatório para crianças de 4 anos de idade. Um verdadeiro absurdo! Veja as fotos a seguir.

 

 

 

 

Mosquitoeira

Criada por Antônio C. Gonçalves Pereira e Hermano César M. Jambo, a mosquitoeira é uma armadilha caseira que pode diminuir a proliferação de mosquitos. Veja a seguir como usar a garrafa pet para esse fim.

 

 

Mobilidade

Mesmo em locais onde há calçadas, cadeirantes preferem o asfalto para fugir dos postes no meio do caminho ou as sucessivas subidas e descidas de meio fio.

 

 

Sem emprego

Prova do desemprego na capital está na fila gigantesca formada em volta do Estádio Mané Garrincha. Gente com diploma em curso superior, experiência em diversas atividades administrativas, engrossaram as filas para o “banco de talentos” em serviços gerais.

Foto: Ed Alves/CB/ DA Press

 

 

Novamente

Dentre os inúmeros infiltrados que têm se concentrado em minar o pessoal nomeado pelo presidente Bolsonaro, agora chega a notícia de que a Polícia Federal já concluiu a análise sobre as mensagens que derrubaram o general Santos Cruz. Eram falsas.

Mensagens de WhatsApp atribuídas a Santos Cruz fazem críticas a Bolsonaro e aos filhos dele Divulgação / Ministro Santos Cruz

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os candangos da obra do Hotel Nacional interromperam, ontem, seu trabalho para dar caça a um veado que apareceu em frente às lojinhas. (Publicado em 15/12/1961)

Por uma estatal do livro

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Imagem: reprodução da internet

Houve um tempo, talvez numa época de inocência, em que acreditávamos ser possível construir uma nação com base no conhecimento. Isso foi ali, mais precisamente, no alvorecer do século XX. Naquela ocasião, talvez pelo fato de o mundo Ocidental adentrar para o tão esperado segundo milênio, quando todas as ciências inventadas pelo gênio humano finalmente iriam erigir uma nova civilização, baseada sobretudo nos avanços da tecnologia, levava a crer que um deus surgido das máquinas, espécie de “Deus ex machina” resgataria o paraíso perdido, revolucionando, como nunca, a história da humanidade.

Futuristas, chamados assim, tanto na Europa, como no Brasil, nas primeiras décadas do século XX, pregavam a superação total do passado pelo despertar das máquinas e pela velocidade. Num trecho do manifesto Futurista do ativista e artista italiano Marinetti, publicado no jornal “Le Figaro” em 1909, pregava, entre outras palavras de ordem: “Nós cantaremos as grandes multidões excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; nós cantaremos a canção das marés de revolução, multicoloridas e polifônicas nas modernas capitais; nós cantaremos o vibrante fervor noturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas elétricas; estações de trem cobiçosas que devoram serpentes emplumadas de fumaça; fábricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fumaças; pontes que transpõem rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de aço freados por tubulações; e o voo macio de aviões cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um público entusiasmado.”

Para esses adoradores das máquinas, a própria guerra serviria como uma oportunidade de limpeza e aniquilação do passado, que desejavam morto e sepultado para sempre. No Brasil, como todo os movimentos de vanguarda do mundo moderno, chegavam na bagagem daqueles poucos privilegiados que foram estudar ou aprimorar suas técnicas no exterior, principalmente na Europa. De lá, desde 1500, vinham os novos ventos da mudança.

Com o efêmero movimento futurista não foi diferente. A Semana de 1922, que serviu como uma espécie de marco introdutório do modernismo na cultura brasileira, embarcou nesse ideário de mudanças que o velho continente anunciava, passou a pregar também a necessidade de o país se desvencilhar de seu passado colonial.

São desse período, os primeiros movimentos visando valorizar, de fato, a arte e a cultura nacional, criando o que viria a ser o embrião do nacionalismo cultural, por meio da busca pelo regionalismo e pelas raízes de nosso saber.

Para despertar e fazer acontecer todo esse interesse pela riqueza cultural genuinamente nacional, o maior empecilho e talvez o mais intransponível era superar o histórico analfabetismo que dominava o país, desde o descobrimento. Como pode uma nação produzir e registrar sua riqueza cultural para outras gerações, sendo majoritariamente composta por indivíduos iletrados?

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Metade do mundo é composta por pessoas que têm algo a dizer e não podem, e a outra metade que não tem nada a dizer e continua dizendo isso.”

Robert Frost, poeta dos Estados Unidos

Foto: britannica.com

 

 

Mobilidade

Brasília tem uma estrada de ferro que levava passageiros para São Paulo e poderia servir de transporte para os moradores do entorno sul. Como quem ganha com isso é principalmente o cidadão, não há interesse em reativá-la.

“A ferrovia chega a Brasília: 22 de abril de 1968, fotografia, p/b, Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manhã, Rio de Janeiro”. Cf. Brasil, Brasília e os brasileiros. Composição de aço inox da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, possivelmente na curva da Vila Nova Divinéia, no Núcleo Bandeirante.

 

BUS

Por falar nisso, houve época em que se discutia o bilhete único para passagens em Brasília. A prática já é adotada em vários estados brasileiros. O problema é que as distâncias em Brasília são longas, poucos ônibus para os horários de pico e para os fins de semana e falta de pontualidade. Curtas distâncias com o mesmo preço de longos percursos não é justo.

Imagem: bilheteunicodebrasilia.df.gov.br

 

Faz falta

Vendo as filas em hospitais públicos é possível perceber como faz falta o programa Saúde em Casa, criado pelo ex-governador Cristovam Buarque. Idosos que eram poupados da difícil locomoção, crianças que recebiam noções de higiene ou eram atendidas sem o sacrifício de longas esperas ou adultos que recebiam dicas de prevenção contra doenças.

Caricatura: carlossam.blogspot.com.br

 

Experiência

Tantas viagens para o exterior dos nossos governantes precisam servir como exemplo de trato da coisa pública. O dinheiro dos impostos aplicados para o bem dos cidadãos.

Charge do Bruno (chargesbruno.blogspot.com)

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Temos notícia de que o mesmo ocorre na escola da superquadra 106, e é uma pena que isto ocorra em prejuízo de um prédio tão bonito e tão bem planejado. (Publicado em 15/12/1961)