Saída da crise pela porta errada

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Acuado pelos desdobramentos naturais da Operação Lava-Jato, da Operação Zelotes, da Operação Acrônimo e pelo temor crescente de que a qualquer instante os investigadores possam estabelecer possível interconexão entre esses três megaescândalos, o governo Dilma, mais uma vez, busca sair da crise pela porta errada.

Para um governo que ainda insiste em se conduzir com base apenas no que recomenda o departamento de maketing político, as estratégias apresentadas ao país para virar a página da crise, quando não são flagrantemente antirrepublicanas, são de amadorismo constrangedor.

No abraço de afogado em que Dilma envolve o próprio país, as chances de um e de outro escaparem do afundamento vão ficando cada vez mais remotas. Com o falso discurso de que a pessoa jurídica (empresa) não deve ser punida pelos deslizes de seus diretores, o governo optou pela porta larga da Medida Provisória nº 703, que institui os benefícios do acordo de leniência (tolerância) a todas as empresas encrencadas com a Justiça que, em tese, aceitarem doravante andar dentro dos limites da lei.

Para as empresas “arrependidas”, as punições serão mínimas, quase simbólicas, não havendo necessidade nem da devolução dos recursos surrupiados em obras superfaturadas. Até mesmo as ações do Ministério Público contra elas serão arquivadas, podendo retomar ao paraíso rendoso das obras públicas.

Para reforçar o caixa do Tesouro, o governo buscou também o caminho controverso da repatriação de recursos, de olho nos US$ 400 bilhões que, se calculam, foram enviados ilegalmente para o exterior, sem declarações ou pagamentos das taxas devidas. Na montanha de dinheiro, obviamente estão escondidas enormes somas de recursos oriundos do mundo do crime, que agora podem ser lavados oficialmente aqui dentro.

O relator da proposta na Câmara Alta é o senador Delcídio, agora preso e à disposição da Justiça. Sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, descaminho, sonegação de contribuição previdenciária, uso de identidade falsa para operação de câmbio, crime contra a ordem tributária, falsificação ideológica, falsificação de documento particular e outros ilícitos serão perdoados.

Com medidas como essas, o governo dá mostras claras da predileção natural de operar nas sombras, em que os atalhos lhe parecem sempre mais curtos.

Piauí

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Aparecendo e conquistando o público brasileiro, a revista Piauí vai inovando. Chama a atenção a capa em que Cunha e Temer se beijam, e Cunha prega nas costas do vice um papel com “Fora, Dilma”. O trabalho é da russa Nadia Khuzina. Dos Estados Unidos ela alimenta um blogue com charges da política brasileira.

Suspeita

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Foi em novembro que o senador Alvaro Dias pediu explicações da Caixa sobre resultado da Mega-Sena. O assunto vai na contramão da esteira rolante. O fato é que o povo brasileiro acredita que pode ganhar a vida fácil e favorece a vida fácil de poucos.

Sol

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Pessoal do Toninho Pop comentava a pobreza e abandono do Sol Nascente. Agora chega a notícia de que o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Julio Cesar Peres, priorizou os trabalhos não terminados pelo governo de Agnello.

Sugestivo

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Por falar em Agnelo, o Jus Brasil traz páginas e páginas de ações contra o ex-governador. Desde as eleições, prestações de contas até ações no Ministério Público Eleitoral. As prestações devidas serão pagas em 13 vezes.

Laranjada

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O deputado Chico Leite conseguiu que a Comissão de Fiscalização, Governança, Transparência e Controle da Câmara Legislativa aprovasse o PL que proíbe a contratação pelos poderes do Distrito Federal de empresas cujos proprietários ou dirigentes sejam parlamentares ou parentes até o terceiro grau.

Capital desfigurada

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Em carta aberta à população, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), em conjunto com as Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema) e de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), deixa bem claro para os brasilienses a posição da instituição sobre as remoções de edificações clandestinas.

O documento, por sua importância, deveria ser reproduzido e fixado nas principais áreas de circulação pública, para que todos tomassem ciência exata dos graves fatos que há muito vêm ocorrendo na capital do país, sob os olhos sempre complacentes de muitas autoridades. E é justamente por conta desse comprazimento, por parte das autoridades públicas, que a ação dos grileiros vem ocorrendo de forma sistemática ao longo de décadas.

Diz o documento : “Ao longo das últimas décadas, o Distrito Federal teve sua paisagem desfigurada pelo crescimento urbano desordenado e pela grilagem de terras públicas. Nascentes foram aterradas, poços artesianos e fossas sépticas foram abertos de forma indiscriminada e áreas de proteção ambiental foram inescrupulosamente ocupadas, inclusive por empreendimentos destinados às classes econômicas mais altas.

Problemas relacionados à mobilidade urbana, ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário, à drenagem pluvial e à destinação de resíduos sólidos, entre outros, têm se agravado e ameaçam a segurança e a qualidade de vida da população.

Durante esse período, muitas foram as tentativas de coibir o avanço dos loteamentos clandestinos e de punir os responsáveis por esses empreendimentos, mas isso não foi suficiente para conter o que talvez tenha sido o mais duro golpe sofrido pela nova Capital nos seus 55 anos de existência.”

Para o MPDFT, “a venda de lotes em parcelamentos clandestinos movimenta um mercado milionário no Distrito Federal, além de ser fonte inegável de dividendos políticos. Por isso, existe forte pressão para que a situação fundiária local permaneça exatamente como está, para que a fiscalização não funcione e para que grileiros e especuladores continuem auferindo seus lucros, em prejuízo da coletividade.”

Em entrevista recente ao Correio Braziliense, a presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão, terceira na linha de sucessão do governo local, afirmou que nenhum dos 24 deputados distritais é ligado a indústria de grilagem como no passado recente. Os fatos, no entanto, desmentem o enunciado. Não é segredo para ninguém que a CL tem , reiteradamente, criticado a ação enérgica da diretora da Agência de Fiscalização (Agefis), Bruna Pinheiro, inclusive fazendo forte pressão para sua derrubada do órgão.

Dias atrás, esta coluna noticiou a cilada armada pelos deputados locais, colocando a diretora do órgão para bater de frente com uma turba de invasores que sofreram ação de despejo. O encontro, sob pretexto de audiência pública, serviu para mostrar ao GDF o poder de arregimentação desses deputados que não se vexam de mostrar, de público, de que lado estão.

É justamente nesta “fonte inegável de dividendos políticos” que suas Exmas vão buscar os votos daquela parcela da população que despreza as leis. Ou os brasilienses de bem se unem para pôr fim a esse bando criminoso, ou essa turma vai, literalmente, destruir a capital de todos os brasileiros pelas beiradas.