Estatal é alimento preferido da corrupção

Publicado em ÍNTEGRA

ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil

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Charge: brasilsoberanoelivre.blogspot.com.br
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         De fato, as reais causas para a atual crise política instalada no país têm que levar em conta, de todas as variantes possíveis, sobretudo, a questão da corrupção endêmica que tomou conta da máquina do Estado como um câncer em adiantado processo de metástase.

         Não há como dissociar a atuação criminosa e deletéria de diversos grupos políticos instalados no poder, desde a redemocratização e o atual momento político de forte instabilidade institucional. A crise atual decorre tanto de um esgotamento próprio desse modelo parasitário como da insatisfação popular, para quem essa situação atingiu níveis insuportáveis.

         Obviamente que o catalisador de todo esse processo foi dado pela atuação pronta do Ministério Público e da Polícia Federal. A utilização do Estado como meio para financiar a riqueza de pessoas e grupos particulares não é tão antiga como o Brasil, mas foi a partir dos anos cinquenta, com o modelo de desenvolvimento assentado sobre os pilares de um estatismo, intervencionista e protetor, que se estabeleceu a confusão entre o bem público e o privado, criando uma república tipicamente de oligarcas, detentores do poder político, econômico e mesmo cultural.

         É preciso destacar a forte herança patrimonialista, herdada da colonização e que, ainda hoje, permeia alguns setores do Estado. É justamente esse modelo que acabou gerando ao longo do tempo uma centena e meia de estatais, onde estão fincadas as origens da corrupção, sua retroalimentação e perpetuação.

         Portanto, qualquer medida que vise acabar com a corrupção, tem que se levar em consideração, ao lado do endurecimento das leis, a eliminação da contradição indecente que faz com que um Estado e governantes ricos convivam lado a lado com uma população que há séculos amarga os piores índices de pobreza do continente.

         Apenas os governos Lula e Dilma foram responsáveis pela criação de mais de 40 estatais, fundadas sob o falso verniz ideológico do Estado forte, mas cujo objetivo era angariar recursos para o partido. Nesse sentido, o caso da Petrobras, transformado pelas investigações no escândalo do petrolão, é exemplo de como a existência dessas empresas do Estado tem como meta primeira o fortalecimento de grupos no poder, e em nenhum momento o bem-estar da população

Charge: blogdotarso.com
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        De 12ª posição no ranking das maiores empresas do mundo em valor de mercado em 2010, a Petrobras despencou, em apenas quatro anos, para a 120ª em 2014. Alguns especialistas falam em R$ 120 bilhões os prejuízos resultantes da corrupção e má gestão na empresa na última década.

        Para muitos economistas, o modelo estatal e protecionista, gerador de crises cíclicas e persistentes, está esgotado definitivamente. Parte da sociedade, imune às fantasias ideológicas, já reconhece esse fato, compreende que o mundo mudou, a competitividade alcançou outro patamar.

         É preciso entender que houve, além de uma mudança na dinâmica da economia mundial, a certeza de que hoje uma nação rica é avaliada mais pelo nível de educação de seu povo, pela tecnologia que desenvolve e produz do que pela quantidade de óleo em seu subsolo.

         Hoje, mais do que petróleo, o mundo precisa de boas escolas. Ocorre que com o povo adequadamente educado, sobra pouco espaço para as estripulias de seus dirigentes.

A frase que não foi pronunciada:

“Que tal uma auditoria internacional nas urnas eletrônicas brasileiras antes das eleições?”

Doutor pró ativo

Envenenamento

Larissa Mies Bombardi lançou o atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida por três anos, que teve como objetivo conscientizar a população, exposta a agrotóxicos, e nutrir novas políticas públicas sobre o assunto. A edição está esgotada, mas é possível acessar vários textos da autora na Internet.

Imagem: ufpe.br
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Sem soberania

Fronteiras do país estão arregaçadas ao tráfico e armamento. Não há ações de inteligência entre estados do Brasil e países fronteiriços para o combate ao crime. Cada vez armas mais potentes entram no país livremente. Essa é a terra da reação. O que vamos esperar para tomar atitude? Amadeu Soares, da Segurança Pública do Amazonas pede socorro.

Chuva e sol

Dia a dia, o que acontece pelos buracos no asfalto do DF é o seguinte: o sol esconde durante a operação tapa-buraco e a chuva encontra um por um.

Restaurante Universal

A oferta é a seguinte: Na CLS 210, Bloco C, Loja 18, só hoje, durante o jantar, o cliente que pedir Arroz de Bacalhau vai pagar o que achar que é justo. O dinheiro arrecadado com essa promoção vai para o projeto Adoção São Francisco. Informações: 3443-2089.

Foto: guiadasemana.com.br
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HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Frei Lambert da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, está dizendo que quem tiver um piano encostado em casa, como trambolho, ou com falta de lugar, mande avisar na Igreja, que ele está precisando para a aula de música das crianças. (Publicado em 18.10.1961)