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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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No próximo dia 24, o Supremo Tribunal Federal (STF) retomará um dos julgamentos com maior potencial de transformação para melhor ou para pior da economia brasileira nos últimos anos. A Corte decidirá, em caráter vinculante e com repercussão geral, se motoristas da Uber, entregadores da Rappi, iFood, 99 e plataformas similares têm vínculo empregatício formal com essas empresas. A decisão, seja qual for, não ficará circunscrita às paredes do plenário: chegará às ruas, às mochilas térmicas, aos carros particulares, às carteiras e, sobretudo, à liberdade de milhões de brasileiros.
Antes de qualquer análise, é preciso enunciar o dado mais inconveniente para os defensores da CLT a qualquer custo: a maioria dos trabalhadores de aplicativos não quer o vínculo empregatício. Pesquisas, audiências públicas e manifestações públicas têm demonstrado, à exaustão, que esses profissionais valorizam a flexibilidade de horários, a autonomia para aceitar ou recusar corridas e entregas, e a possibilidade de conciliar o trabalho por aplicativo com outras atividades. Para eles, a relação de emprego formal não representa proteção, representa uma gaiola.
A pergunta que se impõe, portanto, é: se os próprios trabalhadores não querem o vínculo, para quem, afinal, essa decisão seria uma vitória? A resposta, infelizmente, não é difícil de encontrar. O lobby mais ativo e organizado em prol do reconhecimento do vínculo empregatício não vem dos trabalhadores, vem das centrais sindicais. E a motivação não é altruísta. Com o vínculo formalizado, os sindicatos voltam a ter acesso a uma base imensa de contribuições compulsórias, uma fonte de recursos que o legislador havia restringido com a Reforma Trabalhista de 2017.
Os milhares de motoristas e entregadores que foram às redes sociais, às ruas e a fóruns públicos defender a manutenção do modelo atual não dispõem dos mesmos recursos, da mesma articulação política nem do mesmo acesso aos corredores do poder. A assimetria é flagrante e reveladora. Os defensores do reconhecimento do vínculo empregatício constroem um discurso sedutor, recheado de promessas que merecem ser examinadas com rigor:
“Os trabalhadores terão acesso a todos os direitos trabalhistas.” Verdade, mas a que custo? Com FGTS, férias remuneradas, 13º salário, aviso prévio e contribuições pre videnciárias, o custo por trabalhador para as plataformas aumenta entre 40% e 80%. Esse custo não desaparece: é repassado aos preços, reduzido via cortes de pessoal ou eliminado com a saída das empresas do país.
“Haverá mais estabilidade e renda garantida.” Mas quem garante que as plataformas manterão os contratos? A experiência internacional mostra o contrário: na Espanha, após legislação similar, o iFood demitiu milhares de entregadores e passou a operar com frotas próprias reduzidas. Na Califórnia, a Prop 22 foi aprovada justamente porque os trabalhadores preferiram a flexibilidade à suposta proteção.
“As empresas têm lucros bilionários e podem pagar.” O argumento ignora que parte significativa dessas empresas ainda opera no vermelho globalmente, subsidiadas por capital de risco. Mais importante: mesmo as lucrativas não são filantrópicas diante de custos inviáveis, adaptam o modelo de negócios ou saem do mercado. O trabalhador que hoje tem renda flexível pode amanhã não ter renda nenhuma.
“O vínculo traz dignidade ao trabalhador.” Digno não é apenas o trabalho com carteira assinada, digno é o trabalho que existe, que paga as contas e que respeita a autonomia de quem o executa. Dizer ao entregador que ele só terá dignidade quando estiver enquadrado em um modelo do século 20 é, no mínimo, uma condescendência disfarçada de proteção. O cenário mais provável, em caso de decisão desfavorável às plataformas, não é o paraíso trabalhista prometido pelos sindicatos, é o desemprego em massa.
As plataformas de mobilidade e entrega operam com margens apertadas, dependem de escala e são altamente sensíveis a mudanças no ambiente regulatório. Diante de uma conta trabalhista que pode superar centenas de bilhões de reais em passivos, as opções são poucas: encerrar operações, reduzir drasticamente a força de trabalho ou repassar os custos de forma que inviabilize o serviço para a população.
Com histórico bem documentado de espantar investimentos com seu ambiente tributário e regulatório, a chamada “gula arrecadatória” do Estado brasileiro que tributa o trabalho, o consumo e a produção de maneira regressiva e ineficiente combina-se com a ganância institucionaliza da de entidades sindicais para criar um cocktail capaz de afastar qualquer empresa racional. Os sindicatos, nesse sentido, funcionam como a velha “mão morta” do feudalismo europeu: estruturas que extraem renda sem produzir valor, perpetuando privilégios em nome de uma clas se que, ironicamente, não as escolheu para representá-la.
Convém lembrar que o Brasil tem mais de 12 milhões de trabalhadores vinculados a plataformas digitais, segun do dados do IBGE. Qualquer decisão que comprometa a viabilidade desse modelo de negócios afeta diretamente a renda de famílias que dependem desse trabalho para sobreviver, muitas delas em situação de vulnerabilidade social, para as quais o aplicativo representa não um bico, mas a principal fonte de sustento. Espera-se de um tribu nal constitucional que julgue com base no direito, nos fa tos e nas consequências reais de suas decisões.
A frase que foi pronunciada:
“Deixem o trabalhador trabalhar!”
Lucio Silva, em manifestação de motoboys

História de Brasília
O GTB garantiria, então, a locação das residenciais tão logo estivessem concluídas e não vendidas ou alugadas diretamente pelo comprador construtor. (Publicado em 20/5/1962)
VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)
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Quem mais poderia saber o que é bom para os trabalhadores, senão eles mesmos? Com uma questão clara como essa, dita de forma simples e direta, fica patente que quaisquer outros intermediários ou tutores que venham interferir nas relações de trabalho entre motoristas e entregadores e os aplicativos, não são bem-vindos. A razão, confessada pelos próprios profissionais que trabalham nesses nichos é simples: para eles, o governo entra nessa relação para atrapalhar o negócio, prejudicando e onerando as empresas de tal forma que elas não terão outra alternativa, senão fecharem as portas e saírem do país, deixando milhares de trabalhadores sem emprego.
O que o governo não entende e tende a não aceitar, por questões ideológicas anacrônicas, é que são próprios do capitalismo tanto a participação aberta da livre iniciativa, quanto a livre concorrência, ditada pelas forças do mercado. Tentar interferir nessas forças naturais, por meio do poder do Estado, com regulamentações obtusas e de fundo ideológico, só faz sentido na mente daqueles que acreditam ainda que o governo tudo pode, inclusive revogar a lei da gravidade.
O problema é que o atual ministro do Trabalho, Luiz Marinho, por sua origem sindical ligada ao Partido dos Trabalhadores, não consegue admitir ou aceitar que uma tão numerosa e crescente categoria profissional possa existir prescindindo de uma representação sindical, de preferência ligada às teses políticas do atual governo.
Para os trabalhadores de aplicativos, o que o ministro e o presidente desejam com a proposta de regulamentação desse setor autônomo é trazer mais filiados e contribuintes para as entidades sindicais e para o governo. Alguns políticos, como o presidente do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, a proposta do governo vai, simplesmente, “aniquilar os aplicativos de transporte em nosso país”. Segundo ele, o projeto de Lei, encaminhado à apreciação do Congresso em caráter de urgência, vai tirar o sustento de 778 mil famílias em todo o país, prejudicando, ao mesmo tempo, plataformas, usuários e trabalhadores.
Por razões que só as esquerdas entendem, a remuneração com base apenas no desempenho, como fazem os aplicativos, é inaceitável. Também a persistência com que o governo quer adotar o pagamento mínimo por hora trabalhada, além de uma contribuição previdenciária obrigatória, entra nessa modalidade de serviço para melar o negócio. Os trabalhadores, bem como os aplicativos, deixaram claro também que rechaçam a criação de sindicatos para a categoria.
Nessa modalidade de prestação de serviço, o que vale é a boa avaliação do trabalhador, e não leis e regulações que igualam, por baixo, todos os profissionais, como é comumente imposto pelos falidos regimes socialistas. A qualidade dos serviços, que sempre foi uma meta pregada pelas empresas de aplicativos, deixará de existir, piorando os serviços e desincentivando a performance e o esforço dos bons profissionais.
A frase que foi pronunciada:
“Todos os nossos problemas procedem da injustiça. O privilégio foi o estigma deixado pelas circunstâncias do povoamento e da colonização, e de sua perversidade não nos livraremos, sem a mobilização da consciência nacional.”
Ulysses Guimarães

Robótica
Sucesso no Parque da Cidade. Estudantes de todo o país participaram do Festival Sesi de Educação, promovido pelo Serviço Social da Indústria. Essa foi a etapa classificatória para o mundial dos Estados Unidos, em abril. O Sesi atende crianças de 9 a 14 anos que gostam de robótica, com duas aulas por semana à tarde. Os valores devem ser consultados na unidade da matrícula.

Momentos brilhantes
Outra oportunidade para alunos de todo o país é a inscrição no programa Jovem Senador. Até o dia 30 de abril o Senado receberá os textos das redações com o título: “Os 200 anos do Senado e os desafios para o futuro da democracia.” O primeiro passo começa na escola pública. Todas as redações serão enviadas para a Secretaria de Educação do estado que selecionará os três melhores textos que irão para o julgamento do Senado. Os estudantes que vencerem o concurso participam de todo o processo na construção de uma lei, indo inclusive ao plenário.

Literatura em áudio
Quem adora ler, tem boa voz e qualquer idade pode buscar no www.vox.org uma forma de, voluntariamente, ler livros que se transformarão em livros eletrônicos ou mesmo histórias lidas e apresentadas no YouTube, que são disponibilizadas para pessoas que não conseguem mais ler e gostam de ouvir as histórias.
História de Brasília
Quando a gente acha absurda uma coisa destas, e vai ver, os dois carros são chapa branca, o que quer dizer mais ou menos isto: carro do govêrno é prá bater. (Publicado em 3/4/1962)

