“Tivemos um péssimo exemplo de transição”, diz Haddad

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ROSANA HESSEL

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não poupou críticas ao governo de Jair Bolsonaro (PL) em seu discurso de posse, nesta segunda-feira (2/1), desde a falta de cumprimento das regras de transmissão de cargo, em referência à recusa tanto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu ex-vice Hamilton Mourão (Republicanos) em participar da cerimônia de passar a faixa, ontem, na cerimônia de posse, quanto das medidas adotadas de última hora que oneram ainda mais os cofres públicos.

“Tivemos um péssimo exemplo de transição, que colocou dois militares em situação indefensável que se recusaram a cumprir a as regras democráticas de troca de governo e que, em 30 de dezembro, foram capazes de publicar dois decretos que darão mais de R$ 10 bilhões de prejuízos aos cofres públicos”, afirmou Haddad, logo no início do discurso, sem citar nomes. “Esses são os patriotas que deixam o poder”, ironizou ao falar da herança de um rombo de R$ 300 bilhões, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo ele, “provocado pela insanidade”.

Haddad reforçou que está comprometido com a responsabilidade fiscal e sua missão será reduzir o deficit de R$ 220 bilhões previsto no Orçamento deste ano que foi aprovado pelo Congresso.

No início do discurso fez referência que a expressão “arrumar a casa” tornou-se uma metáfora comum nos discursos dos que iniciam um novo governo, uma nova administração. “Mas ouso dizer, sem o receio de cometer exageros: estamos mais próximos da necessidade de reconstruir uma casa do que simplesmente arrumá-la. Os atos na política econômica do país em 2022 foram dos golpes mais duros que eles desferiram contra o povo brasileiro. Não apenas contrariaram o bom senso e a recomendação de técnicos da Economia: foram deliberadamente irresponsáveis!”, afirmou.

O ministro também lembrou que a troca de governo era um momento ansiado não apenas pela atual equipe, mas “mas também por todas as grandes democracias mundiais”.  “Não aceitaremos um resultado primário que não seja melhor do que os absurdos 220 bilhões de Déficit previstos no Orçamento para 2023.

Mas além de trabalhar com toda ênfase na recuperação das contas públicas, é preciso combater a inflação. É preciso fazer o Brasil voltar a crescer com sustentabilidade e responsabilidade. Mas, principalmente, com prioridade social. Com geração de empregos, oportunidade, renda, salários dignos, comida na mesa e preços mais justos.

“Era um Posto Ipiranga, e agora somos uma rede de quatro”, disse Haddad, ao comentar sobre os secretários de sua equipe, liderados por Gabriel Galípolo, secretário-executivo; Bernard Appy, secretário especial da Receita; e Guilherme Melo, secretário de Política Econômica, em referência ao seu antecessor no comando da equipe econômica.

Haddad, criticou o orçamento secreto e ainda defendeu um novo arcabouço fiscal.  “Não sou dogmático nem fecho os olhos para as evidências. O arcabouço fiscal que pretendemos encaminhar precisa ter a premissa de ser confiável e demonstrar tecnicamente a sustentabilidade das finanças públicas. Um arcabouço que abrace o financiamento do guarda-chuva de programas prioritários do governo, ao mesmo tempo que garanta a sustentabilidade da dívida pública. Não existe mágica nem malabarismos financeiros”, destacou, sem afirmar como. “O que existe para garantir um Estado fortalecido é a previsibilidade econômica, confiança dos investidores e transparência com as contas públicas”, acrescentou.

Vicente Nunes