Augusto Aras O subprocurador-geral da República atende o perfil almejado pelo presidente da República. Foto: Roberto Jayme/ Ascom /TSE

Alinhamento em relação ao meio ambiente convence e Bolsonaro escolhe Aras para a PGR; entenda os motivos

Publicado em Economia

RODOLFO COSTA

O subprocurador-geral Augusto Aras disparou na “bolsa de apostas” entre os indicados à Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre aliados do presidente Jair Bolsonaro e nos corredores do Palácio do Planalto, a informação que circula é de que ele será o escolhido. Alguns, no entanto, adotam cautela, ressaltando que não seria impossível o chefe do Executivo federal voltar atrás e escolher outro nome. A verdade, sustentam, é que ele conseguiu agradar Bolsonaro dando demonstrações robustas de alinhamento em uma das pautas mais debatidas pelo governo: a questão ambiental. 

 

Veio de Aras a ação do Ministério Público Federal (MPF) para resolver o caso do linhão de Manaus/BoaVista, travado há anos por impasses com os povos indígenas. Veio de Aras a peça jurídica em defesa do interesse público do projeto, ao assegurar os interesses da população de Roraima, com ganho de causa no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), que determinou a continuidade das obras do linhão. 

 

A atuação de Aras conquistou o apreço do ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas. Desde a última sexta-feira (30/8), Bolsonaro reiteradamente diz que o auxiliar compõe seu “Centrão”, formado por ele, e pelos ministros da Justiça, Sérgio Moro, e da Economia, Paulo Guedes. Coordenador da 3ª Câmara da Ordem Econômica e Consumidor, Aras tem dado sinais de atuar em uma linha dinâmica a favor do desenvolvimento do país, apontam pessoas próximas. 

 

Outro alinhamento entre e Tarcísio foi observado no leilão da Ferrovia Norte-Sul. Em dobradinha entre o MPF e o Ministério da Infraestrutura, Aras afastou óbices ao leilão do Tramo Central da obra, firmando Termo de Entendimentos com o governo federal, em março, assegurando, assim, o direito de passagem e o desenvolvimento da concorrência ferroviária, destravando o processo que culminou no sucesso do leilão com valor de outorga de 100% do inicialmente previsto, em uma arrecadação de R$ 2,7 bilhões. 

 

O Blog ouviu de um deputado aliado do governo no Congresso, em cerimônia realizada pela manhã do lançamento do programa para a implantação de escolas cívico-militares, que Aras será o escolhido. E confirmou a informação junto a outros dois interlocutores governistas no Palácio do Planalto. Mais cedo, o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) havia bancado ao Blog que ele era o mais cotado. 

 

Perfil

Todas as quatro fontes ouvidas evitam, contudo, cravar o nome de Aras. “O nome é ele, mas o presidente ainda vai se reunir com mais gente, hoje, antes de bater o martelo”, explicou um interlocutor. O subprocurador vem se movimentando estrategicamente junto a pessoas próximas do governo. Sofreu “sabatinas” por essas pessoas e foi aprovado. 

 

Quando Aras chegou a ser anunciado como um nome forte, ainda em agosto, ele foi duramente criticado internamente, no MPF, por defensores da lista tríplice, e externamente, nas redes sociais, por apoiadores do presidente. Nas mídias, a informação que circulava era de que ele era alinhado com a esquerda, depois de declarações antigas virem à tona, em que ele chega a citar uma célebre frase atribuída ao revolucionário argentino Che Guevara: “Há que endurecer sem perder a ternura.”

 

Apesar da frase ser atribuída a ele, não foi Che Guevara o primeiro a citá-la. Nos bastidores, defendeu-se como uma pessoa conservadora, pró-Lava Jato e a favor do desenvolvimento sustentável. Citou que cogita ampliar a Lava Jato a outras unidades da federação, e que trabalharia para contribuir com o crescimento econômico brasileiro, a exemplo das dobradinhas feitas com Tarcísio. Assim, ele convenceu, em boa parte, alguns dos principais aliados de Bolsonaro. A proximidade dele com o DEM e até o MDB, no entanto, só não convenceu alguns no Planalto a respeito da atuação dele no combate à corrupção no Congresso. 

 

O Planalto avalia que, em relação ao combate à corrupção, haviam nomes tão bons quanto ou até melhores que Aras. Mas, no “conjunto da obra”, o perfil dele atendeu às exigências de Bolsonaro. Na cerimônia desta manhã, ele defendeu um candidato que tenha em “um uma das mãos” a “bandeira do Brasil” e, na outra, a “nossa Constituição”. “Não podemos ter uma pessoa radical na questão ambiental, que vai simplesmente botar nosso agronegócio para baixo, dada sua forma xiita de agir. Sabemos que alguns são assim, e que não atrapalhem nossa infraestrutura do capitão Tarcísio”, destacou.

 

Para Bolsonaro, muitos dos impedimentos dos últimos anos para “rasgar”, duplicar ou recuperar obras de infraestrutura, por exemplo, vieram do MPF. “Queremos alguém não que engavete tudo, mas alguém que tenha consciência, super poderes, mas um poder que, acima de tudo, tenha que estar preocupado com o desenvolvimento do nosso Brasil”, disse. Antes, frisou que, “apanharia de qualquer maneira”. “Todos que conversaram comigo, na minha sala, levaram tiro. ‘Esse é amigo não sei de quem, esse é petista, esse é direita demais, esse aquilo'”, ironizou. 

 

Realizações

Os feitos de Aras a favor do desenvolvimento econômico estão sendo compartilhadas a pessoas próximas, como uma espécie de “perfil” de suas realizações. O Blog obteve acesso a esse comunicado. Outra atuação do subprocurador ocorreu no setor agropecuário, onde, a pedido das Associações de Produtores de Soja, Algodão, Milho, Café, ele “abriu portas” para a defesa da agricultura brasileira, possibilitando que produtores possam prestar os esclarecimentos de que a pulverização aérea, com as medidas técnicas corretas, respeita a vida e não se mostra em empecilho para o avanço da produção agrícola tecnológica e responsável, em consonância com as melhores práticas das nações desenvolvidas. 

 

O subprocurador sustenta, ainda, trabalhar com associações de empresários do setor da cabotagem para que os fatores que inibem a concorrência e eliminam empregos sejam ajustados na direção que desafogue as rodovias e ofereça melhorias na competitividade. Esse esforço, garante, está em consonância com o governo federal. Ele sustenta, ainda, lutar para encontrar “pontos de equilíbrio” entre as empresas ofertantes dos planos de saúde e os consumidores, “de tal modo que o preço justo dos serviços assegure o fortalecimentos das empresas do setor e, ao mesmo tempo, amplie a oferta de serviços médicos hospitalares com a qualidade desejada pela população.”

 

Além disso, Aras mantém contatos frequentes com as Associações das Zonas de Processamento de Exportações (ZPE), em alinhamento com estudos recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), apontando que estão contribuindo para o aumento do PIB em 108 países. “Esse canal de estímulos às exportações foi trilhado pela China que opera, atualmente, cerca de 4 mil zonas de exportação”, sustentou, em nota.