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Hoje, com Circe Cunha e Mamfil – Manoel de Andrade
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Chegará ao Planalto, em janeiro de 2027, um presidente que não herdará um país, mas um conjunto de problemas acumulados, encadeados e, em muitos casos, agravados pela omissão e pela má gestão. Não haverá tempo para discursos de posse com promessas vagas. O cenário exigirá decisões imediatas, porque o Brasil que estará à sua frente não será o das campanhas eleitorais, mas o da realidade concreta, dura e pouco negociável. Encontrará, de saída, um quadro fiscal pressionado. As contas públicas, já há anos tensionadas por gastos crescentes e baixa capacidade de investimento, deverão impor limites claros a qualquer aventura política. Qualquer medida mal calibrada terá impacto direto na inflação, nos juros e, por consequência, no bolso da população.
O Brasil convive há décadas com produtividade baixa, ambiente de negócios complexo e insegurança jurídica recorrente. Nenhum presidente resolve isso com discursos. É preciso trabalhar em estruturas como o sistema tributário, burocracia excessiva e um Estado que muitas vezes dificulta mais do que ajuda. Sem enfrentar esses pontos, o país continuará girando em falso.
No campo social, a situação não será mais simples. O grande desafio continuará sendo transformar assistência em autonomia. Isso passa por educação de qualidade, formação profissional e geração de empregos. Sem isso, o ciclo de dependência do Estado se perpetua, e o país não avança. A segurança pública será outro ponto crítico. O avanço do crime organizado, cada vez mais estruturado e com atuação nacional, exigirá coordenação entre União e estados. Será preciso inteligência, integração de dados e, sobretudo, vontade política para enfrentar interesses que já se infiltraram em diversas áreas.
No campo institucional, o próximo presidente encontrará um ambiente de desconfiança. Parte da população não acredita plenamente nas instituições, enquanto outra parte as defende sem reservas. A máquina pública continuará pesada. Gastos obrigatórios comprimem o orçamento, e reformas estruturais seguem sendo evitadas por seu custo político. O novo presidente terá de decidir se enfrenta esse problema ou se apenas o administra. Adiar decisões pode parecer confortável no curto prazo, mas cobra um preço alto adiante.
Na política, encontrará um Congresso fragmentado, com interesses múltiplos e nem sempre convergentes com o interesse público. No cenário internacional, o Brasil continuará inserido em um mundo mais instável. Tensões comerciais, disputas geopolíticas e mudanças nas cadeias produtivas exigirão posicionamento estratégico. Outro ponto inevitável será a agenda ambiental. O país possui ativos relevantes, mas também enfrenta críticas externas e pressões internas. Conciliar desenvolvimento econômico com preservação não é tarefa simples.
Na infraestrutura, o desafio continuará sendo transformar projetos em obras concluídas. Sem melhorar a capacidade de entrega, o Brasil seguirá com gargalos que encarecem a produção e limitam o crescimento. Na educação, os resultados ainda estarão aquém do necessário. Avaliações mostram dificuldades persistentes em aprendizagem básica. Educação não é tema para slogans, mas para políticas consistentes e contínuas.
O próximo presidente também herdará um país cansado. Cansado de promessas não cumpridas, de crises recorrentes e de soluções que não se concretizam. Nada disso será novidade para quem acompanha o país com atenção. O problema nunca foi falta de diagnóstico. O problema sempre foi execução. O Brasil sabe o que precisa ser feito em muitas áreas. Falta fazer.
O presidente que assumir em 2027 terá duas opções. Repetir o roteiro conhecido, adiando decisões e administrando crises, ou enfrentar os problemas com clareza e responsabilidade. O país que será entregue em 2027 não estará condenado, mas tampouco estará resolvido. Será, como tantas vezes na história, um país em aberto. Caberá ao próximo presidente decidir se continuará sendo apenas mais um capítulo de expectativas frustradas ou se iniciará um processo de correção de rumos. O tempo, como sempre, será o juiz mais rigoroso.
A frase que foi pronunciada:
“A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com plenos direitos de expressões e manifestação, e sobretudo de organização. A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis da civilização. O nome disso é barbárie.”…
Presidente Lula, no discurso de posse

Historia de Brasilia
O ministro da Agricultura mandou um telegrama ao ministro Ari Franco, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, convidando-o para a solenidade de instalação da Comissão de Reforma Agrária, no Rio. (Publicada em 18.05.1962)

