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Vídeo mostra que, além de filhos, Bolsonaro queria proteger amigos de investigações da PF

Publicado em Economia

A insistência do presidente Jair Bolsonaro em trocar o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro não se restringia à proteção de seus filhos. Ele também estava preocupado com as repercussões das investigações da PF sobre seus aliados.

 

As preocupações de Bolsonaro em ter o controle da PF no Rio ficaram claras no vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, exibido nesta terça-feira (12/05) no Instituto de Criminalística do órgão. Na reunião, o presidente ameaçou demitiu o então ministro da Justiça, Sergio Moro, se ele não trocasse o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, e o superintendente do Rio, Carlos Henrique Oliveira, que foi convidado para ser diretor executivo da corporação, ou seja, o número dois na hierarquia do órgão, mas sem acesso às investigações.

 

Com a demissão de Moro do ministério e de Valeixo do comando da PF, Bolsonaro tentou emplacar o delegado Alexandre Ramagem, amigo dos filhos do presidente, para a diretoria-geral da corporação, mas a nomeação foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A intenção de Bolsonaro de trocar o superintendente do Rio foi confirmado por Ramagem em depoimento à PF na segunda-feira (11/05). A PF está próxima de pegar Carlos e Eduardo Bolsonaro, os filhos 02 e 03, por disseminação de fake news com o intuito de destruir reputações e defender a volta da ditadura.

 

Diante das denúncias de Moro, ao se demitir do Ministério da Justiça, a Procuradoria-Geral da República recomendou ao STF a abertura de inquérito. O ex-juiz já foi ouvido. Nesta terça-feira (12/05) estão prestando depoimento três ministros militares com assentos no Palácio do Planalto: Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (Casa Civil).

 

Segundo pessoas que assistiram ao vídeo exibido hoje pela Polícia Federal, a situação de Bolsonaro se complicou muito e será difícil para o procurador-geral da República, Augusto Aras, arquivar o processo que pode resultar em um pedido de impeachment do presidente.

 

Brasília, 16h01min