A farsa da parceria e o tecnototalitarismo

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Ministro Ernesto Araújo. Foto: Folhapress / Pedro Ladeira

 

Pelo desenrolar e encadeamento dos acontecimentos atuais, não é difícil prever o dia em que muita gente terá que reconhecer, até contra a própria vontade, que os seguidos alertas feitos pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, quanto as possibilidades reais de uma grave erosão dos valores democráticos do Ocidente, estavam corretos. Depois dos seguidos discursos em que tem chamado a atenção para os efeitos nefastos de um globalismo desenfreado, que vai, pouco a pouco, minando a identidade cultural e a soberania das nações, em nome de uma falsa ideia de aldeia global, o ministro voltou ao tema.

Desta vez, em discurso na 46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Ernesto Araújo denunciou o que chama de “tecnototalitarismo” imposto pelas grandes empresas e outros atores que comandam as redes sociais, que traz bloqueios sistemáticos de plataformas e sites na internet, exercendo um rígido controle de conteúdo e informações, movidos, em grande parte, por interesses econômicos e ideológicos escusos. Não é segredo para ninguém que comentaristas que utilizam essas redes, para expressar seus pontos de vista, são costumeiramente obrigados a usar expressões e outros termos para fazerem chegar aos internautas suas posições sobre determinado tema e assim contornar os algorítimos que controlam e vigiam os assuntos.

Para o ministro, existe hoje um controle crescente das redes que ameaçam as liberdades fundamentais, o que tem levado os governos democráticos a enfrentarem desafios crescentes. Somado a esse fato preocupante, Ernesto Araújo alerta ainda que sociedades inteiras, por conta do Covid-19, estão se habituando à ideia de que é preciso sacrificar a liberdade em nome da saúde. Nesse sentido, afirmou, não se pode aceitar a ideia de um lockdown do espírito humano.

Outro aspecto, com relação ao progressivo malefício representado pelo controle das redes, está nas medidas judiciais e em leis que estão surgindo para criminalizar a atividade online. Ernesto Araújo diz estranhar que as mesmas tecnologias de informação e comunicação, que antes trouxeram a promessa de novas plataformas para o exercício da liberdade de expressão e amplo acesso de todos à informação, estão hoje, cada vez mais, submetidas à censura, à vigilância e à criação de mecanismos de controle social.

Embora não tenha feito qualquer menção ao rígido controle que o Partido Comunista Chinês exerce sobre as redes sociais nas áreas de sua influência, fica claro que o ministro se mostra preocupado com o futuro da Internet, caso ela venha a corroborar com o fim das liberdades sociais e dos direitos humanos, como é feito naquele país e em outros onde a democracia é tachada de privilégio burguês e outros sinônimos das cartilhas locais.

No Brasil, alguns jornais têm, insistentemente, referido-se a essa cruzada pessoal do ministro Ernesto Araújo contra os riscos da dependência excessiva do Brasil a países totalitários, como fruto de uma paranoia calcada nas teorias da conspiração e outras razões. Dessa forma, prosseguem desinformando o leitor ao mesmo tempo em que dão amplo apoio aquele regime que domina a China, com base apenas no fato daquele país ser nosso maior parceiro comercial na atualidade.

De fato, a China é hoje nosso maior parceiro comercial. Em troca da preciosidade representada pelos alimentos, inunda nosso país com quinquilharias de baixa qualidade, do mesmo modo que os antigos habitantes desta terra entregavam o caminho que levavam ao ouro e outros bens, em troca de espelhos e de miçangas coloridas. Ou aprendemos com a história, ou vamos repeti-la, dessa vez, em forma de farsa.

A frase que não foi pronunciada:

O caráter é muito mais importante do que o intelecto para fazer de um homem um bom cidadão ou bem-sucedido em sua vocação – significando pelo caráter não apenas qualidades como honestidade e veracidade, mas coragem, perseverança e autossuficiência.”

Theodore Roosevelt, militar, explorador, naturalista, autor e político norte-americano

Theodore Roosevelt. Foto: wikipedia.org

Patrimônio humano

Com o volume de chuva que Brasília tem enfrentado, muitos heróis trabalham silenciosos para promover o bem estar dos outros. Um deles é o José Martins de Paula, porteiro na 202 Norte. Desde 1984 trabalha no bloco F. Esse foi o primeiro emprego. Tem tanto carinho pelo que faz que levantou às 5h da manhã, para verificar os estragos feitos pela chuva. Com a equipe de limpeza, deixou a garagem em ordem, limpou os carros da lama que invadiu o subsolo e foi ver se o telhado do prédio também foi atingido.

 

Pauta

Dança Brasília – A sexta edição do Movimento Internacional de Dança (MID 2021) já tem data definida: será de 1º de abril a 2 de maio, no palco do CCBB Brasília. O evento terá formato híbrido – parte no palco com todas as medidas de segurança sanitária, parte com exibição virtual. As apresentações presenciais também serão transmitidas pelas redes sociais.

Foto: Thomas Lebrum/Divulgação

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O pessoal do Departamento Federal de Segurança Pública não está recebendo “dobradinha” porque não e FEDERAL. O Departamento é, mais o pessoal não. Quando tem que ser punido, o é pelo Estatuto do Funcionário Público, mas quando é para receber vantagem, ninguém sabe por que via a recebe. (Publicado em 27/01/1962)

Commodities, os brasileiros não importam

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Charge do Zé Dassilva

 

É nas agruras diárias, experimentadas pelas donas de casa nos supermercados e feiras em nossas cidades, que expressões complexas do linguajar da economia ganham maior familiaridade e significado real. Elas vivem os efeitos da economia na prática e não na teoria, tal como é ensinada em sala de aula pelos experts nessa ciência. Também os ciclos econômicos, tanto de fartura quanto de escassez, ao induzir nossos comportamentos de consumo para determinadas posições, obriga-nos a buscar o significado de alguns desses termos técnicos, até como meio de enfrentá-los com maior maestria.

A isso chama-se sobreviver. Os longos períodos de inflação, que o Brasil tem sido submetido nessas últimas décadas, bem como os seguidos planos econômicos, adotados por cada governo que chega, ensinaram, a muitas donas de casa, que, para lutar contra esse dragão das altas de preços, com um mínimo de vantagem, é preciso conhecer antes algumas de suas fraquezas. Uma delas é, por exemplo, buscar por produtos alternativos com melhores preços, forçando os mercados a encontrarem uma saída para a diminuição brusca da demanda. Tem sido assim com a carne, com os ovos, com o leite, com os derivados de trigo e por aí vai.

Com isso, é possível deduzir que uma ida aos supermercados do país pode conter mais ensinamentos do que as aulas de economia nas faculdades. O arrocho econômico, que a classe média e principalmente aquelas de baixa renda foram submetidas nesses últimos anos, ensinou a essas camadas da população que até mesmo a sobrevivência diária tem um preço fixado. Termos como poupança, investimentos, inflação, déficit, superávit e muitos outros acabaram entrando para o vocabulário popular por uma questão de necessidade. Era preciso conhecer e entender esse inimigo invisível e voraz. A inflação e outros males econômicos, como o déficit público, têm sido nossos companheiros há, pelo menos, meio século.

Conhecemos bem esse fenômeno a corroer nossos parcos rendimentos, assim como conhecemos, até com certa intimidade, outros elementos da economia como balança comercial, dívida pública e, agora, estamos sendo apresentados também ao termo commodities, o que são e quais as consequências que essa expressão estrangeira tem sobre os preços da carne, do feijão, do trigo, dos combustíveis e muitos outros produtos que vão se tornando impossíveis de adquirir nos supermercados.

Desde meados dos anos setenta, com o lema: “ exportar é o que importa” que passamos a conviver com o fenômeno das commodities, produzindo bens primários em larga escala, destinados exclusivamente aos mercados externos a fim de atender, prioritariamente, a demanda internacional por essas mercadorias. A cotação dessas tais commodities ou produtos primários, é feita nas principais bolsas de valores do mundo, onde sempre alcançam altos preços.

Essa, obviamente, é uma vantagem para aqueles que, diretamente, são os proprietários e produtores desses bens. São, portanto, produtos cotados na moeda americana, ou seja, em dólares. Nesse tipo de transação, o mercado interno, mesmo formado por mais de 230 milhões de brasileiros, pouco interessa a esses negociantes, dado o pequeno poder de compra dessa população e sua moeda que vale um quinto da americana.

Assim, produtos como açúcar, café, ferro, carne, petróleo, milho, cacau e outras matérias-primas, que alguns economistas consideram como bens estratégicos para o Brasil, são comercializados a preço do dólar do dia, tanto para exteriorquanto para o mercado interno, embora a moeda corrente, nas mãos dos brasileiros, desde 1994 seja o Real.

Isso e muito mais as donas de casa já sabem e sentem na pele. O que elas e muita gente ainda não sabem, e talvez nunca venham a saber, é a razão desse modelo perverso continuar sendo adotado e obrigando muitos a viverem como mendigos. E mais: ao longo dessas décadas não foi capaz de gerar prosperidade. Mesmo assim continua comprometendo o futuro de gerações de brasileiros.

 

A frase que foi pronunciada:

O homem público é o cidadão de tempo inteiro, de quem as circunstâncias exigem o sacrifício da liberdade pessoal, mas a quem o destino oferece a mais confortadora das recompensas: a de servir à Nação em sua grandeza e projeção na eternidade.”

Ulysses Guimarães, político que trabalhava por um Brasil melhor

Foto: agenciabrasil.ebc.com.br

 

Fique sabendo

Num exemplo de profissionalismo e comprometimento, os Correios estão dando um show de competência para que as provas do ENEM cheguem em segurança nos recônditos deste país. No Acre, os Correios usaram até pá mecânica para atravessar uma parte da BR364. As cheias naquele estado são caso de calamidade pública. As provas são levadas pelos Correios e escoltadas pela Polícia Militar e pelo Exército Brasileiro.

Foto: portal tarauaca

 

Dados curiosos

Na Operação FNDE, são 115 empregados e 11.000 terceirizados envolvidos. São 98 mil toneladas de carga entregues pelos Correios. Em média, 18 milhões de encomendas/ano com 9 livros em cada kit, formando um total de 160 milhões de livros. Os livros duram até 3 anos. A Operação de entrega do livro didático aos alunos das escolas públicas brasileiras é realizada pelos Correios há aproximadamente 25 anos. São 140 mil destinatários atendidos, de 5.571 municípios brasileiros. Praticamente todos os livros didáticos que algum estudante utilizou nas escolas públicas brasileiras passaram pelos Correios.

Foto: diariodopoder.com

Patrimônio humano

Com o volume de chuva que Brasília tem enfrentado, muitos heróis trabalham silenciosos para promover o bem-estar dos outros. Um deles é o José Martins de Paula, porteiro na 202 Norte. Desde 1984, trabalha no bloco F. Esse foi o primeiro emprego. Tem tanto carinho pelo que faz que levantou às 5h da manhã para verificar os estragos feitos pela chuva. Com a equipe de limpeza, deixou a garagem em ordem, limpou os carros da lama que invadiu o subsolo e foi ver se o telhado do prédio também foi atingido.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Desta forma, o jardim não está tomando o lugar de pedestre. O pedestre é que em frente, na Americana, está tomando o jardim, e é pena que seu arrendatário não faça o mesmo, estabelecendo o trânsito por dentro da Superquadra. (Publicado em 27/01/1962)

Enchentes na capital

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Especialistas em urbanismo, uma ciência que engloba uma ampla variedade de técnicos em todas as áreas relativas à vida em grandes cidades, vêm, desde sempre, alertando para riscos que representam, para toda a população, as construções feitas de maneira açodada, tanto de edifícios como de quadras residenciais, praças e toda e qualquer obra que implique em impermeabilização do solo, movimentação de terra, escavação e outras modificações.

Para tanto, torna-se necessário um estudo prévio e minucioso de impacto que esses empreendimentos podem gerar. Não é por outro motivo que os alertas feitos por esses especialistas quase sempre encontram dificuldades em serem aceitos tanto por parte dos empreendedores como por parte daqueles que irão se beneficiar com essas obras. Sem esse conjunto de estudos de impacto, toda e qualquer obra é um risco em potencial.

O poderoso lobby dos construtores junto à classe política, principalmente aquela com assento na Câmara Distrital, tem sido, desde a emancipação política do Distrito Federal, um entrave, quase intransponível, para a aceitação dos pareceres dos técnicos. São constantes os embates entre especialistas em urbanismo, tanto dos que cuidam do Patrimônio Histórico, como outros que lidam diariamente com as questões urbanas.

Contra essa turma poderosa, os técnicos pouco podem decidir. Em Brasília, o preço das projeções dos poucos lotes que ainda restam no Plano Piloto, torna essa questão uma luta de Golias contra o Gigante. A intervenção política nas questões urbanas transformou os pareceres técnicos em meros instrumentos burocráticos, ao mesmo tempo em que deu aos grandes empresários o poder de decisão sobre o que vai ser construído e de que forma. Com isso, quem padece é o cidadão de bem, que paga seus impostos e quer uma cidade segura e com seus espaços livres respeitados, conforme projeto de seus idealizadores. Trata-se aqui de uma questão que afeta a vida de todos e que passou a ser resolvida pelo poder da grana e não da razão. O prejuízo trazido por essas obras, tocadas sob a batuta dos políticos, vem, pouco a pouco, não apenas desvirtuando o projeto original da capital, um dos mais admirados do mundo, mas gerando grandes prejuízos em vidas e patrimônio.

As enchentes que, nessa semana, alagaram as quadras residenciais no começo da L2 Norte, com prejuízos para todos os moradores, têm sua origem em mega construções erguidas naquela área além ainda da famigerada construção do estádio Mané Garrincha.

São obras feitas a toque de caixa, que desmataram o local, impermeabilizaram o solo e, pelo visto, não apresentaram bons estudos de impacto prévio. Com as chuvas copiosas deste mês de fevereiro tanto esses moradores quanto outros no final da Asa Norte estão padecendo com os alagamentos.

No final da Asa Norte, o problema é o mesmo e resulta das obras de construções do Noroeste, repetindo-se a cada ano. A questão é: Quem indenizará os prejuízos sofridos por esses moradores? Quem será responsabilizado por essas obras? Quando essa coluna insiste em dizer que políticos não deveriam decidir ou legislar sobre questões urbanas, é por que sabe que esse é o pior caminho e aquele que só conduz ao que estamos presenciando agora.

Aí, quando as águas barrentas da chuva passam a invadir as casas, cobrindo carros nas garagens, os empreendedores jogam a culpa no governo, que, por sua vez, joga a culpa nos técnicos, que nada mais podem fazer.

 

A frase que foi pronunciada:

No Brasil do século 21, não importa o que diz a lei, mas QUEM diz a lei.”

Jornalista Caio Coppolla

 

Memória

Na 705 Norte, não há uma vez que, passando por aquela castanheira, não me lembre de Edgardo Ericsen. O que estaria falando da política atual? A Globo tinha um escritório ali.

Pix

Clientes de bancos sempre reclamam do limite imposto pela instituição para pagamento de contas, transferências etc. O argumento furado é a segurança do cliente. O que não é verdade, porque uma pessoa sequestrada que não pode entregar o ouro ao bandido é morta na hora. Para isso veio o PIX, que facilita a vida do ladrão. Os sequestros aumentam. A sugestão é que seja passado um código aos clientes para que, em momentos de perigo, como transferindo dinheiro para bandidos, possam digitar um número pedindo socorro. Não é para isso que o seguro é cobrado?

Livre, leve e solto

Andando pelo DF, é possível acompanhar várias invasões legalizadas. O procedimento é o seguinte: um grileiro invade a terra, vende para o cidadão e, mais tarde, na legalização, é o cidadão quem paga duas vezes. O grileiro, que todos sabem nome e endereço, sai tranquilo da história. Sem dívidas, sem débitos a pagar.

Foto: chicosantanna.wordpress.com

 

Trocados

No Big Box do Lago Norte, um cartaz quase como um pedido de socorro. O supermercado oferece uma caixa de bombom para quem trocar R$100 de moedas por cédula. Essa imagem ainda vai virar história. No tempo em que havia dinheiro…

Ilustração: reprodução

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Um telegrama que nos chega com 124 palavras vem assinado pelo sr. Afonso Almino, a propósito de nossa denúncia sobre o ministério da Fazenda. Há a ressaltar que o telegrama foi taxado no dia 25, em Brasília, e nesta data o remetente estava no Rio. Mantida nossa tese. (Publicado em 27/01/1962)

Até quando?

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Chargeonline.com

 

Entra governo e sai governo e a Petrobras, aquela do engodo nacionalista: “o petróleo é nosso”, permanece indiferente à realidade econômica do país, como se operasse no exterior e para o exterior. De fato, trata-se de uma estatal, a qual foram facilitadas todas as prerrogativas institucionais possíveis de livre mercado, outorgando-lhe um oceano de independência, obviamente, às custas de um permanente arrocho econômico interno.

A disparidade entre o dólar e a anêmica moeda do Real e outras que, por fraqueza extrema, caíram pelo caminho, fez dessa empresa um portento que parece operar mais para si própria do que para os brasileiros que a construíram, centavo por centavo. O que temos aqui é uma genuína multinacional, que, à semelhança de outras do gênero, explora não só o petróleo, mas toda uma população há mais de setenta anos ou pouco menos que um século.

Não surpreende, pois, que, desde que o fenômeno da inflação se instalou entre nós, com a crise do petróleo em 1973, essa empresa tem sido presença constante na lista dos principais responsáveis pelos aumentos de preço a cada ano. Para um país que construiu seu modal de transporte com base quase exclusiva em extensas rodovias, pavimentadas, inclusive, com derivados de petróleo, a dependência desse produto e a variação constante de seus preços para cima têm sido também um dos componentes do chamado Custo Brasil.

A despeito de uma pandemia que tem paralisado o país e o mundo há mais de um ano, a Petrobras anuncia agora seu quarto aumento apenas este ano, tanto nos preços do óleo diesel, como no da gasolina, bem acima dos índices de inflação. Com isso, mais uma vez, os custos dos combustíveis devem pesar na composição de todo e qualquer preço de produto para os consumidores. A adoção, em 2016, do denominado Preço de Paridade de Importação (PPI), que condicionou os preços dos combustíveis no Brasil ao valor dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, só piorou uma situação que já era ruim desde o início.

Dessa forma, essa estatal produz esse bem em real e vende, internamente, à população, a preços de dólar do dia. É justamente a permanência dessa política incongruente que persiste com base em uma lógica próxima à matemática da fome que os brasileiros têm tolerado em nome de um mercantilismo às avessas, que faz o Estado intervir na economia interna para beneficiar uma empresa voltada para o mercado externo, que é como uma ilha fincada entre nós.

A caracterização do petróleo com o nome pomposo de commodities, como são os grãos e a carne e outros produtos, tem feito do Brasil uma espécie de celeiro do mundo, mas onde a população local passa por grandes necessidades. A complicar uma história de exploração sistemática, em nome de ideais vagos, como nacionalismo e outros temas vazios, a formação de uma rede monopolista de distribuidores e revendedores, em torno dessa multinacional, fazem os preços destes produtos no mercado interno serem os mais altos do mundo.

Se forem somar esses lucros fabulosos aos preços impostos pelos cartéis criminosos que reúnem postos de combustíveis em todo o país, que ainda vendem esses produtos batizados com solventes e outros aditivos, o que chega ao consumidor tem cheiro e cor de gasolina, mas não é gasolina ou óleo diesel, é um composto que faz os carros andarem até a oficina mais próxima. É que sempre temos tido e aceito sem contestação. Até quando?

 

A frase que foi pronunciada:

A natureza vive de transações, transições e de conciliações: imitemo-la.”

D’Estournelles Constant (1852-1924), diplomata, pacifista e político francês.

D’Estournelles Constant. Foto: wikipedia.org

Tempo e conhecimento

Vale a pena, nesses tempos de pandemia, onde o relógio anda mais devagar, passar pelo portal do Senado, no ILB Saberes. São vários cursos gratuitos, com ou sem monitoria, com certificação. Veja, no link saberes.senado.leg.br.

 

É de impressionar

Quem quiser mudar um pouco o tipo de notícia que tem ouvido todos os dias deve passear pelo portal do Ministério da Infraestrutura. O Ministro Tarcísio Gomes de Freitas inaugura obras de suma importância para o país e que estreitam caminhos, aumentando a economia.

Ministro Tarcísio Gomes. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

10 milhões

Chega, nessa segunda, uma comitiva da Fundação Universidade Caxias do Sul em busca de verbas para terminar as obras do Hospital Geral daquela cidade. Agendado o encontro com o coordenador da Bancada Gaúcha, deputado Giovani Cherini, e com os senadores gaúchos Luiz Carlos Heinze e Lasier Martins e Jorginho Mello.

Foto: reprodução Google

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A renúncia do sr. Hugo Auler não se deve, absolutamente, a estado de saúde. Pela saúde, o desembargador Hugo Auler enfrentaria, ainda, muitos anos de trabalho. Foi um problema sentimental não correspondido do sr. Sousa Neves que envolveu, sem razão, a presidência do Tribunal. (Publicado em 27/01/1962)

O comércio de morte em alta

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Charge do Duke

 

No descompasso de uma pandemia que recrudesce a cada dia, fatos paralelos e outras bizarrices, de um país que insiste em mostrar o quanto permanece anacrônico, vão acontecendo, mostrando ao mundo que, apesar da montanha de mortos que vamos erguendo, permanecemos fiéis ao nosso descompromisso com tudo e qualquer coisa que beire a seriedade.

Uma leitura dos principais jornais em circulação reafirma nossa incapacidade de nos concentrarmos, ao menos, no que interessa a todos nesse momento: o combate à pandemia. O Supremo, a quem a população já reconheceu como parte atuante do conjunto de problemas sem soluções à vista, continua na sua cruzada de combate à Lava Jato, comendo pelas beiradas todo o time de procuradores que atuou nessa causa cidadã, principalmente seu mais notório representante: Sérgio Moro.

É preciso, acreditam esses ministros, desconstruir a figura desse herói e antípoda de tudo o que naquela corte é decidido. Enquanto mais de 233 milhões de brasileiros têm seus dados violados de forma criminosa, o STF, a quem caberia comandar uma investigação sobre o caso, prefere se debruçar sobre assuntos prosaicos como a prisão de um deputado do PSL do Rio de Janeiro e a liberação de outro para que volte ao parlamento, mesmo tendo desviado preciosos recursos para o combate ao Covid-19.

São ambas decisões anacrônicas e que nada de proveitoso trazem para o país. Um deputado em causa é caso para a psiquiatria e para a direção de seu partido e ponto. O outro, apanhado de calças na mão, é caso para a delegacia mais próxima e ponto. Seus pares, cujo as capivaras estão em posse da justiça, correm para referendar a prisão, para não melindrar os juízes.

A intolerância e a indiferença têm sido a estranha marca do chefe do Executivo que, em pleno aumento de casos em todo o país, visitas ao front de guerra, representado pelos hospitais públicos superlotados e sem equipamentos, nem pensar!

Nesse momento, informam assessores da Câmara dos Deputados, parlamentares apresentaram mais de 30 projetos para anular decretos de Bolsonaro sobre armas. Parece que as funerárias estão de olho nas ações do Congresso, pois a venda de caixões não para de subir.

A frase que foi pronunciada:

Esses cidadãos negacionistas, além de insuportáveis, são perigosos. Negaram 57,8 milhões de votos para presidente e tentaram matá-lo com uma facada.”

Dona Dita, enquanto tricota para a netinha mais nova.

Charge do Erasmo

Durma com essa

Um pão francês e um tijolo custam por volta de R$ 1,00.

 

Atleta sofre

Durou pouco a alegria dos ciclistas com a pista do autódromo aberta para treino. O asfalto está tão ruim que, para treino, não serve. Veja o vídeo, no link Ciclistas encontram autódromo em estado deplorável.

Reprodução: perfil oficial @bikerreporter no Instagram

 

É de lascar

Um contrato de Plano de Saúde foi cancelado no dia 10 de dezembro de 2020. A ANS suspendeu o reajuste em abril de 2020. Mesmo quem cancelou o contrato está recebendo cobrança referente ao reajuste que deveria ter sido aplicado pelo período em que o plano ainda estava ativo. Pergunta que não quer calar: por que a ANS não proibiu o reajuste durante a pandemia e sim suspendeu? Quem deveria receber apoio durante uma pandemia: os Planos de Saúde ou os que precisam ter planos de saúde, já que a Constituição não é cumprida?

Foto: jornaldebrasilia.com

Registro de ouro

Geraldo Vasconcelos é inigualável pioneiro da cidade no carinho em datas natalícias. Não esquece o cumprimento a nenhum amigo. E a agenda é na caneta e papel.

 

Perigo

Chegaram, pelas mãos do jornalista Roberto De Martin, imagens chocantes de uma árvore enorme que despencou na 316 Norte. Próximo ao Banco do Brasil e ao Marietta. Sorte não ter atingido ninguém. Veja o tamanho da árvore, a seguir.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Justiça de Brasília está constrangida com os últimos acontecimentos. O que houve no Tribunal foi isto: situação vexatória para o desembargador Sousa Neves em prejuízo o gabarito da justiça. (Publicado em 27/01/1962)

Vazamento de dados: onde está o Supremo?

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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

Com o surgimento da internet e sua propagação por todo o planeta, a moderna aldeia global fez emergir, do pântano da deep web, onde jazia há milhares de anos, o monstro de mil olhos e mil ouvidos que, nutrido pelos dados pessoais e contábeis de milhões de indivíduos, age aplicando incontáveis e lucrativos golpes cibernéticos que são comercializados facilmente no submundo das redes sociais.

O fato desolador é que ninguém, nem os cidadãos e nem governos, estão a salvo do ataque desse monstro gigantesco, formado por um batalhão de milhões de hackers que agem ou por conta própria, ou ordenadamente a serviço de governos e de grandes organizações. Com isso, é possível acreditar que o mundo inteiro passou a espionar a si próprio, tal é a dispersão desse fenômeno gigantesco e sem controle.

O escândalo (se é que pode ser assim classificado): o vazamento de dados pessoais de mais 233 milhões de brasileiros, inclusive de pessoas já falecidas, entre janeiro e fevereiro deste ano. Para muitos especialistas nesse assunto, trata-se de um mega golpe que ainda não trouxe todas as repercussões negativas que se espera gerar num futuro próximo. Não espanta que mais esse crime tenha ocorrido num país em que a segurança e proteção, dada pela justiça a esses fatos, são ainda incipientes e burocráticas.

As acusações são feitas para todo o lado, assim como as defesas, restando ainda um calhamaço de questões e perguntas que precisam ser respondidas o quanto antes, ao menos para que esse derrame de informações não prossiga. Incomodado com a passividade do governo federal sobre esse caso, o Procon de São Paulo saiu na frente e já notificou tanto a misteriosa empresa que trabalha com inadimplência com filiais por todo o mundo quanto as operadoras de telefonia.

Os danos, dizem os investigadores, são incalculáveis e podem aumentar ao infinito. Houvesse mobilização efetiva dos órgãos e instituições do Estado nesse caso, era para a Receita Federal, Coaf, Banco Central e outros estabelecerem uma junta de investigação, paralisando o país. Por parte da classe política, também não se ouve a menor menção de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação, já que a totalidade da população foi exposta de forma criminosa, incluindo aí seus eleitores diretos. O silêncio é geral. Talvez seja melhor acreditar que toda essa inanição oficial em investigar a fundo esse mega caso, se deva a discrição dos órgãos segurança nacional que precisa agir sem alarde. Talvez não. O fato é que membros do governo certamente estão entre os milhões de cidadãos que foram virtualmente estuprados em seus direitos. Caso os milhões de cidadãos resolvam conjuntamente ingressar na justiça, cobrando não apenas explicações razoáveis, mas reparações econômicas, as empresas que possuem esses dados em mãos e que se descuidaram dessa guarda preciosa irão à falência ao indenizar os brasileiros lesados.

A justiça que nada vê, sobretudo aquela assentada no Olimpo, não se pronunciou, o que, por certo, não condiz com o que assegura o art. 5º da Constituição que garante a inviolabilidade da correspondência, das comunicações e de dados em geral dos cidadãos.

A frase que foi pronunciada:

É o comer que faz a fome.”

Eça de Queirós

Foto: wikipedia.org

 

Por que não?

Deve ser inveja. Uma sauna cheia de autoridades discutindo os assuntos mais polêmicos do país, quadras de tênis com gente invencível disputando pontos, campo de vôlei com o pessoal mais alegre do Brasil. O Iate Clube de Brasília sempre acolheu os presidentes. Essa celeuma toda em torno do novo sócio honorário é dor de cotovelo. Foi corajosa, isenta e simpática a iniciativa do clube de receber o presidente Bolsonaro como sócio.

Foto: Alan Santos/PR

 

Desmatamento

A seguir, as consequências do desmatamento no Estádio, nas quadras 900 da Asa Norte e no Noroeste. Quem pensa que árvore não presta para nada, é bom dar uma espiada na fúria das águas.

 

Pai D’égua

O Ceará do filósofo de Mondubim está forte nas lideranças do Congresso. Agora, é trabalhar por bons discursos equilibrados com ações efetivas, decisões e poder de persuasão para um país melhor.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Despejados os atravessadores da W-4 resta agora, à Novacap, providenciar, com urgência, o “abastecimento condigno” que todos reclamam. Há produtores que atiram fora a produção por falta de local para vender. (Publicado em 26/01/1962)

A fantasia do samba

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Charge: oglobo.globo.com

 

Foi-se o tempo em que o samba e principalmente os sambistas eram alvo constante das batidas policiais nos subúrbios cariocas. Na verdade, toda a cultura oriunda da classe trabalhadora e mesmo seus credos eram olhados com desconfiança e, não raro, reprimidos com violência a mando das elites nas primeiras décadas do século XX.

Conhecedores das agruras que vinham sofrendo desde que foram trazidos à força para esse continente, a população negra continuava marginalizada e perseguida, mesmo com o fim oficial da escravidão no século anterior. Talvez, por isso mesmo, pressentia que a preservação de elementos de sua cultura, como um elo a fortalecê-los, seria mais do que uma forma de resistir contra a opressão. Era a própria confirmação de que essas eram as verdadeiras raízes que fixariam, fortemente, essas populações perseguidas em solo brasileiro. Além do mais, era através da cultura do samba, do Candomblé, da capoeira e de outras manifestações de arte próprias, que esses brasileiros encontravam um refúgio e um bálsamo contra as hostilidades do mundo, pretensamente civilizado. Era necessária essa catarse para suportar uma vida tão adversa.

Por outro lado, era no samba e nos ritmos desse gênero, que muitos encontravam um meio de ridicularizar as elites que, em pleno clima tropical, sob o calor escaldante do sol de verão, desfilavam de fraque, cartola e outras indumentárias, buscando imitar os costumes e trajes europeus. De fato, se havia algum grau de autenticidade e de cultura genuína, essa não seria uma marca das elites, e sim da população negra. No samba “Pra que discutir com madame, de Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, e interpretada magistralmente por João Gilberto, fica claro esse antagonismo entre o mundo que se crê grã-fino e sofisticado e o samba e sua gente humilde.

Madame diz que a raça não melhora/Que a vida piora por causa do samba/Madame diz o que samba tem pecado/Que o samba, coitado, devia acabar/Madame diz que o samba tem cachaça/Mistura de raça, mistura de cor/Madame diz que o samba democrata/É música barata sem nenhum valor/Vamos acabar com o samba/Madame não gosta que ninguém sambe/Vive dizendo que samba é vexame/Pra quê discutir com madame?/Vamos acabar com o samba/Madame não gosta que ninguém sambe/Vive dizendo que samba é vexame/Pra quê discutir com madame?/no carnaval que vem também concorro/Meu bloco de morro vai cantar ópera/E na Avenida, entre mil apertos/Vocês vão ver gente cantando concerto/Madame tem um parafuso a menos, Só fala veneno, meu Deus, que horror/O samba brasileiro democrata/Brasileiro na batata é que tem valor”.

Houve um tempo em que ser sambista era contravenção e dava cadeia. Isso nos idos de 1920 em diante. Mas como a contravenção não escolhe classe social, sendo aperfeiçoada com as elites, que fez, desse modo de vida, imensas fortunas, sem ser importunada pela lei, o samba também encontrou um meio de se fantasiar e entrar disfarçado nos salões chiques, de onde não mais saiu, e hoje entretém seus antigos algozes.

                  

A frase que não foi pronunciada:

Com o WhatsApp, foi possível separar os internautas em dois tipos: os que querem impor a própria vontade, desobedecendo as regras do grupo com assuntos impertinentes, e os que obedecem e são obrigados a aguentar o discurso da tolerância.”

Alguém do grupo Fale com o Administrador do Lago Norte

 

Charge do Gilmar

Tolera-se?

Falando em regras, o Santander SX Visa não respeita a lei do telemarketing e telefona para as residências do DF em horários impróprios para vender produtos.

Imagem: Divulgação/Santander

Arte

Escola de Música de Brasília recebe inscrições até o dia 20 desse mês para o Curso Internacional de Verão versão online. Tudo de graça.

Foto: André Borges/Agência Brasília

Lupa

Um passeio de metrô para Águas Claras é uma boa referência para traçar no mapa do DF algumas novas invasões brotando da terra.

Foto: Reprodução / Google Maps

 

Caridade

Moradores da Asa Sul e igrejas se mobilizam para ajudar os mendigos da cidade que se concentram atrás da UDF, no Centro de Acolhimento.

Foto: Reprodução/Google

Crise?

Quem quis passear e comprar no feriado em Brasília só encontrou Shopping aberto. A maioria das lojas nas entrequadras e W3 fecharam as portas.

Foto: TV Globo/ Reprodução

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Pois bem, o IAPC fixou a taxa de limpeza em 1,2% sobre o valor do imóvel. Sendo assim, haverá por mês, para a limpeza e conservação de cada bloco, a importância de mais ou menos 4 mil cruzeiros. Com o salário mínimo a Cr$ 13.400,00, está visto que nem faxineiros os prédios possuirão. (Publicado em 26/01/1962)

Indiferença dos dois lados da mesa

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Foto: reprodução

 

Uma visada geral do atual momento político pode fornecer novas pistas do que, em breve, virá sobre a forma de menos serviços e menos qualidade na prestação dos mesmos. Tudo isso feito a custos maiores, tanto para os contribuintes que arcam com as despesas dessas agências, como para o consumidor direto, na forma de maiores tarifas.

É sabido que o governo, por questões ligadas ao modelo perverso de presidencialismo de coalizão e outros pormenores menos transparentes, entrou na órbita de gravitação política do chamado Centrão, um verdadeiro buraco negro que tudo sorve em sua volta, não importando de onde vem e de que modo. Com isso, aumenta, na mesma proporção ou até mais, o preço a ser pago para esse tipo de proteção junto ao Congresso.

Não será surpresa se, num cenário futuro, de curto prazo, esses aumentos de custos em todas as tarifas, inclusive no fornecimento de energia elétrica, venham a recair sobre os cidadãos. Essa abdução do governo, contrariando todas as promessas do passado, irão se materializar na rendição de algumas dessas agências reguladoras aos novos projetos políticos ditados pelos adesistas e outros oportunistas de plantão.

Essa é uma realidade que vai sendo novamente desenhada no horizonte e que já foi posta em prática, também, durante o governo Dilma, com o congelamento artificial das tarifas de energia elétrica para o atendimento de exigências político-eleitorais. É uma sina e um preço que atingirão, parcial ou totalmente, todas as agências (ANEEL incluída).

Do mesmo modo como vem ocorrendo com as agências de saúde suplementar, que parecem seguir a cartilha imposta pelos planos de saúde, com a ANEEL, o modus operandi é o mesmo. Muitos acusam essa agência de trabalhar pela defesa dos interesses das concessionárias. O volume de reclamações fala por si. Um exemplo dessa parcialidade inexplicável e até surrealista vem da possibilidade aventada da cobrança de taxas extras pela chamada Geração Distribuída (GD), produzida por meio de painéis solares e consumidas em muitas residências e condomínios pelo Brasil afora.

É o que a população já identificou como uma taxação da luz do Sol, na forma de cobrança pela energia solar gerada por células voltaicas, instaladas sobre os telhados em muitas residências e na qual a ANEEL, ou qualquer outra empresa pública, concorreu para os custos dessa produção. Seria como cobrar pelo ar que respiramos, exemplifica alguns. Com a pandemia, o assunto ficou momentaneamente suspenso, mas não terminado, segundo a ANEEL, que deve rever essa regulamentação, atendendo a reclames das concessionárias que poderão, no futuro, perder esse filão milionário.

O que se sabe, por enquanto, é que a possibilidade de taxação da energia solar terá impactos negativos sobre o desenvolvimento e ampliação dessa modalidade, já que a possibilidade de impostos inibe os investidores e consumidores e tem reflexos também no desenvolvimento dessa tecnologia. O assunto é complexo e deveria ser submetido a um amplo painel de discussão pública.

O mesmo poderia acontecer com relação a geração de energia eólica, gerada pelo vento, cujos os custos para os consumidores estão embutidos nos incentivos dados as empresas consumidoras. Essa matemática é simples: quanto mais incentivos dados pelo governo a certas empresas, mais aumentam as tarifas de fornecimento de energia elétrica.

Outro assunto controverso a necessitar de maiores aperfeiçoamentos é quanto ao modelo de bandeiras tarifárias, que agora completa cinco anos de existência e que, de modo algum, vem agradando os consumidores. Vídeos na internet têm mostrado operadoras abrindo seus reservatórios e comportas de água, em pleno período de estiagem, para justificarem a adoção de bandeira vermelha nas contas dos consumidores e com isso lucrar um extra.

Possivelmente, este capítulo a mais da Derrama contra a população parece próximo do fim. Algumas fábricas de telhas já estão lançando, no mercado, coberturas especiais que já trazem os painéis solares em cada unidade. Quando a tecnologia for mais desenvolvida e os preços desses produtos caírem, praticamente toda a casa terá seu próprio gerador de eletricidade. Certo é que, mais dia menos dia, as grandes empresas de geração e distribuição de energia elétrica terão que se render ao futuro, quando cada unidade familiar produzirá a energia que consome de forma limpa e segura.

Essa é uma revolução que virá, mesmo contra fortes interesses econômicos e políticos. Da mesma forma virão os automóveis elétricos, acabando com a produção de motores à base de derivados de petróleo. O caso é saber se esses avanços irão se consolidar num país como o nosso, onde o povo trabalha para sustentar um Estado perdulário, comandado por uma elite indiferente e um país sem educação por um povo que não reivindica seus direitos.

 

A frase que foi pronunciada:

O homem caminha constantemente de uma dor para outra.”

Chateaubriand

 

François-René de Chateaubriand. Imagem: wikipedia.org

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Quando exercia a presidência do IAPC o atual conselheiro Antônio Monteiro da Cruz, no processo AC 34126-61, à folha 80, fixava o valor locativo dos apartamentos da Asa Norte em Cr$ 21.500,00 (Publicado em 26/01/1962)

O lobby mau

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Charge do Nani (nanihumor.com)

 

Criada através da Lei 9.427 de 1996, com o objetivo precípuo de regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica em todo o país, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) foi a primeira a ser oficialmente estabelecida, sendo, naquela ocasião, saudada e alardeada como exemplo de autarquia autônoma e descentralizada da administração pública, capaz, entre outras proezas, de regular esse setor de interesse estratégico para o país e para os brasileiros, acabando, de vez, com o odioso regime de monopólio do Estado.

Acreditavam, seus formuladores, os consumidores estariam a salvo da tradicional má prestação de serviços de fornecimento de energia elétrica, uma vez que, doravante, seriam garantidas a normalidade e eficiência dessas prestações, a preços de mercado justos e com transparência total. Como no papel branco e na teoria, tudo cabe, até o impossível, ficaram todas essas pretensões aplicáveis apenas num possível e distante mundo ideal.

De lá para cá, muita coisa mudou, principalmente os objetivos iniciais da ANEEL e de outras agências que vieram na esteira do nosso modelo de desestatização. Copiado da Inglaterra e dos Estados Unidos, onde, ao contrário de nossa experiência, as agências reguladoras funcionam muito bem desde o século XIX, essas entidades representam hoje, para esses países, peças fundamentais para a economia de mercado e de livre concorrência, onde os requisitos de transparência são rígidos e, em caso de irregularidades, são duramente penalizados pela justiça.

Mesmo gozando de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, com receitas próprias, nossas dez agências sorvem dos contribuintes algo em torno de R$ 10 bilhões anuais, embora não tenham conseguido ainda uma imunização total da ingerência política, ficando ao sabor dos ventos e dos maus ares vindos dos poderes centrais, onde interesses pessoais inconfessáveis facilmente se sobrepõem aos nacionais.

Hoje, a questão é saber quem irá, de fato, regular as agências reguladoras. Dirigidas por órgãos, ditos colegiados, nossas agências são comandadas por um diretor-geral e quatro diretores, todos nomeados pelo Presidente da República. Basta dar uma olhada nos órgãos de defesa do consumidor ou em qualquer outro endereço que coleta e processa as reclamações dos cidadãos, para se certificar de que algo não vai bem com essas agências, sobretudo quando o que está em jogo é o desequilíbrio flagrante entre o que desejam os consumidores e o que ofertam as muitas prestadoras de serviços estratégicos, reguladas por essas entidades.

Para a maioria dos reclamantes, a balança que aufere a relação entre consumidores e as concessionárias desses serviços parece pender sempre em favor desses últimos. Segundo alguns analistas, essa discrepância se dá porque as concessionárias possuem muito maior poder de lobby junto ao governo e, sobretudo, contam com respaldo junto a muitos grupos políticos com assento no Congresso.

Deixando de lado o caso mais notório, representado pela ANS, que regula os procedimentos de saúde suplementar, onde estão as operadoras de planos de saúde, campeãs em reclamações e protestos de todo o tipo, a ANEEL, como não poderia deixar de ser, figura também nessas listas negras dos consumidores por dois motivos básicos: má prestação e inconstância nos serviços e tarifas exorbitantes para o padrão médio da sociedade brasileira. Não é segredo para ninguém que a regulação de um determinado setor econômico estratégico é sempre uma escolha ou opção de caráter político e partidário. A infiltração de dirigentes ligados e indicados por grupos políticos nessas agências é também um fato e uma má causalidade que afeta diretamente os consumidores. Quando se fala em ANEEL, um fato logo chama a atenção de todos. Como pode um país com os maiores cursos d’água do planeta e cuja matriz energética, e fundamentalmente essa, possuir uma das mais caras tarifas do mundo? Ou como explicar os seguidos apagões em regiões em que chove mais de seis meses por ano?

São questões antigas de problemas persistentes, mas que ainda não foram e nem serão respondidos claramente. O brasileiro médio sabe que ruim com o governo, pior sem ele, uma vez que, a desregulamentação desse setor, falsamente empurrado para a iniciativa privada e para o mercado, criou um universo vago, onde as responsabilidades por falhas e preços é atribuída a um outrem indefinido, talvez situado em outro país ou outro planeta.

Nesse vazio, o consumidor não tem a quem recorrer. Para as agências, vale a máxima: vieram para confundir. Na realidade, regulam um mercado voraz, submetido não apenas às forças naturais da demanda e da oferta, mas às pressões variadas de grupos econômicos poderosos com ramificações no mundo político.

 

 

A frase que foi pronunciada:

O trabalho dignifica o homem quando é pago. No mais, é escravidão.”

Dona Dita, decepcionada com o saldo que não se mexe.

Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E já que o nosso trabalho é ajudar ao professor Hermes Limas, que comanda a mudança do Executivo, mas uma informação: a relação dos moradores das superquadras fornecidas pelos Institutos não coincide com a fornecida pelo GTB. (Publicado em 26/01/1962)

Dívidas devidas pelo cidadão são tratadas de forma diferente das dívidas devidas pelo governo

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge de Soza para espacovital.com

 

O caráter imperial e monárquico que permeia, em pleno século 21, muitos aspectos observados pela população em diferentes presidentes da República é um ranço antigo, herdado ainda da metrópole portuguesa e reforçado com a vinda D. João VI para estas bandas. A carruagem que conduzia a família real, confeccionada em prata – o povo a chamava de “monte de prata”, foi substituída por um moderno e luxuoso avião, também fabricado na Europa, no qual se viaja com numeroso séquito mundo afora, hospedando-se em hotéis que são verdadeiros palácios, como acontecia em gestões mais afoitas.

Essa feição de realeza e imponência do chefe do executivo, nem o advento da República, nem as limitações impostas pela Constituição ou mesmo o próprio tempo conseguiram atenuar. Vivemos ainda sob uma espécie de presidencialismo monárquico, com mandatários voluntariosos e autocratas.

À hereditariedade, impuseram o conceito do patrimonialismo sem parcimônia ou culpa. Diante de tanto fausto, até mesmo o Congresso se verga aceitando títulos nobiliárquicos – agora denominados ministérios, pelos bons serviços prestados. Sua alteza, nobilíssima, não se esquece de ninguém. Atenta aos dissabores do reino, reforça a corte de justiça com impolutas figuras fidedignas.

Num país assim não é de estranhar que uma vendedora de acarajé, no centro de Salvador, vendo a comitiva presidencial se deslocando pelo Pelourinho, perguntou ao vizinho: “Que chafurdo é esse, meu rei?”.

No século XVI, o poeta Camões já reclamava, em seus versos, das injustiças tributárias do Estado português: “Leis em favor dos reis se estabelecem / As em favor do povo só perecem.” Mal sabia ele que a “sede cobiçosa de querer dominar e mandar tudo” só aumentaria com o passar dos tempos e chegaria ao seu clímax na própria colônia que viu surgir no novo mundo. Nestas mesmas terras de Santa Cruz, muitos séculos à frente, que o Estado, agora denominado sorvedor mundial de impostos, se poria de “boca aberta por se encher de tesouros de hora em hora… que quanto mais alcança mais queria”.

Com uma carga tributária campeã, beliscando parte considerável do PIB, o estado arrecadador brasileiro é uma entidade inadimplente, mas com as burras cheias. Não cumpre o papel que lhe é reservado pela Constituição de promover o bem-estar da população. Saúde, educação, transporte e segurança, que seriam suas atribuições básicas, estão aí a olhos vistos e não carecem de adjetivações maiores.

Tão grave como descumprir a Carta Maior em seus preceitos básicos é também conduzir o Estado a uma situação de insolvência, onde as maiores empresas estatais são justamente aquelas com maior grau de endividamento junto ao fisco. De acordo com as Agências (ANP, Aneel e Anac), as cinco principais estatais do governo receberam quase meio bilhão em multas nos últimos 2 anos, por má qualidade nos serviços prestados, má conservação de equipamentos e problemas de segurança.

Noutra ponta, estudos mostram que a dívida dos estados com os precatórios já ultrapassa os R$ 94 bilhões, sendo que, em algumas dessas unidades federativas, a relação dívida com precatório e receitas ultrapassa os 20%. Somente o DF tem uma relação dívida/receita da ordem de 28%. Ou seja, o Distrito Federal não paga seus credores nem num futuro próximo. Já no caso de inadimplência do cidadão comum, tal recusa em honrar os compromissos é caminho certo para o catre ou confisco de bens imediatos.

A frase que foi pronunciada:

O governante que se rodeia de assessores competentes é mais competente do que eles.”

Millôr Fernandes

Millôr Fernandes. Foto: Daniela Dacorso/Bravo (exame.abril.com)

 

Sem briga

Membros da Executiva Nacional do Partido Verde querem mudanças, depois do fraco desempenho nas eleições. O presidente do Diretório Nacional do PV, José Luiz Penna, escudado pela Covid-19, sugere, em documento, que, em nome da vida e da saúde, na balança de interesses partidários, a atual gestão seja prorrogada. Não é o que quer a maioria. Agora são dois caminhos: ou continua afugentando inteligências e perdendo espaço na política em direção à extinção do PV, ou o partido enfrenta a descentralização, com democracia e transparência. No que depender de Eduardo Jorge, com o seu jeito de autenticidade e verdade, a mudança prevista no estatuto não será mais postergada e muitos estão com ele.

Eduardo Jorge. Foto: Reprodução/ Partido Verde/ Facebook

Choque de realidade

Não que tenha acontecido o fato de se ter procurado uma clínica dessas. A pesquisa social só observa a reação das pessoas com a pergunta. Parece tão absurdo que qualquer um fica horrorizado. E é aí em que está a delicadeza do pontoo: o cuidado com a sobrevivência de animais irracionais ou de seres humanos. A pergunta é: Você conhece alguma clínica em que eu possa levar minha cadelinha para abortar? Só conheço para humanos… Prepare-se para a celeuma!

Reprodução
Reprodução

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Ainda pela lista telefônica poderemos citar ao mesmo GTB o que ocorre com o apartamento 204 do bloco 11 da superquadra 106. Pertence ao quinto suplente do deputado Domicio Gondim Barreto, que ali instalou escritório da MONAG. (Publicado em 26/01/1962)